segunda-feira, 23 de abril de 2012

- Amigos? – falei incerta mais como uma sugestão de sermos amigos do que uma pergunta em si estendendo minha mão em direção a ele para um rápido aperto de mão. Quer algo mais civilizado, controlado e impessoal?
- Amigos. – ele respondeu como se houvesse reticências em sua fala enquanto ele apertava minha mão.
- Eu... – comecei a falar, mas logo fechei a boca ao olhar mais uma vez nos seus olhos. Desviei de forma quase que imperceptível para que eu fosse, ao menos, capaz de criar sentenças completas com algum sentido. Algo que, para mim, era extremamente difícil. Eu não fazia o menor sentido quando estava com ele e eu sabia disso. Eu não conseguia pensar. Ironicamente era para quem eu mais queria que eu parecesse inteligente. – Quero ao menos ser sua amiga, te conhecer melhor. Você me parece interessante. – eu sorri internamente pensando no tamanho eufemismo da minha ultima frase.
- Claaaaro. Eu também quero te conhecer. – ele sorriu. Dessa vez um sorriso mais leve, quase infantil. – E não precisa manter essa distancia não. – ele indicou gesticulando a distância geográfica em que nos encontrávamos.
Eu apenas olhei de onde ele estava para onde eu estava e sorri.
- Posso te dá um abraço? – perguntei com plena consciência dos riscos que um simples abraço poderia causar.
- Lógico! – ele sorriu mais abertamente o que me fez sorrir.
Andei toda a distância entre nós até estar a somente alguns centímetros de seu corpo, de seu rosto. Mas lembrei de evitar seus olhos, antes que me visse prisioneira deles mais uma vez.
- Me abrace direito, não esse abraço mal dado, de lado. Me abrace direito. – ele reclamou.
E então eu o abracei. Eu realmente o abracei e fui completamente pega de surpresa pela sensação que isso causou em mim. Perfeito. Como era possível que o corpo de alguém se encaixasse tão perfeitamente? Ele tinha as dimensões exatas para que eu facilmente enterrasse minha cabeça em seus ombros ao mesmo tempo em que o cheiro do seu pescoço me deixava... Extasiada. Seu cheiro era de fato, inebriante.
Seu corpo era quente e macio, o que era ótimo naquela noite fria. Ou em qualquer outra noite fria. Eu sabia que abraçando-o eu provavelmente não iria mais querer soltar e foi o que aconteceu. Parecia tão... Certo. Eu não deveria estar ali, eu sabia, conscientemente, logicamente, racionalmente eu sei que não deveria, mas não era o que eu de fato sentia.
E por que seria errado? Não era. Não é.
O abraço dele me transmitia uma segurança maior do que sou capaz de colocar em palavras. Pela primeira vez na vida eu me sentia segura. Sem medos. Sem grilos. Sem neuroses. Sem milhões de perguntas sem resposta. Sem pensar no antes, sem pensar no depois. Pela primeira vez em muito tempo eu conseguia aproveitar o momento pra valer. O ali e o agora.
Uma das melhores sensações do mundo, se não a melhor, é a de estar em casa, de estar exatamente onde você deveria estar, de estar e SER feliz. E eu estava. Não havia qualquer outro lugar do mundo que eu gostaria de estar. Não havia qualquer outra pessoa que eu gostaria que estivesse ali, no lugar do meu Dionísio. Perfeito. Tudo estava... Perfeito.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Dionísio


Dionísio. Era assim que ele deveria se chamar. Qualquer outro nome atribuído ou designado a ele me parece demasiado... Não certo.
Olhei para ele.
Ele sorria enquanto andava entre as pessoas servindo-as com vinho, um sorriso gracioso. Eu o observei todo o tempo enquanto o murmúrio das pessoas ao meu redor me impedia de ouvi-lo ao mesmo tempo em que fazia com que me concentrar no que eu via se tornasse mais fácil.
Aguardei a minha vez.
Qual seria a sensação de olhar nos olhos daquela figura tão incrivelmente encantadora? Eu tinha a certeza, o porquê exato eu desconheço, mais eu sentia que ao ter seus olhos fixos nos meus, eu talvez pudesse ver sua alma, talvez pudesse desvendar um pouco daquele mistério magnífico que eu tinha em minha frente.
Aguardei. Se eu pudesse ter acesso a ele, valeria a pena esperar.
Uma pessoa a menos.
Duas...
Três...
Quatro...
Eu. Tinha chegado a minha vez.
- Aceita beber? – ele me perguntou sorrindo um pouco mais abertamente do que tinha para as outras pessoas.
- Eu não bebo. – respondi com um meio sorriso pretensioso.
- Calma. – ele riu. – Só perguntei se você aceita beber. Se não quiser o vinho, tem refrigerante também.
- Aah! Refrigerante eu aceito.

