sábado, 21 de agosto de 2010

Brincando com Fogo...

Parte 01

Sabe aquele dia em que parece que absolutamente tudo dá errado? Com certeza esse não é esse dia. Por que? Porque hoje é o dia do meu aniversário. E isso não é qualquer coisa. Não só pra mim, mais também pra muita, muita gente. Isso é o que acontece quando se mora em cidade pequena.
Logicamente que não irei comemorar minha festa de aniversário como se eu fosse uma pessoa normal, ou melhor, uma pessoa qualquer. Não! Isso seria... Terrível. Eu tenho uma reputação que conquistei com muito suor pra manter. Meu pai é um super, mega empresário de alguma coisa qualquer aí e que não me interessa saber do que, desde que ele tenha dinheiro pra me sustentar e sustentar minha vida.
Esse ano minha vida deu uma bela guinada e pra muito, muito melhor. Eu achei que fosse piorar, mas não, melhorou! Vivas! Estamos no meio do ano e tipo, eu cheguei nessa cidadezinha no inicio do ano, mas já tenho quatro maravilhosas BFFs!
Na verdade três delas se mudaram pra cá junto comigo, porque os pais são sócios de meu pai no negócio, então viemos todas e chegando aqui arranjei mais uma BFF!
Enfim... Hoje é o dia do meu aniversário e a festa será no nosso iate e quase todo o ensino médio do colégio, ou seja, só os excluídos ficaram realmente de fora, todos os populares estão aqui! Quer dizer, estarão aqui.
Só o meu namorado que não... Os pais dele são super conservadores e eles não gostam nenhum pouco de mim, na verdade eles acham que sou uma péssima influência para o filhinho deles. Infelizmente não posso discordar.
Veja bem... O Ricardo sempre foi bom aluno na escola. Sabe aquele garoto que tira as maiores notas da sala? Que quando um professor pergunta algo, ninguém sabe responder e ele vai lá e responde? Aquele aluno que é o SONHO de todo professor? Então, ele totalmente era esse garoto. Um garoto nerd.
Mas só que assim, depois que eu li “O diário da princesa” da Meg Cabot, eu totalmente passei a valorizar um nerd. E fala sério, quem não iria querer sua própria versão do Michael Moscovitz? Pois é. Então creio que agora você possa me entender.
O Ricardo é meu colega na escola desde que éramos bem, bem pequenos e nossos pais sempre foram amigos, porque nossas mães são quase irmãs. Ou eram quase irmãs até minha mãe fuder com o marido dela (a mãe do Ricardo) que na verdade agora é ex. E não, não foi com o pai do Ricardo! Isso foi antes, e foi há muito tempo. Desde então elas se odeiam e não se falam mais!
Por ironia do destino, a mãe do Ricardo, a Teresa, se casou com um sócio de meu pai também. É, meu pai tem muitos sócios, afinal, ele faz muitos negócios. A vida dele é praticamente o trabalho. Inclusive minha mãe também é sócia do meu pai.
Continuando sobre o Ricardo... Ele sempre foi muito nerd e eu sempre fui muito popular e vocês sabem, uma coisa não costuma cruzar bem com a outra. Os dois mundos não costumam se cruzar. Inteligentes e populares até se cruzam, mas com os nerds? Não, totalmente não.
Só que... O mundo dos ricos e poderosos se cruzam e muito! Então... O meu de alguma forma cruzava com o do Ricardo, porque o pai dele também é super rico, que nem o meu é.
Todas as festas da empresa o Ricardo sempre estava, sozinho jogando em seu vídeo-game, mas estava. Ele não falava com ninguém. Enquanto eu e minhas amigas... Falavamos com TODO mundo. Eu conheço todos os sócios de meu pai, sei o nome de todos, sei da vida de todos, inclusive as fofocas mais picantes! Veja bem, nesse mundo esse tipo de coisa é o que nos entretém.
E assim, de certa forma, esse é um acordo que eu tenho com meu pai. Eu meio que trabalho pra ele também. Ele notou que desde pequena eu tenho uma incrível habilidade social e sempre usou isso. Só que agora ele me paga por isso. Então eu tenho um trabalho que na verdade eu não considero trabalho, porque eu iria fazer de qualquer jeito. Investigar a vida das pessoas e saber seus podres.
Creio que já perdi a conta de quantas vezes meu pai usou os segredos sujos que sei pra convencer alguém a fazer o que ele deseja. Minha mãe é claro que não sabe de nada disso. Ela é do tipo certinha e faz com que os negócios de meu pai não acabem indo pras falcatruas. Ele tem essas tendências, mas ela não! Então assim, ele me disse que ele ama isso nela. Sem minha mãe ele ganharia muito mais dinheiro do que já ganha, sempre o que é proibido rende mais, mas ele prefere ganhar menos e não ir preso. E eu também.
Alguma vez ou outra ele consegue driblar a vigilância constante dela e aplicar esses pequenos acordos sem ela saber como ele conseguiu. Ela costuma dizer que ele é abençoado. Ha, eu bem sei!
Meu pai é uma espécie de amigo meu, eu me dou melhor com ele do que com minha mãe e ele me chama de “meu anjo” ou “anjinho” porque eu vivo salvando a pele dele.
Por que eu sempre acabo me perdendo do que eu estava falando hein? Preciso aprender a manter uma ordem cronológica de pensamentos! Eu hein, credo! É por isso que eu nunca fui boa em contar histórias, porque eu acabo perdida em meus pensamentos. Mas enfim... Ricardo! Focar em Ricardo, Mirian!
E foi numa dessas festas... Depois de ler “O diario da princesa 3” que eu decidi ir falar com o Ricardo. Ele estava lá com a cara enfiada no vídeo-game dele e ficou altamente surpreso por EU ter ido falar com ELE. É, eu sorri e disse “eu sei, milagres acontecem” e ele deu risada.
E nós dois ficamos conversando a festa inteira, nesse dia eu nem sociabilizei muito, só fiquei com ele, minhas amigas até vieram reclamar DEPOIS (elas nunca me interrompem quando eu estou com um garoto, é uma regra nossa), e eu pude ver o quão ele era legal e não esquisito. Ou melhor, eu pude ver o quanto ele tinha potencial e jogava fora.
Fisicamente ele faz o estilo do Michael e quando eu lia o livro sempre imaginava o Michael como o Ricardo, então não foi muito difícil eu me apaixonar por ele. O Ricardo também é alto, branco, com o cabelo preto ondulado, olhos castanhos e magro. Só que bem... Ele usava óculos como todo bom e velho nerd.
Mas pra compensar, ele se vestia super, hiper, mega bem. Tirando os óculos, ele parecia um modelo. Ou seja, muito gato. Ele não era nenhum pouco desengoçado como os meninos altos normalmente são, ele sempre teve um porte incrível (acho que é porque ele anda a cavalo e toca piano) e meu deus, ele é o cara que melhor se veste que eu conheço. Ele SEMPRE está na moda. Sempre sabe qual é a tendência, sabe combinar roupas e tem estilo.
Não meninas, ele NÃO é gay. Definitivamente ele não é gay. Ele só... Tem um personal style. É, a mamãe dele contratou um pra ajudá-los com o guarda-roupa. Só que assim, o cara só ajuda a escolher as roupas, ou melhor, a comprar. Todas as combinações quem faz é o próprio Ricardo. Então como eu ia dizendo... Ele é um nerd melhorado. Ao menos no quesito roupa.
Eu passei uma semana conversando com ele pelo MSN e trocando SMS sobre os mais variados assuntos, eu acho que nunca conversei tanto com alguém na minha vida, tipo, seguido sabe? Nem com minhas amigas eu tinha tanto assunto!
Aí num belo final de semana, numa reunião dos sócios da empresa, eu lembro como se fosse ontem. Foi numa fazenda de alguém. Um lugar muito lindo. Passamos o final de semana inteirinho lá. Os adultos passavam o dia em reunião, discutindo enquanto nós, os filhos adolescentes nenhum deles tem crianças graças a deus, aproveitávamos o lugar.
De novo, naquele final de semana eu não fiquei com as meninas. Eu passei todinho com ele e ele me mostrando as coisas, porque ele me disse que já tinha ido lá muitas vezes inclusive eu até aprendi a andar a cavalo, porque ele me ensinou!
