Parte 01
Oh a merda... Cara, eu não faço a mínima ideia do porque eu estou fazendo isso. Quer dizer, eu sei que prometi a Vanessa que eu a ajudaria, mas eu não deveria ter feito isso. Eu totalmente não deveria.
A Vanessa é a minha melhor amiga desde que eu tinha sete anos de idade. Nós moramos no mesmo prédio, estudamos na mesma escola, na mesma série, na mesma sala e já namoramos dois garotos melhores amigos.
Acontece que, agora nós duas temos 23 anos de idade, mas mesmo assim ela ainda carrega alguns traços de adolescente. E um desses traços consiste em ainda manter a paixão dela por um cara da família real de algum país europeu. Ela nunca viu o cara pessoalmente, ou em qualquer lugar na verdade, ela só... Ouviu o nome dele e por causa disso saiu dizendo por aí que ele é o amor da vida dela. Sim, ela é louca.
E eu mais ainda por não ter conseguido dizer “não” quando ela me pediu ajuda com o plano maluco dela de vir até a Europa, que é onde estamos agora, na Inglaterra mais precisamente, porque ela ouviu que ele estaria aqui.
E o motivo de nunca termos visto a tal cara do cara, é porque ele simplesmente, segundo as histórias, foi criado num vilarejo pequeno aprendendo coisas básicas pra poder governar e o poder não subir a cabeça, algo assim, algo totalmente rei Arthur. Então assim, agora que pai dele morreu, ele terá que assumir o trono ou algo assim, e finalmente a Vanessa poderá encontrá-lo.
Nesse exato momento ela está olhando sua aparência que está impecável no espelho e tagarelando sobre o quão incrível será. Que ela irá olhar nos olhos dele e ele simplesmente perceberá que ela é a mulher certa pra ele, que ela é quem deve ser a futura rainha, mesmo que ela trabalhe e seja uma mulher independente do século XXI.
“Oh meu deus. É ele! É ele! Ele finalmente está chegando” ela disse me entregando o espelho e indo em direção aos jornalistas e paparazzi que estavam indo em direção a um cara vestindo jeans e uma camisa, que claramente eram de marca. Do lado dele tinha mais um cara vestido parecido e ambos estavam de óculos escuro.
Eu não consegui evitar de pensar em como tipo, seria estar no lugar dele. Acordar em uma bela manhã e descobrir que o pai morreu e que ele terá que governar o país, que muita gente interesseira se aproximará dele, que ele TERÁ que escolher uma mulher pra casar e sabe-se deus mais o que príncipes tem que fazer.
“Ótimo” eu falei resmungando, mas ela nem percebeu. Estava ocupada demais tentando ter um vislumbre da paixão dela. Ela é louca, fala sério. Nunca nem viu o cara.
Ao mesmo instante que o tal príncipe estava chegando, tinha um grupo de caras chegando também ao lado dele. Um deles usava uma roupa que meio que parecia uma espécie de uniforme, um uniforme de motorista e ele carregava duas malas também. Olhei ao redor e todos estavam concentrados no tal príncipe e ninguém reparou no bonitinho aparentemente o motorista de alguém. Seria o motorista do príncipe? Poderia ser possível e nossa, o motorista é gato.
E bem, ele parecia estar tendo realmente problemas com as malas que ele estava carregando que depois de um tempo eu fui perceber que eram três. Uow coitado. Eu, logicamente, fui me oferecer pra ajudá-lo, quem sabe assim eu não conseguia algo pra ajudar a Nessa?
“Oi, com licença, posso ajudá-lo?” perguntei indicando minha cabeça pras malas. Ele me olhou surpreso e sorriu. Belo sorriso senhor motorista.
“Não precisa, muito obrigado” ele falou num inglês com um sotaque bem diferente. Sexy.
“Lógico que precisa. Deixe-me ajudá-lo” falei pegando a mala que estava nas costas dele e eu pude sentir ele respirando aliviado.
“Muito obrigado” ele sorriu de novo e eu retribui.
“Então... Qual é a dessa roupa?” perguntei enquanto caminhávamos pra longe de onde o príncipe estava.
“De motorista” ele pareceu bastante incomodado antes de responder.