Ele sorriu satisfeito. Eu sorri de volta. Ele parou me encarando com o galão de vinho ainda na mão. Eu o olhei retribuindo o olhar e esqueci. Esqueci de tudo. Esqueci inclusive do desejo de conhecer sua alma. Esqueci onde eu tava, esqueci das pessoas ao meu redor, esqueci que ele era um completo estranho para mim. Esqueci de tudo.
Esqueci porque de repente nada daquilo parecia importante. Algo no olhar dele me prendeu. Era fascinante. Uma prisão. Uma prisão que eu não queria sair. Nem se ele me expulsasse. Ele tinha o mais fascinante dos olhares. Eu podia sentir sua intensidade através deles. Uma combinação de paradoxos bem ali na minha frente. O espírito poético, lírico, livre. Avassalador.
Ele continuou me olhando diretamente nos olhos parecendo totalmente imerso em seus pensamentos, o que é engraçado porque eu sequer conseguia pensar. Logo eu que sempre penso tanto...
Ele me olhou. Olhou como se eu fosse uma espécie de ET, uma estranha, algo que ele jamais tinha visto na vida. Ele parecia maravilhado, fascinado. Parecia completamente perdido em seu próprio mundo. Não sei se foi somente impressão, tudo o que sei foi que seu olhar me fascinou. Eu estava presa. Presa e submersa no brilho dos olhos do meu Dionísio.
Ele continuou me olhando.
Seu olhar foi como uma dessas drogas pesadas que temos hoje por ai, que basta apenas uma vez para que se vicie. Não demorei muito a perceber que eu já estava viciada. Bastou que ele virasse as costas por alguns instantes para que eu rapidamente sofresse de abstinência. Ali eu soube, soube que precisaria da droga diária que era aquele olhar, o do meu Dionísio.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

A Garota Perfeita


Ela costumava ser uma garota comum. Mediana às vezes, outras, abaixo da média, mas nunca acima. Aos olhos dele, ela era perfeita. Principalmente, perfeita pra ele. Ou assim foi durante um tempo. Assim foi antes do jeito dela, o jeito como se vestia, falava e se comportava começasse a incomodá-lo. Ela não o incomodava por eles. Não. Ele se incomodava com ela pelos comentários feitos pelos outros. Agora com as criticas recebidas pelos amigos e conhecidos, ela não era mais perfeita aos olhos dele.
Ele era um garoto fútil. Sabia disso e admitia embora não tivesse orgulho de tal fato. Ambos sabiam que futilidades era importante pra ele. Quanto mais as pessoas falavam, mais incomodado ele ficava. Então ele decidiu fazer um pedido a ela, embora ele soubesse ser egoísta, ele achava que seria o mais justo pros dois. O melhor pros dois. E ela faria, ele tinha certeza. Se ela o amava como dizia, ela faria o que ele pediria.
Ele decidiu reunir todo o pouco tato que tinha e foi falar com ela. Ele lhe pediu para que mudasse. Ela ouviu com atenção enquanto ele falava como ele se sentia e argumentava, com argumentos fracos, motivos para que ela mudasse, motivos pra que ela fosse mais como as outras garotas.
Ela sorriu pra ele. Um sorriso carregado de emoções que ela sentia naquele momento. Ela entendia o que ele queria dizer. Ela o amava. Doía saber que ela poderia perdê-lo por algo tão bobo, mas isso não mudava os fatos. Ou ela o mudava, ou ela mudava por ele, ou ela o perderia.
Ele só esqueceu, que por mais que ela o amasse, ela amava ainda mais a ela mesma. Gostava muito de quem era. Ela sabia quem era e não mudaria isso por ninguém. Muito menos por opiniões alheias, mesmo que isso custasse perdê-lo.
Ele não gostou. Brigas. Brigas. Brigas. E mais brigas. Ele poderia ter pedido qualquer coisa a ela, menos que ela mudasse quem ela é. Ele não achava que pedia isso, mas era isso que ele estava pedindo.
Apesar das brigas, eles se amavam, continuaram juntos, sempre brigando pelos mesmos motivos. Incansavelmente tinham brigas repetidas. Como um replay. Sendo voltando e brigando. Até que um dia ela cansou.
Não queria mais brigar por uma bobagem. Se ele insistia tanto, se era importante pra ele, ela mudaria. E mudou. Mudou muito. Finalmente ela mudou e tinha se tornado justamente quem ele sempre quis. Agora ela era a garota perfeita dele. De novo.
Mas ele não era o garoto perfeito dela. O problema é que não havia nada que ele pudesse mudar e fazer isso acontecer. Não teria como ele nascer de novo. Ele não era o tipo dela. Ela o amava, mas ele não era o garoto perfeito.
E esse é o problema das garotas perfeitas. Se elas existem? Existem. Pessoas perfeitas não são aquelas sem defeitos, pessoas perfeitas são aquelas que reúnem todas as qualidades que procuramos numa pessoa, tudo aquilo que desejamos. Mas as garotas perfeitas querem garotos perfeitos. Afinal de contas, uma It Girl precisa de um It Boy. É assim que as coisas funcionam.
E agora que ela era aquela garota que ele sempre sonhou, aquela garota que todos que antes criticavam queriam, ela não queria mais ele. Agora ela não podia mais suportar as bobeiras dele, as constantes mudanças de mau humor e nada daquilo. Ela não podia mais suportar, era demais pra ela. Ela era demais pra ele. Agora que ela era a garota perfeita, ela iria atrás do seu garoto perfeito também.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Aquele garoto. Esse homem.