Quando estava bem perto de eu ir embora, sei lá, faltava umas 4 horas, ele me puxou pra um dos quartos, me colocou na parede, pressionando o corpo dele contra o meu e me beijou. Simples assim. E ele SÓ me beijou. Mas foi o só beijo melhor da minha vida. E que pegada! Tipo... Ele não pegou na minha bunda, nem tentou nada, mas ele me pressionava e muito contra ele me fazendo sentir o estado alterado dele e ele me pegava pela cintura e me colocava meio que em cima dele... É, foi quente e foi SÓ um beijo.
No dia seguinte ele me mandou um SMS dizendo “As melhores oportunidades surgem quando não esperamos. Porém, quando elas acontecem devemos nos agarrar a elas e não deixar escapar, pois pode ser só uma vez e não voltar!” só isso que dizia na mensagem. Nada daquelas mensagenzinhas clichês. Totalmente não! Foi uma mensagem que me fez pensar e muito!
O que será que ele queria dizer? Isso era um “eu ainda quero ficar com você?” porque assim... Na época eu tinha um ficante e ele era o cara mais popular da escola (só pra variar), o mais lindo e blá blá blá e hum... Pra variar também, ele era altamente estúpido e não sabia conversar, então nós só ficávamos nos agarrando.
Eu não iria largar um cara tipo o Josh (meu namorado na época) pra ficar com um nerd certo? Errado! Se a Mia que é princesa fez, porque eu que não tenho compromisso com país nenhum e nem de deixar herdeiros, por que eu não poderia? Então foi o que eu fiz! Mesmo sem saber o que diabos o Ricardo queria comigo eu terminei com o Josh, (me disseram que ele chorou por uma semana, mesmo que todo dia trepasse com uma garota diferente, todas as cheerlearders) e fiquei livre pra eu fazer o que eu quisesse.
Só que bem, ninguém termina o que chamam de “o namoro perfeito”, “o casal perfeito” e sai impune. Simplesmente NÃO sai! Então naquela semana o que mais teve foi as pessoas falando sobre a nossa separação e os possíveis motivos. Teve TUDO o que você possa imaginar. Eu ouvi dizerem que era até porque eu estava grávida de outro, porque ele tinha dormido com prostitutas e todo o tipo de absurdo!
Nem minhas amigas sabiam o REAL motivo. Eu não contei porque temia a rejeição delas para comigo. Aí fiquei quieta. Nessa semana o Ricardo NEM falou comigo. Eu simplesmente surtei! Os caras SEMPRE, SEM-PRE correm atrás de mim. Por que porra ele não veio? Um SMS no dia seguinte e só? Eu nem respondi porque eu não entendi e nem sabia o que dizer. Normalmente os caras dizem “adorei fikr c/ vc! Vc é ineskecivel! Kr mrkr algm dia, gata?” e eu já tinha respostas altamente prontas e bem ensaiadas. Eu não esperava por aquilo, então eu simplesmente não respondi.
E ele simplesmente me ignorou a semana inteira. Eu era o assunto da escola, eu e o Josh e ele simplesmente me ignora? Ele não tinha ficado feliz por eu estar solteira? Ele DEVERIA ficar! Enfim... Eu surtei. Não esperava por aquilo. Inclusive passei uma semana no psicólogo da minha tia. Não deu certo, só me falou bobagens.
Depois de duas semanas inteiras me evitando, eu fui falar com ele. Eu não agüentava mais.
“Que porra é essa que você tem na cabeça?” falei quase gritando. Nem me preocupei em disfarçar. E ele apenas sorriu amigavelmente.
“Do que você está falando?” ele continuou mexendo no armário dele mal notando minha presença.
“To falando sobre nós termos ficado e você me ignorado” respondi ainda gritando. PS: o pátio estava vazio.
“Não era o que você iria fazer mesmo? Só te poupei trabalho. Mirian, encare os fatos, você é a abelha-rainha desta escola e eu sou o líder do grupo de computação. Como isso poderia dar certo?” ele disse sem parecer preocupado.
“O nerd de hoje é o homem rico de amanhã” eu respondi meio que perguntado e/ou cantando eu sei lá. Eu ouvi a frase numa música num programa de televisão.
“É, eu sei e eu fico feliz por isso. É bom saber que não irei passar fome sabe?” ele disse sorridente e despreocupado. Ele era diferente de todos os caras que eu conheci. Todos tentaram algo comigo na 1ª vez, menos ele.
“Por que você nem pegou na minha bunda?” perguntei dando voz aos meus pensamentos.
“Porque...” ele parou pensativo e sorridente. Um sorriso de canto de boca e sugeria coisas. “Bem, olha Mirian” ele falou isso sério e eu comecei a ficar assustada. “Eu não sei com que tipo de caras você costuma lidar, quer dizer, se fomos pegar como parâmetro o Josh, eu sei, mas...” ele deu de ombros. “Enfim, só o que estou tentando dizer é que eu respeito você. Eu queria realmente ter feito isso, eu queria mesmo” ele respondeu me olhando intensamente e eu fui mergulhando nos olhos castanhos dele e me sentindo cada vez mais perdida e insegura, como eu NUNCA fui.
“Queria mesmo?” perguntei com uma voz insegura e infantil. É engraçado só de lembrar.
“Lógico que eu queria! Se me permite dizer... você é muito, muito gostosa” ele falou coçando o cabelo. Ele parecia sem graça ao me dizer aquilo o que eu achei uma gracinha. Todos os outros me diziam isso me comendo com os olhos e ele não.
“É, eu sei” suspirei confirmando. Eu iria mentir pra que? Eu SEI que sou gostosa, eu ouço isso de todos os caras, tá ficando até clichê, mas é daquele tipo de clichê que a gente nunca se cansa de ouvir. “Não é fácil ser a líder, das lideres de torcida” eu suspirei mais fundo ainda.
“Imagino que não” ele respondeu sarcástico. E pela 1ª vez que alguém insultava o meu esporte, eu não liguei em discutir. Não era sobre o que eu queria falar.
“Resumindo... Foi por causa da nossa diferença de status social que você me evitou?” perguntei ficando mais confiante. Então não tinha sido por mim ou alguma coisa que eu tenha falado e/ou dito pra ele.
“Não” ele respondeu sério quebrando toda a segurança que eu tinha formado. Ou que eu achava que tinha. Eu não consegui falar nada depois disso. Só fiquei lá com uma tremenda cara de idiota olhando pra ele. Ele deve ter percebido que eu não iria continuar ou falar nada, porque ele encostou descontraído no armário e olhou pra cima. “Você recebeu minha mensagem de texto?” ele perguntou me dando uma espiada.
“Uhum” eu guinchei em resposta.
“Otimo” ele respondeu sorrindo de novo! Ele nem sequer veio pedir satisfação do porque eu não respondi! Como assim?!
“Eu terminei com o Josh” falei debilmente. Dã, lógico que ele já sabe! Todo mundo sabe!
“Sério?” ele perguntou e parecia genuinamente surpreso. COMO ele poderia não saber?
“Você não sabia?” perguntei surpresa e chateada. Como assim minha vida não está atingindo a todos? Não sou mais tão popular?
“Eu ouvi dizer. Só falaram disso essa semana, mas achei que fosse boato, porque me disseram que vocês ainda vão ao baile de inverno juntos” ele deu de ombros. Ah, então ele TINHA ouvido falar, só não tinha acreditado.
“Foi por isso que você não me procurou então? Por que achava que eu ainda namorava com o Josh?” por favor responda que sim, por favor responda que sim.
“Não” ele disse quebrando minhas esperanças de novo. Droga! Eu não to agüentando mais esperar por uma resposta.
“E por que foi então...?”
“Olha Mirian... Você é muito legal, mas...” opa, opa, opa! ELE vai me dar um fora? Vou levar o fora de um nerd? Meu deus... Esse mundo tá perdido!
“Isso é você me dando um fora?” falei com a minha melhor voz de nojentinha. Eu não cheguei onde estou, não sou o que sou, a toa. Eu SEI ser uma bitch! Todas populares sabem ser e usam quando necessário...
“Não...” ele falou ficando vermelho e sem graça.
“Então fala logo o que é, porra!” falei impaciente. “Tenho depilação daqui a pouco... Não posso chegar atrasada” falei olhando pro relógio. A história da depilação não era mentira, só que... Seria amanhã só, mas isso ele não precisava saber.