“Fica bem em você” eu sorri em flerte. Então ele era mesmo motorista e pelo visto deveria ser do tal príncipe. Minha chance real de ajudar a maluca da Vanessa.
“Dele?” perguntei olhando para o príncipe que estava tirando uma foto com uma garotinha em seu colo.
“Eu...” ele começou e ficou vermelho. Eu ri.
“Sigiloso, já entendi” minha oportunidade mesmo! A Vanessa iria me agradecer muito por essa minha sacada genial.
Nós chegamos até uma limusine preta e então ele pegou as malas e as ajeitou nos lugares corretos. Disse que o príncipe estaria chegando a qualquer momento e que ele deveria estar dentro do carro a postos.
“Claro, mas antes... Por que você não me dá o seu número e a gente marca de se encontrar algum dia? Eu... Sei lá, eu gostei de você” eu sorri pra ele e estendi um bloquinho de anotações e uma caneta.
“Ótima ideia. Eu... Também gostei de você” ele sorriu e piscou um daqueles incríveis olhos azuis dele. Quando ele foi escrever o número no bloquinho seu chapéu caiu e então deu pra ver o quão macio e sedoso o cabelo preto dele aparentava. Foi difícil resistir de estender a mão e tocá-lo.
Eu gentilmente abaixei pra pegar rápido o chapéu dele e ele também se abaixou e nossas mãos se tocaram e fomos subindo bem lentamente exatamente como acontece nesses filmes que a Vanessa assiste.
Agora eu entendo porque ela fica toda afoita. É uma sensação legal e poder ver o brilho dos olhos deles e me sentir quente só de imaginar ele tocando mais que apenas a minha mão é muito legal. Só que, eu não sou esse tipo de garota. Não acredito em contos de fadas que nem a Vanessa, não mesmo.
“Ah... Já ia me esquecendo” ele se virou logo depois que tinha ido.
“O que?” será que ele ia me beijar agora? Haha, brincadeira.
“Seu nome. Qual é?”
“Sofia. O seu?”
“Edward” ele arqueou uma das sobrancelhas e foi algo totalmente sexy.
“Que nem o cara do crepúsculo?” perguntei e comecei a ri histericamente. Merda de influencia da Vanessa. Passei meses escutando ela suspirando por esse cara, o tal do Edward Cullen, fala sério.
“Quase. Não sou um vampiro e se fosse, eu não seria vegetariano” ele sorriu de volta. Uau, ele tem senso de humor e não me julgou pela minha total infantilidade. Ele devia ser mesmo um cara legal. E a voz que ele tem é simplesmente muito, muito sexy.
“Creio que não mesmo e se fosse, eu faria você mudar de ideia” eu pisquei e virei as costas. Não iria estragar esse momento dizendo “tchaus” e coisas do tipo. Era bom deixar o mistério e o tom de flerte no ar.
Quando eu vi o príncipe estava entrando na limusine e o Edward provavelmente estava na frente dirigindo, não que eu tenha visto agora ele estava com óculos escuro e chapéu, nem dava pra vê-lo direito.
“Ai meu deus, finalmente achei você! Onde você estava?” a Vanessa disse praticamente gritando no meu ouvido.
“Tentando descolar um encontro” suspirei rolando os olhos. As vezes ela realmente enchia o saco.
“SÉRIO? Eu querendo conhecer o amor da minha vida, lutando por isso e você quer mais um macho pra sua coleção? Não basta os que você deixou no Brasil, você ainda quer um inglês? Uau! Eu esperava um pouco mais de consideração” sua voz agora era de uma menininha indefesa.
“Pare com o drama, nem comece. O encontro vai beneficiar você. Eu vou sair com o motorista do príncipe” assim que eu falei essa palavra ela começou a gritar e a pular e a me sacudir em pleno aeroporto dizendo o quanto eu era incrível. “Eu sei, eu sei. Eu sou a melhor amiga do mundo e sou mesmo, é bom que você esteja ciente disso. Agora nós iremos fazer compras porque eu acho que sairei com ele amanhã” eu sorri misteriosamente.
“Já? Nossa, você é mesmo rápida! E sim, deixa eu contar. Ele olhou pra mim! Ele olhou pra mim! Ele olhou bem no fundo dos meus olhos com aqueles olhos verdes dele e sorriu pra mim! Eu não disse? Eu sei que ele não vai parar de pensar em mim a noite toda e depois irá me procurar!” ela suspirou bem fundo. Eu ri. Engraçado é saber que ela REALMENTE acredita nisso.