Foi aquele garoto não tão qualquer assim que me ensinou o que é amor, o que é amar. Então agora eu reúno minhas coisas e me despeço dele com um agradecimento no olhar e um sorriso nos lábios. Agora eu reúno minhas coisas e posso dar as costas para aquele garoto que um dia me fez amá-lo tanto. Ainda amo. Agora eu posso sair correndo carregando uma das minhas malas, pesadas, em direção ao único homem que eu quero amar.
Agora sim eu posso viver o amor. Amar não é pra quem quer, é pra quem pode. E eu finalmente posso. Eu finalmente aprendi. Obrigada garoto por me ensinar tanto, por me fazer aprender o essencial pra que eu pudesse viver a minha vida como eu sempre quis.
As cicatrizes do que vivemos estão tatuadas na minha alma, intrínsecas em quem sou. Uma parte sua sempre estará em mim, a carregarei comigo sempre por mais pesada que seja, farei questão de manter sempre comigo. Sem você, não seria nem metade do que sou. Eu espero que eu tenha te ensinado coisas também, sei que ensinei, um dia talvez quem sabe, você perceba.
Eu e minha mania de sempre te impor coisas, te ensinei a me amar. Na verdade, aprendemos, juntos. Sempre juntos, como sempre fizemos. Uma boa dupla formamos em qualquer coisa que quisermos.
Desculpa por todas as vezes que te causei qualquer tipo de mal, algumas foi intencional, não nego, outras não. Desculpa por todas elas. De verdade.
Eu falaria mais, mas agora eu tenho que ir. Ele está me esperando. Te falei dele, não falei? É aquele cara ali ó, aquele segurando uma das minhas malas. Sabia que ele me disse que me ajuda a carregar todas as malas que eu tiver? Eu nem acreditei quando ele disse, você sabe, não é o tipo de coisa que você faria, nem qualquer cara que eu tenha conhecido. Na verdade duvido que existam homens que ainda façam isso, mas ele, ele faz.
Eu te abraçaria, te daria um beijo na bochecha e sentiria seu cheiro pela última vez, mas minhas mãos estão realmente ocupadas, não vai dar. Fica pra próxima, algum dia, quem sabe.
Eu tenho realmente que ir. Ele está me esperando. A gente se esbarra por ai, não se esbarra?
Antes que ele fosse capaz de me responder eu sigo em frente sem olhar pra trás. Não tenho motivos pra olhar pra trás. Até porque com tanta bagagem, se eu fizer isso sei que posso tropeçar, e eu não quero tropeçar, porque ai eu posso cair e cair com algo tão bonito me esperando não dá. Não tenho motivos pra olhar pra trás, tudo o que eu quero, está bem ali na minha frente, apenas a 10 passos de distância.

domingo, 27 de novembro de 2011

O... Amódio?!