“Depilação?” ele perguntou olhando pras minhas pernas que estavam bem feitas e em dia.
“É” respondi confirmando com malicia.
“Suas pernas estão bem feitas...” ele respondeu fazendo uma cara de safado. Como um nerd sabia flertar tão bem?
“Estão...” consenti sorrindo.
“Uow... Isso é...” ele parou no meio da frase. “Melhor eu não continuar” ele tossiu e passou a mão no cabelo.
“É, acho melhor não... Ou talvez sim?!” falei sorrindo maliciosamente também. Ele quer jogar? Então vamos jogar! Ele me olhou surpreso e depois desviou o olhar.
“Mirian... Isso não tem como dar certo. Sério. Pense aí. Você e suas amigas... Todas vocês são populares, freqüentam esse tipo de coisa e você precisa de um cara que te acompanhe nisso tudo. Eu odeio esse tipo de coisa, eu não iria”
“Mas você vai nas festas da empresa” falei fazendo biquinho.
“Meus pais me obrigam a comparecer. Eu não tenho escolha e se pudesse escolher, não iria. E Mirian, você é meio fútil sabe...?” ele falou parecendo preocupado.
“E daí que eu sou fútil?” falei sem entender. Eu sei que sou fútil, não tenho problema nenhum em assumir isso.
“Bem... Eu não curto pessoas assim” ele deu de ombros. Ok, eu definitivamente estou levando um fora. Mas NINGUÉM, me dá um fora. NINGUÉM!
“Olha... Não vou mentir, certo? Eu gostei de você, gostei mesmo de você, mas nem a pau que eu vou mudar por sua causa. E nem por causa de homem nenhum. Eu acho hipócrita da sua parte julgar pessoas fúteis sendo que bem, esse é o mundo ao qual você pertence, você querendo ou não. Por favor, só olhe pra baixo e veja as roupas que você usa. São TODAS de marca. Todas as roupas que você usa são altamente bem escolhidas e combinadas. Numa festa você simplesmente NÃO repete roupa. Então... Eu ainda não entendi porque porra você tá me julgando por isso, mas tudo bem. Deixa pra lá, e eu achando que você era diferente...” falei fingindo tristeza e desapontamento. Eu totalmente não me sentia assim. Muito pelo ao contrario. Pela primeira vez em muito, muito tempo eu sentia que eu seria a caçadora e não a caça. Eu gostava de caçar, sempre gostei.
Agora mais do que nunca o Ricardo representava um desafio. E bom, como atualmente ele é o meu namorado, é OBVIO que eu venci. Foi difícil, mas eu consegui. E NÃO mudei meu jeito em absolutamente nada. Eu só... Mostrei mais a ele quem eu REALMENTE sou, isso bastou é claro.
Nossa primeira vez foi algo bem... Diferente também. Nós sempre conversávamos sobre sexo e como seria a nossa primeira vez e/ou coisas que nós gostávamos nesse sentido. Então a gente era bem íntimos. Isso tornou as coisas melhores.
“Mirian...” uma voz masculina bem conhecida falou da minha porta ao mesmo tempo em que batia nela, meio que pedindo permissão pra entrar.
“Rick... Hei” eu disse sorrindo pra ele. Depois voltei a mirar meu reflexo na minha penteadeira. Eu estava impecável pra variar. Sim, hoje com certeza será um excelente dia.
“Preocupada?” ele me perguntou enquanto sentava na minha cama e ficava olhando pra mim. Eu apenas olhei pra ele através do espelho. E essa pequena pergunta dele é uma das coisas que me fazia amá-lo de verdade. Ele não fingia que se preocupava comigo, ele realmente se preocupava comigo. Ele não me olha apenas como aquela garota superficial que eu SEI que sou e todo mundo também sabe. Ele me olha além disso, além do superficial. Ele me vê.
“Um pouco” respondi sinceramente. Não tem como não ficar. Eu SEI que tudo vai dá certo, mas ainda assim... Não sei. “Creio que seja só um pouco de nervosismo com uma mistura de ansiedade”.
“Vai dá tudo certo, você sabe disso. Será a festa do ano, não se preocupe” ele falou sorrindo pra mim com aquele sorriso altamente incrível dele.
Quando nós começamos a namorar ele usava um daqueles aparelhos bem horríveis. Eu... Logicamente que eu ligava, mas o que eu podia fazer? Eu gostava dele além da aparência dele. Mas bem, eu como a abelha-rainha da escola, não poderia ter ao meu lado um cara feio. Simplesmente não poderia. Então... Digamos que passamos o verão todo trabalhando em um novo visual pra ele. E felizmente pra mim, estava na hora dele tirar aquela coisa horrível. Então... Todos tomaram um baita susto com a mudança e bem, depois que viram o “novo” Ricardo as meninas pararam de me encher o saco.
E agora... Ele é simplesmente o cara mais, mais da escola! De um nerd arrumado, estiloso e com bom gosto, à popular. O MAIS popular.
Ele também começou a malhar e ele ganhou corpo mais rápido que a maioria dos caras ganham o que foi ótimo. Hoje ele é SUPER hot! É, eu me dei bem. Hoje em dia ele é o Michael depois de ter ido pro Japão. Simplesmente... Mais perfeito do que ele já era!
“Seu primo vai vir?” perguntei me lembrando da promessa que eu tinha feito a Larissa, uma das minhas BFFs. O primo do Ricardo era tão rico quanto ele só que ele é um ator.
“Ele me disse que sim, está louco pra conhecer a Melissa” ele falou rindo. Ok, qual era a graça nisso? As vezes ele conseguia me irritar seriamente.
“É a Larissa que quer conhecê-lo, Ok? E por que o ataque de risada?” falei chateada.
“Sei lá” ele deu de ombros. “Creio que eles dois se darão muito bem” ele disse rindo mais uma vez.
“Você é impossível” falei pirada com ele.
“Hei meu amor, calma. Só to brincando. Relaxa, eles vão se gostar. Tudo vai dar certo e ah... Eu chamei aquele muleque que está bombando na net. Aquele que você me pediu, lembra? Que tem uns vídeos super irados e tudo o mais. Ele vai vir fotografar a sua festa” ele piscou pra mim.
Meu namorado não é mesmo o MÁXIMO? Assim fica até difícil ficar pirada com ele.
“Sério?” falei sorrindo mais feliz.
“Você acha mesmo que eu não conseguiria? Por você eu faço tudo, você sabe” ele falou e veio vindo na minha direção. Então ele parou exatamente atrás de mim e colocou suas mãos no meu ombro e apertou. Eu continuei a olhar pra ele através do espelho até que ele se abaixou e disse em meu ouvido “eu amo você” com a voz mais fofa do mundo. Eu apenas sorri.
Eu queria falar “eu amo você também”, mas eu simplesmente sinto que não posso fazer isso. Sei lá, mesmo ele sendo o meu namorado e eu realmente amando ele, não me sinto bem dizendo essas palavras. Prefiro mostrar que eu o amo de outras formas e creio que ele saiba disso, ele me conhece.
“Viu se meu pai estava lá embaixo?” perguntei mudando de assunto.
“Vi sim. Estava com sua mãe, os dois estavam conversando sobre algum negocio novo. Parece que eles precisam fechar com um outro sócio aí, só que o cara não quer, tá pedindo uma porcentagem maior do que eles querem dar nos lucros, enfim, um desacordo de interesses” ele falou como se não fosse nada demais ou nada importante. Bem, pra mim é, porque eu bem sei que vai acabar sobrando pra mim.
“Seu pai comentou algo?”
“Não Mi, você sabe que ele nunca fala dessas coisas comigo e eu acho bom, não gosto desse mundo, você sabe” ele disse levemente irritado. Esse tema era uma constante de briga no nosso relacionamento. Como se pode odiar o meio em que se vive? Não entendo!
“Você É parte dele, Rick. Você querendo ou não” falei chateada também.
“Não vamos discutir sobre isso de novo. Não hoje e nem agora. Hoje é o SEU dia. Vamos descer... Sua mãe falou pra não demorarmos” então eu peguei minha bolsa, dei mais uma espiadinha no espelho e descemos em rumo a festa mais gloriosa do ano. Em rumo a MINHA festa!
Não sei ao certo o que estou sentindo, mas... É algo estranho, algo que creio que não tenha sentido antes, uma espécie de pressentimento muito forte. Eu sei que esse dia vai mudar a minha vida e a de algumas outras pessoas. Será um dia que com certeza vai marcar. O dia do meu aniversario.


Parte 02

Ok. A festa está realmente sendo um verdadeiro sucesso. Só ocorreu um pequeno probleminha... Penetras. Há quem diga que festa sem penetra não é festa, mas no meu caso eu super discordo. Porra! Minha festa é uma festa elitista e não pra qualquer um. A equipe de seguranças que meu pai contratou não está conseguindo dar conta da quantidade IMENSA de penetras que está tentando entrar. Estou tentando me divertir sem me preocupar muito com eles, mas está ficando difícil. Céus! É muita, muita gente. Todos meninos... Inclusive uns BEM gatos! Mas acontece que... Eu não posso deixar nenhum deles entrar.
“Mi!” o Ricardo apareceu me chamando. Eu estava conversando com as meninas sobre as novas coleções de roupas e tudo o mais, elas são simplesmente... “Venha correndo!” ele falou rápido interrompendo até mesmo os meus pensamentos.
Eu o acompanhei correndo e minhas amigas vieram comigo. Eu podia sentir que o Rick estava realmente tenso, algo que eu não via muito. E se ELE estava assim, é porque era algo sério.
“Miiiiiii... Sua puta! Não é disso que você gosta, hein?” omg, omg, omg! Eu simplesmente paro e congelo na cena que estou vendo. Essa sou eu com o...? Não! Não pode ser, não pode ser! Aquilo foi filmado?! Eu simplesmente fico olhando com cara de idiota pro telão que exibia a cena de dois adolescentes mandando ver violentamente. E hum, aparentemente a garota era eu. Mas felizmente não dava pra ver o rosto dela, só o rosto do cara. E ele era ninguém menos que o meu ex. Lembra daquele cara que eu falei que era lindo de morrer, popular e que todas babavam? Então, o Josh!
“Mi... Aquela é você?” pergunta a Larissa, a Melissa, a Raquel e a Laís juntas.
“Eu não...” não consegui terminar a frase em choque. Não é a toa que o Rick esteja com essa cara.
“Miiiii!” grita a voz que reconheço como a do Josh. Só que não era no vídeo e sim pessoalmente. Oh céus, ele está BEBADO!
“Gostou?” ele diz sorrindo e todo mundo simplesmente para. Eu juro que com tanto silencio eu seria capaz de ouvir alguém respirando isso SE alguém estiver respirando.
“O que você...?” não consegui terminar de novo. Ele apenas me olha e sorri.
“Não se preocupe. Não é você no vídeo sua puta!” ele diz sorrindo e bebendo mais um copo de sei lá o que ele esteja bebendo. “Eu... eu te amo” ele diz me olhando agora nos meus olhos aparentemente sério. Só que dã, não pode ser verdade. Terminamos há mais de 2 anos e não importa que eu tenha tido uma recaída por ele quando briguei com o Ricardo, aquilo não significou nada pra mim, mas certamente significou pra ele. Oh merda, eu só me meto em roubada.
Cadê o Ricardo pra me defender uma hora dessas? Eu olhei pra ele e a cara dele era... vazia. Uma expressão com uma mistura de sentimentos. Raiva, dor, tristeza, eu não sei dizer. Merda, ele acha que eu tenho culpa? O Josh já não disse que não sou eu a garota do vídeo? Então por que essa cara e POR QUE DIABOS ELE NÃO ME DEFENDE? Por que diabos ele não mandou parar esse vídeo?
“Você não me ama Josh, por favor, pare com isso. Isso é ridículo, não faça isso com você” falei impaciente. Eu quero que isso termine logo. O clima está muito tenso. Ninguém está falando nada. Só eu e ele. E isso deve ter umas 300 pessoas nessa festa. E todos adolescentes! E todos calados... Poucas coisas fazem adolescentes calarem a boca todos ao mesmo tempo. Isso NÃO é bom! Não nesse caso.
“Parar com isso? Parar? Isso é algum tipo de piada? Você acha que eu sou algum viadinho pra ficar de braços cruzados vendo a mulher que eu amo sendo comida por outro? Por um nerd perdedor e otario? Para com isso você! O que porra você tá fazendo com ele? Ele NÃO te entende, eu entendo você!” ele falou com os olhos lacrimejando. Isso REALMENTE está acontecendo? Não pode ser, simplesmente não pode.
“Josh... Não fale assim do Ricardo Ok? Ele não é mais um nerd, ele é tão popular quanto eu agora! Ele é o MEU namorado, não tem como ser um pária social, não mais. Ele é o cara mais mais da escola, aceite isso. E não, você não me entende porra nenhuma, você é egocêntrico e nunca vê nada além de você mesmo, nem manter uma conversa direito você consegue. Você é estúpido e não o Ricardo! E eu não sou comida pra ser comida por alguém, certo? Então por favor, cale a boca e vá embora daqui. Eu nem deveria ter te convidado” eu falei esperando por uma resposta imbecil do Josh ou que ele apenas fosse embora, mas esperei errado.
“Você está enganada Mirian” o Ricardo falou sério e fitando o chão. “Eu sinto muito, mas eu sou sim nerd e sou um com muito orgulho. Garotos populares são os esportistas, eu não sou um deles. Eu não ando com as mesmas pessoas que você, só fico nesse mundo porque você é minha namorada, só me visto que nem eles pra deixar minha mãe feliz. A verdade é que eu não suporto 99% das pessoas que estão nessa festa. Meus amigos mesmo nenhum foi convidado e não falei nada porque é a SUA festa e não minha. Você convida quem você quiser, é o seu direito. E quanto ao “pária social” bem, deixa isso pra lá, melhor eu nem falar isso aqui. Só... Não sou essa pessoa que você pensa que eu sou, não sou como nenhum de vocês” o Ricardo falou olhando ainda pro chão. Ele não parecia mais chateado, ele parecia infeliz. Ai meu deus, ele realmente se sente assim? Oh merda!
“Rick... Eu não... Eu não sabia. Por que você não me falou? Eu teria convidado seus amigos se isso te fizesse feliz!” falei de uma forma desesperada.