Um dia o amor disse pro ódio: Por que me odeias tanto?
E o ódio respondeu: Porque um dia te amei demais


Tem gente que acha que isso não é verdade. É aquela onda, só passando pra saber como é. EU passei por isso e sei exatamente como é. É o que eu estou sentindo agora pra dizer a verdade. É engraçado pensar em como o mundo gira. Num dia você ama uma pessoa mais do que tudo, ela é praticamente a sua razão de viver e de fazer tudo e no outro, você a odeia e despreza e eu sinceramente fico a pensar o que é pior, se o ódio ou o desprezo ou se eles simplesmente se complementam, se são intrínsecos.
Ou se eles são apenas uma forma de camuflar algo mais. O desprezo e o descaso se fingidos, o que representariam?! Certamente não o que são. O amor indesejado é o sentimento mais corrosivo que tem. Porque você não sabe o que fazer com ele, então você o modifica, modifica até ele se tornar um veneno altamente corrosivo. Pra você e pra quem tal “amor” seja direcionado. É algo que me parece um caminho sem volta. O que se destruiu nunca mais será o mesmo, porque nada pode voltar a ser como era antes, nada. E se fosse bom o suficiente antes, não teria acontecido de se desejar o “voltar atrás” porque o que aconteceu foi uma conseqüência do “bom” utópico de antes.
Sentimentos são coisas engraçadas. Ao mesmo tempo que são, não são. Acabam sendo iguais na diferença, diferentes na igualdade e na singularidade falsa, não existente. Se fosse realmente único, como haveria nós de nomeá-los?!
Talvez o amor e tudo envolta em torno dele seja as lendas, mitos, o que for, dos adultos. Assim como o papai Noel, a fada do dente, o coelhinho da páscoa entre outros pras crianças.
Não me parece tão diferente assim do papai Noel de fato. O amor é algo que sempre ouvimos todos falarem de forma tão bonita e animada e bela, pois ele só é feio na ausência. Assim como o papai Noel só não é legal se ele não vier nos presentear ano após ano. Só que, tem gente que o papai Noel passa na “casa” todos os anos, outros, ano sim, ano não, outros que nunca sequer saborearam essa felicidade, sempre ficou como uma história inverídica.
Creio que assim seja o amor. Existem pessoas que dizem conhecê-lo todos os anos, ano após ano lá está a pessoa que sempre tem alguém pra amar e chamar de amor, outros que conheceram ou vão conhecer, outros que isso não passa de uma ilusão, história pra adulto dormir.
Afinal, existem aqueles que são felizes mesmo após descobrirem que papai Noel não existe. Outros que ficam desnorteados, tristes ao saberem que não ganharam mais o presente tão certo de fim de ano e outros, que acreditarão pela vida inteira, mesmo depois de grandes que papai Noel existe e talvez eles não sejam loucos, ou sonhadores, talvez papai Noel sempre esteve lá por eles e sempre estará. Quem somos nós afinal pra decidir na casa de quem papai Noel irá passar?!

PS: que fique claro que me refiro ao amor “romântico” e não fraternal e etc.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

É incondicional


Já escrevi tanto sobre caras altamente dispensáveis na minha vida e nesses dias me dei conta que nunca escrevi uma linha sequer sobre quem eu sei que permanecerá a minha vida toda.
É engraçado porque eu escrevia quando estava triste, e quando eu estava triste, era por causa deles, nunca, jamais foi e nem seria por sua causa. Você não é esse tipo de cara.
Não. Você não é.
Você é diferente de todos eles. Você é especial. Você é o MEU especial. Você é a certeza que eu carregarei por toda a minha vida. Você é aquele que eu sei que nunca me trocará por ninguém. E eu nunca te trocarei por ninguém.
Você é aquele que não é o meu motivo central, nunca me traz preocupação. Você é sempre aquele que me traz a paz. Aquele que me acalma. Você é o meu porto-seguro. Você é quem me faz continuar, quem me faz não desistir.
E desistir de você eu não conseguiria nunca. É impossível.
Você é sempre aquele que fica na sua, que não chama muita atenção, que não causa drama a ninguém, nunca faz drama por nada, é sempre aquele equilibrado, o certo. Você é o tipo de cara que as meninas sonham, sonham em casar.
Tanta gente desejaria estar no meu lugar, EU SEI, reconheço toda a sorte que eu tenho por ter a melhor pessoa que eu já conheci, na minha vida. E não é a toa que somos tão importantes um pra o outro.
Somos diferentes, mas você me completa. Você tem tudo aquilo que eu não tenho e nunca terei e eu a mesma coisa. Somos opostos complementares e sei que não acredita, mas o zodíaco diz a mesma coisa. Você é de gêmeos e eu de sagitário e somos opostos complementares. Engraçado não? Mas comigo isso sempre da certo, já acostumei. Com você não poderia ser diferente. É claro, nítido, palpável pra qualquer pessoa o relacionamento que temos.