“Ah é? Convidaria mesmo?” ele falou agora levantando o rosto pra me olhar bem nos olhos com puro sarcasmo. “Convidaria o Leo Camargo, o Victor Santana, o Hugo Almeida e todos aqueles que andam com eles?” ele falou claramente me atacando e eu não pude deixar de me encolher e fazer uma careta a cada nome que ele pronunciava. Não! Eu certamente, com certeza, não queria nenhum desses caras na minha festa, de jeito nenhum! Eles abaixariam o nível total. São feios, esquisitos, altamente nerds e hum, pobres. Ou seja, nada a vê comigo ou com ninguém daqui. Mas... Amigos do Ricardo? Eu sequer imaginava que eles se falavam, mesmo sabendo que o Rick é o presidente do Clube de Computação e sabendo que eles são membros de lá, mas sei lá, o Rick é tão... Diferente deles.
“Não. Eu não convidaria” falei sinceramente. E ele sabe que eu realmente não convidaria.
“Foi o que eu quis dizer” ele deu de ombros e deu uma risada zombeteira.
“Tá vendo Mi? Ele não tem os mesmos amigos que você, olha quem ele chama de amigo! Aqueles abortos da humanidade. Aberrações, é isso o que eles são. O Ricardo só é um deles disfarçado de um de nós. Se veste, se porta e aparenta como um dos nossos, mas ele não é” o Josh falou altamente se metendo na minha DR com o Ricardo.
“Cala a porra dessa boca Josh, ou eu JURO que eu realmente vou cometer um homicídio hoje!” falei furiosa com o Josh e amenizei minha voz quando fui falar com o Ricardo. “Se eu soubesse que esses eram os seus amigos eu...” comecei a falar e fui interrompida pelo próprio Ricardo.
“Nem teria ficado comigo? Não teria namorado? Não teria insistido? Teria concordado com o que eu falei? Não é novidade Mirian, eu só... Te via além disso tudo, de toda essa baboseira de classes do Ensino Médio ou da vida em si...” ele falou ainda triste.
“NÃO CARALHO!” eu gritei surtada. Por que porra ninguém me deixa terminar minhas frases e pensamentos? “Eu teria convidado, mesmo sabendo que isso baixaria o nível da minha festa” falei com dor. “Qualquer coisa pra te deixar feliz, Rick. QUALQUER coisa” falei com desespero, mas minha voz soava muito calma e tranqüila, estável e eu certamente não me sentia assim.
“Não Mirian, acho que você não entendeu. A questão não é convidar ou não, a questão é como você os enxerga e a todos as outras pessoas como eles, como eu. Simplesmente... Não dá, Ok? Não dá. Desculpe, mas eu... Acho que não agüento mais lidar com isso” ele falou e eu pude notar que seus olhos estavam começando a lacrimejar, só que ele não chorou e creio que ninguém mais notou isso além de mim.
“Viu o que eu disse Mi? Esse cara é um perdedor. Não é como nós, deixa ele pra lá e volte pra mim” o Josh falou sorrindo apatetado.
“Josh...” falei entredentes. “Cala. A. Porra. Dessa. Boca. Se eu terminasse com o Rick, eu NÃO voltaria pra você, entendeu isso? Eu posso e IREI conseguir algo melhor. Então... Vai se fuder e me esquece. Que porra! Vou ter que enxotar você daqui?” perguntei e ele não fez sinal de se mexer. Então tá. “Seguranças!” falei estalando os dedos e três caras altos, fortes e NEGROS (ou seja, assustadores) apareceram levando um Josh que lutava e gritava em protesto. Assim que o Josh foi escoltado pra fora eu pude ouvir os murmurinhos começando. Otimo, serei mais uma vez o assunto da semana, senão do MÊS, ao lado do Josh. De novo!
De uma coisa eu tiro proveito... Esse garoto pode ser realmente um pé no saco, mas ele sempre coloca minha popularidade lá em cima. SEMPRE!
“Você está terminando comigo?” perguntei séria olhando pra o Ricardo. Não chora Mirian, não chore! Falei comigo mesma lutando contra lágrimas que queriam porque queriam sair. Eu não iria permitir. Não hoje!
“Estou... Não sei o que estou fazendo e/ou quero fazer, certo? Não quero conversar com você assim, com metade da população da escola tendo a fofoca em primeira mão. É um assunto particular. Você pode fazer da sua vida uma coisa pública, mas eu gosto da minha bem privada. Em off, como eu SOU. Então... Sei lá, a gente conversa depois, Ok?” ele falou passando as duas mãos no cabelo. “Eu preciso... Não sei do que eu preciso” ele falou desnorteado. Tadinho do meu Rick.
“Certo. Depois me procure, me ligue. SE quiser, se não quiser também... Você que estará perdendo” falei com a minha voz usual de bitch. Ele não poderia me humilhar em frente a todo mundo. Ele já me deu fora algumas vezes, mas em off, ninguém viu. E nem irá ver. “Então, por enquanto, solteiros?” falei como se eu realmente quisesse um vale night, ou algo do tipo.
“Você que sabe” ele sorriu triste. “Faça o que quiser. Hoje é o seu aniversario. Desejos concedidos, baby” ele piscou e me deu as costas.
Assim que ele saiu a música começou a tocar ao mesmo tempo. Dj dos bons esse que ele contratou. E bem esperto. Colocou músicas que ninguém resiste de dançar. Todos foram pra pista dançar. Todos estavam murmurando e olhando pra mim.
Tinha todo o tipo de olhar. Alguns claramente me invejavam, outros tinham raiva, outros admiravam profundamente. Os de inveja e raiva eram todos femininos, é claro. Normal. Estou acostumada. Por algum motivo depois que o Rick foi embora eu não consegui ficar triste. Eu não me sentia triste. Eu me senti... Aliviada, livre, leve e solta! Estou SOLTEIRA em pleno aniversario de 16 anos! A minha idade dos sonhos finalmente chegou, ou seja, hora de começar a aproveitar realmente a vida... ;)