É o relacionamento que todo mundo sonha em ter. Eu não te cobro nada, nem você a mim, você está sempre na minha mente, em meu coração e sabe que seu lugar NINGUÉM JAMAIS ocupará, você é a minha estrela da sorte. Você é o meu menininho que eu amo abraçar, sentir o cheiro, bagunçar o cabelo, até mesmo xingar e falar mal na sua cara, desdenhar (mas como dizem, quem desdenha quer comprar), que eu amo simplesmente ficar olhando pra você admirando tudo aquilo que eu vejo (você sabe que não é pouca coisa).
Seu sorriso de menino que é tão sincero, seus olhos castanhos que brilham quando eu vejo você olhando pra mim, seu abraço caloroso e tudo aquilo que eu sei que ninguém tira de mim, jamais tirará.
Não precisamos nos provar NADA. Tudo aquilo que você faz por mim, você faz porque você quer, porque você se importa comigo e a mesma coisa eu com você. Não preciso falar com você todos os dias, não preciso dizer que te amo sempre, você SABE. Simplesmente sabe. Mesmo não tendo minhas habilidades eu sei que você vê nos meus olhos o quanto eu te amo e não é pouco não.
Se eu fosse escolher uma palavra pra você, eu escolheria Amor. É pequena, é simples, é o complicado, é o que poucas pessoas sortudas possuem, é o que só quem tem sabe o real valor, é a minha razão de viver, é o que todos buscam ter e não terão.
Eu já tive muitos relacionamentos com muitas pessoas. Relacionamentos diversos com pessoas diversas e mesmo tendo muita coisa pra viver ainda, eu sei que o NOSSO relacionamento é o que as pessoas buscarão a vida toda em ter e muitas não chegarão nem perto disso.
É o incondicional.
Não preciso dizer muito mais.
Eu te amo meu amor, meu amigo, meu irmão, meu companheiro, meu chatinho, meu colega (infelizmente em breve ex), meu porto-seguro.
Te amo hoje e pra sempre.