ENDRA E PÁTRIR

Apaixonados como esses dois duvido que realmente exista. Nunca ouve casal tão feliz quanto eles. Tudo era perfeito, a sincronia incrível. Nunca brigaram, a não ser quando tinha chegado a hora de decidir o nome de seu filho.
Endra como sempre, venceu a discussão sendo o garoto batizado de “Endrik”. Pátrir acabou se conformando e até gostando muito do nome.
“Não quero criá-lo em Saturno” disse Endra firmemente. Sabia que seu filho era mais de lá do que de Marte, mas não poderia aceitar isso.
“Também não quero que ele seja criado em Marte, Endra. Você sabe disso. Amo você e a ele, muito. Mas continuo não gostando dos marcianos em geral” ele respondeu um pouco exaltado.
“Sei disso Pátrir, mas o que iremos fazer então?” disse desafiando-o. Felizmente ele tinha a resposta.
“Já havia pensado nisso. Sabia que seria um problema para nós. Então foi por isso que decidi e sei que irá concordar comigo, que iremos morar na lua. Que tal?”
“Melhor impossível” ela disse o beijou e abraçou bem forte.
Esse era o começo de um final feliz.


Epílogo:

Endrik Surtik, filho da Grã – Princesa Marciana Endra e do Grão – líder de Saturno, se torna o imperador do universo. Sendo filho das duas maiores potências, não foi difícil conquistar e mandar em outros povos.
Endrik não é qualquer um. Não apenas por quem são seus pais, mas ele também é o primeiro de uma raça mais poderosa. D’Luna.
D’Luna é uma raça muito diferente das outras. Mais forte e mais poderosa. Endrik é apenas o primeiro deles. O primeiro de um grande povo.
Todos do sistema permanecem em paz... Ao menos por enquanto. Por que... os D’Luna estão vindo.

Corno feliz...

Pátrir e Jink retornaram a lua, sim juntos, e ordenaram as tropas que parassem com a guerra. Quando todos os outros planetas souberam do fim da guerra, todo mundo entrou num clima de profundo alívio. A guerra tinha terminado e todos estavam a salvo. Mas tinha uma pergunta que não queria calar “como e por que a guerra acabou?”. Pouquíssimos sabiam a resposta da pergunta.
A resposta dessa pergunta mudaria a vida de Jink para sempre. Sua mulher agora pertencia a outro, seu inimigo.
Quando Endra contou toda a verdade a Jink, ele ficou extremamente surpreso por ela gostar de Pátrir e Pátrir dela e não se surpreendeu quando soube que não era dele que a profecia falava. “Eu devia saber que algo assim era grandioso demais para mim” ele disse conformado.
“Fico feliz que esteja feliz Endra. E como vai o pequeno Endrik?” perguntou sorrindo. Ele realmente estava bem.
“Huh, vai muito bem. Aquele garoto cresce muito mais rápido que os garotos normais” ela disse entusiasmada.
“Bem, o pai dele não é normal não é mesmo? É um saturniano Endra” disse tentando não ofendê-la.
“Sei disso e fico contente por ele ser diferente. Assim o Endrik será mais forte para agüentar as pressões em cima dele, que você mesmo sabe que não serão poucas”.
“Sim. O filho de vocês será um grande homem”
“Como o pai” ela completou provocando. O Jink já a estava irritando.
“Como o pai” ele concordou a contragosto. “E você e o Pátrir... Como vão?”
“Muitíssimo bem sabe. Ele é um cara incrível. Quanto a você... Soube que se casou, verdade?”
“Ainda não” ele sorriu. “Mas irei em breve. Ela é nobre sabe, família boa também” disse feliz.
“Que bom Ji... Você realmente merece” ela o deu um abraço e foi embora.

O brilho da estrela...