O meu passado

Cansei. Dizem por ai que um dia a gente cansa não é mesmo? Pois bem, cansei. Cansei de cansar de você. Eu nunca imaginei que fosse possível me sentir assim em relação a você. Nunca imaginei que fosse possível te olhar e não ter nenhuma sensação mais... Como dizer? Apaixonada? Talvez.
Eu amei você. Amo. Acredito que amor não se conjuga no passado. Mas pela primeira vez eu consigo olhar pra você e não pensar nas possibilidades que perdemos, nas possibilidades que poderíamos ser.
Não foi por pouca coisa que passamos. Com você, eu tive milhares de relacionamentos dentro de um só. Você e sua doença de personalidade múltipla me fizeram ter algo único, algo que poucas pessoas podem dizer que tiveram. Eu tive em você vários amantes, vários amores. Em você eu amei vários, amei todas as suas personalidades confusas, irritantes, apaixonantes. Amei até mesmo quando não queria amar. Amei até mesmo os seus defeitos que me incomodavam mais do que qualquer outra coisa.
E eu odiei você. Odiei você com todas as minhas forças. Tudo aquilo que fez, disse, não fez e não disse. Odiei você por ser. Odiei você por também não ser.
Amando ou odiando foi intenso. Foi real. Foi verdadeiro. E nada daquela frase que tanto me irrita “foi eterno enquanto durou”. Nada disso. Com a gente nunca nada foi eterno. Sempre foi o hoje, o agora. O passado.
Nunca, jamais, o futuro. Ou era o passado, ou era o presente. Nunca existiu futuro pra gente. E certos somos nós porque na verdade o amanhã nunca chega, não é mesmo?
O tempo passou que nós malmente percebemos. Eu olho pra você e vejo o mesmo garoto que eu conheci e me apaixonei anos atrás. Você olha pra mim e vê a mesma menininha. Talvez esse fosse o nosso problema. Nos olhar e ver que éramos os mesmos, que nada tinha mudado. Só que, acho, não, não, tenho certeza de que vejo agora o quanto somos diferentes. Eu e você.
Antigamente eu olhava pra você e percebia suas mudanças e elas sempre machucavam, nunca eram mudanças que me agradavam. Só que hoje... Não sei. Acabou.
Se eu te disser que eu vou passar por você na rua e será a mesma coisa que um estranho, estarei mentindo. Você nunca será um qualquer pra mim. Porém tão pouco é o que era.
Passei tanto tempo chorando, pensando, refletindo, escrevendo sobre esse amor que eu sentia por você e valeu a pena. Trouxe-me ótimos frutos como, por exemplo, um livro meu que tenho certeza que algum dia, quando eu o terminar e publicar, será um Best Seller. Um livro que só comecei por sua causa, você, minha maior inspiração. Sempre.
Hoje eu finalmente descobri quem foi o meu primeiro amor, e foi você. O primeiro. Tive várias paixões antes, mas amor, nunca, só você. Você me deu, mesmo que não saiba, o que de melhor poderia me dar, um romance digno de literatura.
Tudo o que passamos, vivemos, sentimos, falamos, é PERFEITO pra um livro. Nossa história tem tudo o que um bom livro de romance tem que ter e nós escrevemos ele juntos. Com toda as nossas duvidas, questionamentos, confianças e desconfianças. Juntos. Sempre juntos.
Jamais conseguimos passar muito tempo um longe do outro, nós sempre voltamos. Você seguia em frente, novas namoradas, novos amores, porém sempre voltava, eu sempre estava na sua vida, você sempre na minha. Nunca conseguimos sair da vida um do outro de vez e não sei se algum dia conseguiremos.
E não importa.
Hoje eu não me incomodo mais de saber com que garota você ficou ou deixou de ficar, ou qual delas você quer ficar. Nem mesmo se uma delas for uma das minhas melhores amigas. Simplesmente... Sei lá. Passou. E eu não lutei pra isso acontecer. Só aconteceu.
Nada mais de sonhar com você. Nada mais de coração disparando quando você fala comigo. Nada mais de sentir vontade de te beijar. Nada mais de sentir vontade de te abraçar. Nada mais de sentir vontade de nada com você.
Quando eu digo nada, é nada mesmo. Nesses termos, você se tornou pra mim o que você sempre desejou que fosse. Que eu te tratasse, te visse, como eu sempre vi todos os demais e é assim que eu te vejo hoje.
Mas garoto, tenha certeza de uma coisa, eu te amei, eu te amei como nunca amei ninguém, eu te amei como duvido que eu vá amar alguém. Com você eu desejei tudo o que eu pude e não pude. Com você eu sonhei ter as mais belas coisas. E também as mais horríveis. Com você eu vivi todos os contos de fada. Todas as lendas urbanas. Todo o folclore. Com você eu fui tudo. Com você eu fui nada.
E hoje eu sorrio, porque nada disso me importa mais, nada disso me faz sofrer, nada disso me traz lagrimas, não de tristeza ao menos, de saudade? Não sei, pode ser.
Você sempre teve pra mim o melhor cheiro do mundo, o melhor abraço do mundo, as palavras mais sábias do mundo, aquele que me reconfortava, aquele me fazia sentir em casa porque eu estava em casa, aquele que provocava no meu corpo os desejos mais loucos, absurdos e intensos. Você era pra mim o mais lindo desse mundo e principalmente o do MEU mundo. Você era o meu tudo. Minha razão pra qualquer coisa. Sem exagero e você sabe disso, no fundo, no fundo, você sabe. E principalmente... Você era MEU. O MEU garoto, o MEU amor, o MEU homem, o MEU colega, o MEU parceiro, o MEU tudo. MEU de corpo e alma. Aquele que mesmo com receio de se envolver demais com alguém, se abriu pra mim, mesmo com medo de que fosse embora no ano seguinte, você se abriu. Confiou em mim, eu confiei em você. Nunca fui tanto de alguém como fui sua. Nunca me entreguei tanto a alguém quanto a você. Nunca me permiti tanto quanto me permiti com você. O meu garoto, o meu menino, o meu homem. O meu... Hahahaha, acho que você sabe, não coloco aqui, pois ficaria obvio demais e você não gosta de se expor, não farei isso então. Na verdade, você sempre foi aquele que mexeu comigo mais do que qualquer outra coisa. Mais do que qualquer outra pessoa.
Obrigada garoto, por ter sido o meu garoto enquanto pode. Obrigada garoto, por ter me feito sua enquanto pode. Obrigada, obrigada e obrigada.
Acho que eu posso resumir o meu passado, os meus medos, os meus traumas, as minhas maiores felicidades em apenas um nome: no seu. Mas é isso ai...
Eu estou seguindo minha vida, você a sua. NÓS estamos seguindo a nossa vida. E eu acho que essa é a ultima vez que eu usarei esse pronome pra designar a nós dois.