Endra estava deitada na imensa cama de Pátrir. Tudo bem que ele era realmente grande né, mas não precisava tanto espaço. Talvez ele fosse muito espaçoso.
“Está doendo?” ele perguntou gentilmente a Endra que respondeu com ironia.
“Não não, imagine. Não quer trocar de lugar não?” ele riu. As saturnianas não sentem nada durante o parto. Mas ele já ouvira falar que as marcianas sentem e muita. Não devia ser algo fácil dar a vida a alguém. No entanto esta mulher estava dando a luz, morrendo de dor e ainda tinha espírito para ironias. Com certeza ela era diferente.
“Acho que não, obrigado” ele respondeu sorrindo. O sorriso dele era o sorriso mais encantador que ela tinha visto. Parecia que existia uma espécie de aura mágica. Prendeu a atenção dela. Muito.
Toda a atenção de Endra foi voltada para Pátrir e pensamentos com ele. Ela soltou um gemido baixo ao sentir aquela pele quente e macia tocando na sua. Sorte que foi tão baixo que nem Pátrir e nem o Jink ouviu.
Depois de lembrar-se do Jink e o fato que era casada, ela voltou a se lembrar que estava tendo um filho. Será que seria menino ou menina? Ela estava ansiosa pra saber e esperava por um menino. Nunca sonhou em ter filhos, mas se tivesse que fosse um garoto.
O parto foi extremamente difícil, mas foi muito rápido. Logo, logo a criança estava em seus braços. Seu desejo foi realizado! Era um garoto! Um lindo garotinho por sinal. Mas quando ela olhou pros olhos da criança teve uma surpresa.
A criança tinha os olhos exatamente iguais aos de Pátrir. Exatamente iguais. Vermelhos sangue. Só o olhar de seu pequeno que era diferente. Isso quer dizer o que? Endra ficou completamente abalada por isso.
“Um menino meu amor! Um menino, como dizia a profecia...” disse Jink emocionado quando pensou que viu seu filho pela primeira vez.
“Não!” gritou Endra assustada.
“Não o que?” Jink estava preocupado. Endra parecia com medo e chocada e não feliz como deveria estar.
“Querida, não se preocupe. É um lindo menino, é saudável olhe... e se parece com...” Jink não terminou. Aquele menino não se parecia com ele, se é que bebês podem se parecer com alguém. Parecia com...
Pátrir sentiu a atmosfera mudando. O garoto era muito parecido com ele. Sorriu satisfeito com isso. Era um menino! Mas não havia tempo para se comover com o nascimento de seu filho. Era necessário fazer coisas. O sistema poderia se acabar se ele não fizesse.
Pátrir pegou seu filho em seus braços, tirou a adaga e cortou seu filho no braço. O bebê começou a chorar muito e parecia um choro de dor. Isso doeu nele.
Jink olhou para Pátrir com verdadeiro ódio em seus olhos. “Como ousa machucar meu filho em minha frente?” urrou para Pátrir. Este o ignora e leva o bebê até a cápsula que pára a contagem imediatamente quando o sangue da criança foi derramado.
“Seu...” Jink começa a falar, mas não termina, pois quando ia atacar Pátrir o clima de Saturno começa a atingi-lo. Frio, muito frio. Só agora Jink percebeu que não sentia muitas partes do seu corpo. Ele estava petrificado, praticamente.
“Pátrir!” Endra grita. “Como se atreve...?” ela ainda estava abalada pelo parto. Suas palavras saíram fracas, sua voz estava fraca.
“Perdoe-me princesa. Isso era necessário. Sabe como se abre uma cápsula como aquela? Com sangue mestiço!” Pátrir tentou explicar.
“Mas por que meu filho? Ele não é mestiço!” respondeu indignada, porém ainda estava fraca.
“Bom princesa... Tem certeza de que seu filho... Não é?” ele não conseguiu dizer. Como ela não podia lembrar da noite em que eles passaram juntos? Como?
Ele apenas olhou para ela e se deitou ao lado dela, juntamente com o bebê em seus braços como havia feito na primeira vez. Como se tivesse sido atingida por um raio Endra lembrou de toda a historia.
Ficou chocada. Pátrir! Era ele! Ele era o verdadeiro pai de seu filho e não Jink! “Ai. Meu deus.” Pensou ela. “O que eu fiz? Como pude?” choramingou.
“Você não traiu seu marido Endra. Isso tudo aconteceu antes de você se casar. Acho que estava tão machucada que não tinha consciência do que estava fazendo” disse melancolicamente. Era realmente uma pena que não tenha sido consciente. Ela amava esse Jink. Estava na cara, era o marido dela. Eles eram da mesma raça, o certo a se fazer. O que ele deveria fazer.
“Não estou chocada com isso. Mas... a profecia” ela conseguiu dizer. Isso significava que a profecia estava certa ou que estava errada?
“Endra! Fuja querida! Fuja desse maluco! Nosso filho... Ele quer nos matar Endra! Fuja... Tentarei distraí-lo apenas saia daqui” Jink, que já estava imobilizado e esquecido por Pátrir e Endra, gritou.
Endra riu. Riu de verdade. Isso era algum tipo de brincadeira?
Enquanto vagava por seus pensamentos, uma serviçal de Pátrir chega por trás e dá um golpe na cabeça de Jink que cai desmaiado no chão.
“Endra...” Pátrir recomeçou. Agora ele tinha que ir até o fim. “Sabe quem sou?” ele perguntou preocupado.
“Pátrir Surtik. Apenas sei seu nome. Me desculpe. Ele não me é estranho. Já ouvi em algum lugar, mas não lembro onde” ela respondeu meio envergonhada. Tinha se deitado com o cara e mal sabia quem era ele? Uma vergonha! Ah se seus pais soubessem disso...
“Bem Endra. Você está certa, esse é o meu nome e claramente você tem que saber quem sou Endra. Sou o líder de meu planeta. Sou o líder de Saturno” ele confessou. Como será que ela iria reagir? Sua cabeça trabalhava a mil preocupado com a opinião dela.
“VOCÊ É QUEM?” ela gritou.
“Sou o líder de Saturno. Pátrir Surtik” ele respondeu ainda com medo.
“Eu... Você?” ela gaguejou. Não conseguia encontrar as palavras. Mas o que ela iria dizer? Não havia muita coisa a se dizer.
“Sim, Grã – Princesa” ele disse sorrindo, estava um pouco mais calmo. “Você é mãe do filho do líder de Saturno” ele riu. Ela não pode deixar de sorrir. Como não contribuir aquele lindo sorriso dele?
“Uau” foi tudo o que ela conseguiu dizer.
“Eu sei, eu sei. Nosso filho... Se parece muito comigo, não acha?” ele disse aninhando o bebê em seus braços. O bebê sorriu. Havia parado de chorar a muito tempo. Já não podia se dizer a mesma coisa da mãe que chorava. Um choro silencioso, só podia ver as lágrimas rolando.
“Jink...” ela disse. Pátrir compreendeu. Ela amava Jink e tinha o traído. Um filho com o inimigo. Se fosse com ele, ele não iria gostar. Coitado do pobre Jink.
“Eu sei. Mas eu não sabia quem você era antes de dormir com você” ele disse. Tentava se desculpar por algo que não tinha culpa.
“Não é isso” ela disse fungando. “É só que... Como ele vai ficar quando souber que o filho não é dele? Quando eu falar que não posso ficar com ele?”
Pátrir nem ouviu toda a frase. Somente uma ficava repetindo em sua mente “eu não posso ficar com ele”. Ele abriu um enorme sorriso. Não pode se controlar.
“Por que não? Ele é seu marido. Tenho certeza de que ele irá te perdoar” disse.
“Perdoar ele vai. Jink é sempre muito compreensivo. Mas... Não posso amá-lo Pátrir. Não posso. Creio que...” ela não podia terminar. Ela sentia que amava Pátrir, mas era uma tola. Tudo bem que ela dormiu com ele e teve um filho com ele. Mas só por isso não significava que eles tinham que ficar juntos ou que ele gostava dela.
“Não sei como irei viver sabendo que a mulher que amo e meu filho estão morando com outro” Pátrir disse. Endra mal podia acreditar em seus ouvidos. Estaria ela delirando? Podia ser, ela tinha acabado de dar à luz. Pátrir não poderia amá-la. Não é? Ou será que poderia?
“Sei que não deveria princesa. Não costuma acontecer isso com nós, saturnianos. Se apaixonar como vocês fazem. Mas aconteceu comigo, antes eu não percebi. Mas agora eu sei, como não sei, só sei que sei. Te amo. E amo nosso filho”.
Endra não soube o que fazer. Nem o que pensar. Tudo o que sabia era que o amor de Pátrir era correspondido. Ela também o amava e tinha um filho com ele. Porém era casada com Jink e toda sua família gostava dele. Gostariam de um saturniano? Certamente que não.
“Isso pouco importa agora” ela pensou. Tudo o que ela conseguiu pensar foi em beijar aqueles lábios novamente. E foi o que fez.
Quando voltou a olhar ao redor, se lembrou de Jink estava caído ao chão e tinha uma mulher muito excêntrica do lado dele. Ela emitia uma espécie de luz dourada, bizarro.
“A profecia foi comprida. A estrela está brilhando. Endrik irá reinar sobre todos aqueles que tiverem juízo” disse isso sorrindo e desapareceu do nada.
“Endra... Ou prefere que te chame de princesa?” Pátrir disse sorrindo. “A guerra continua na lua. Não acha melhor pararmos?”
“Com toda certeza” ela sorriu e o beijou novamente.

O fim?

Não tinha como arranjar sangue de um mestiço a tempo de abrir a cápsula. Totalmente sem chances. Agora uma decisão precisava ser tomada... Avisar ou não avisar a todos que chegara o fim? Pátrir optou por avisar a todos. “É mais justo eles saberem que vão morrer” ele pensou.
Mandou chamar todos os jornais locais mais perto e o mais rápido possível para tentar avisar a todo mundo.
“Surtik...” uma voz masculina o chamou tirando de seus pensamentos. Não era uma voz conhecida. Quem ousaria entrar com essa voz de comando com ele?
“Pátrir, ande logo!” uma voz feminina ecoou no salão logo após. Essa voz era conhecida. Como ele poderia esquecer? Jamais. Essa voz era tão harmoniosa quanto uma orquestra sinfônica.
Pátrir então se virou e viu que estava Jink ao lado de Endra. Mas ela não estava normal. Ela parecia péssima e Jink estava ao seu lado a aparando.
“Não me olhe assim!” disse Endra indignada. Ela realmente não havia gostado. Sabia que devia estar com uma aparência péssima. Mas fazer o que? Estava em trabalho de parto!
“Surtik... O bebê vai nascer. Precisamos levá-la para um hospital o mais rápido possível!”. Isso fez Pátrir rir. Hospital? Só podia ser marciano mesmo. Nenhum saturniano vai a hospital. Nenhum deles precisam. Se recuperam com incrível rapidez e todos sabem o necessário de primeiro socorros.
“Não temos hospitais aqui” disse calmamente ainda curtindo sua piada particular.
“NÃO TEM? COMO ASSIM NÃO TEM? SÃO LOUCOS?” agora Jink tinha surtado. Seu filho ia morrer por falta de atendimento médico? Não podia ser. Não podia. Isso não estava acontecendo. Essa criança tinha que nascer. Com certeza seria a criança da profecia.
“Acalme-se. Não, não temos hospitais” disse de novo. “Leve sua mulher para minha cama. Eu irei fazer o parto” ele completou. Fez questão de dá ênfase a palavras como “sua mulher” e “eu”.
“Você?” Endra não pode evitar desdenhar. Um guerreiro fazendo um parto? Isso não era possível. Ainda mais um tão incrivelmente sexy. Isso era desconcertante. Quer dizer, seria se ela já não fosse comprometida. Não importava se o cara era bonito ou não. Ela tinha um marido. E o amava.
“Sim” Pátrir respondeu imediatamente. O desdém o tinha ofendido. “Irei sim. Mande seu marido levá-la pra minha cama. Já irei logo em seguida” respondeu e se retirou.
“Ele?” ela disse quando Pátrir saiu.
“Temos escolha?” Jink respondeu preocupado e fez o que Pátrir mandou.

Maluco... CofCof

Nenhum saturniano acreditou em Pátrir quando ele lhes contou sobre a bomba. Disseram que seu líder estava completamente louco e que isso se comprovava só de olhar e ver que ele estava defendendo os marcianos contra seu povo.
“Pelo amor dos deuses Pátrir. Logo você sendo enganado por eles? Não creio. Não existe essa bomba, eles não teriam essa capacidade e loucura para fazer isso” disse um dos guerreiros.
Pátrir então não tinha escolha a não ser agir sozinho. Teria que agir sozinho, para variar. Aquela jovem havia lhe dito que a bomba seria uma cápsula transparente e estaria brilhando. Não foi difícil localizar, pois a jovem havia lhe dito também a localização exata de onde a cápsula tinha sido deixada. Na casa do líder dos Saturnianos.
Não é de se admirar que Pátrir tenha achado meio cômico, apesar da situação não ser nada cômica. Mas realmente que lugar melhor do que a casa do líder de um povo para jogar uma bomba? É uma garantia de que ao menos sem um líder eles ficariam.
Ao achar a cápsula Pátrir tinha agora o problema de como abrir. Ele sabia como abrir. Esse tipo de cápsula só poderia ser aberta com sangue. Infelizmente não sangue comum e sim uma espécie de sangue misturado. Era só arranjar algum mestiço, fácil.
Não, não era fácil arranjar um mestiço saturniano. Há muito tempo eles não se misturavam. E agora? O que fazer?
Não tinha muito tempo para pensar e muito menos para agir. Tic tac, tic tac, o tempo estava passando.

A bomba...

Pátrir continuava a lutar sem parar contra todos que tentavam chegar perto de Endra, seu filho ou Jink. Era uma cena certamente muito incomum de se ver. Um saturniano protegendo alguém que não um saturniano.
Isso mexeu muito com Endra. Quem era aquele homem que tinha duelado com ela, a ferido e depois protegido a vida de sua família e a própria tantas vezes? Alguma coisa ela queria, e teria, que fazer para agradecer a este rapaz.
Foi então que ela lembrou. Havia algo que ela poderia fazer. Algo muito importante inclusive. Eles, os marcianos, haviam feito uma bomba de anti-matéria e iriam lançar em Saturno enquanto a guerra estivesse rolando aqui. Endra não saberia se havia como o tal jovem impedir, tudo dependia do poder de influencia dele em Saturno. Ela nem sonhava que este jovem que havia a salvado era o líder deles.
Quando o jovem Pátrir conseguiu passar um tempo sem ninguém o atacando, Endra o chamou e contou tudo sobre a bomba que eles iriam lançar em Saturno. A princesa ficou totalmente surpresa quando o jovem a sua frente entrou em verdadeiro pânico. Mais guerreiros vieram atacá-los e então o jovem voltou à luta. Ele lutava com muito mais garra e sede por sangue, aparentemente, que antes. Ele estava desesperado com o que Endra tinha falado. Isso era algo nítido. “Mas pra que tanto desespero? Tudo bem... Vai matar um monte de gente do povo dele, mas grande parte está aqui na luta” ela pensou.
Quando Pátrir terminou de lutar contra alguns, ele disse a Endra que precisa voltar a Saturno o mais rápido possível. Ele então explicou que se essa bomba fosse lançada não só acabaria com Saturno, mas como todo o sistema também então Endra entende o desespero dele e também entra em desespero. Ela manda Pátrir sair da guerra o mais rápido possível e volta assumir a espada. Jink muito a contragosto volta a lutar também ao lado de sua mulher.