“Ele é bonito ao menos?”
“O cara mais lindo que eu já vi” ela suspirou de novo.
“Certo, certo. Vamos indo” eu balancei a cabeça sorrindo enquanto ela me abraçava bem forte e saíamos de mãos dadas.
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
domingo, 19 de setembro de 2010
Desejos Secretos
Toda garota má, com certeza, já foi uma boa garota algum dia. Eu não sou diferente de nenhuma delas. Todas nós mudamos por algum bom motivo. Ninguém deixa de ser inocente e se transforma do nada. No meu caso, bem, eu mudei por causa de coisas que certa pessoa me fez passar.
Quando nos apaixonamos pela primeira vez achamos que o cara será o nosso príncipe, escrevemos o nome dele em nossos cadernos, escrevemos o nosso nome com o sobrenome dele, escrevemos o nosso nome com o nome dele dentro de um coração, nós sonhamos com o primeiro beijo, sonhamos com ele fazendo alguma coisa hiper fofa e todo tipo de coisa romântica.
É, o primeiro amor é realmente uma coisa bonita e boa de se viver. Mas, ha, nem todas as garotas possuem a sorte de encontrarem um primeiro amor fofo o bastante pra satisfazerem seus sonhos mais românticos.
A maioria das garotas continua a sonhar mesmo depois da primeira decepção. É uma coisa boa, sabe? Não desistir de sonhar, não desisti de se obter aquilo que realmente irá te fazer feliz.
Infelizmente, como a maioria irá perceber, senão já percebeu, as coisas não funcionam normalmente desse jeito. Antes de você conhecer O CARA, pode crer que você irá passar por muito sofrimento nas mãos de caras que não te valorizam e coisas desse tipo. É normal, anormal é se você encontrar caras que logo de cara te tratem bem e que vocês se apaixonem. Aí você é realmente uma sortuda.
Eu não tive essa sorte. Eu totalmente não tive essa sorte. E como toda garota que não teve essa sorte eu me revoltei depois. Eu decidi chutar o balde e mandar tudo pra... Err, vocês entenderam e viver minha vida. Decidi que eu não seria mais de homem nenhum, que eu seria de todos, todos seriam meus.
A partir daquele momento eu não iria me apaixonar por ninguém. Eu não iria me comprometer com ninguém. Eu iria fazê-los se apaixonarem por mim e provarem do próprio veneno que destilaram em outras garotas. Eu decidi ser uma garota apaixonante, uma amante que nenhum deles colocaria defeitos.
Se deu certo? É, deu super certo.
Eu perdi meu bv com o cara que eu passei 3 anos inteirinhos gostando. Ele sabia muito bem que eu gostava dele e tudo o que ele fazia era me esnobar, me desprezar. Então eu decidi mudar e virar amiguinha dele e isso eu consegui. Virando amiguinha dele eu consegui o que eu passei tanto tempo desejando: que ele gostasse de mim! Na época foi um verdadeiro sonho realizado. Lembro como se fosse hoje.
Eu e ele sentados na escadaria do portão do colégio esperando a mãe dele vir buscá-lo e aí ele disse que queria me contar uma coisa. Disse que gostava de mim e que não agüentava mais me ter só como amiga. Eu lembro que meu coração batia tão rápido que parecia que eu iria vomitá-lo. Minhas mãos estavam geladas e eu suava muito frio. É, bons tempos...
Então eu logicamente disse que eu também gostava dele e ele me beijou. Foi um dia realmente perfeito e acho que demorou umas duas semanas até ele me pedir em namoro. Ele não foi um bom namorado, mas eu gostava realmente dele, ele me fazia feliz. Na época era o que me importava. Enfim, depois uma garota super bonita chegou na escola e virou minha melhor amiga, ele começou a dar em cima dessa garota que me contou e inclusive me mostrou as mensagens de texto que ele mandava pra ela. E ela me disse que também gostava dele.
Agora vocês entendem por que eu sou assim certo? É, eu tenho meus motivos. Não me julguem. Muita gente me julga antes de me conhecer e eu estou cansada disso. Vivem falando da minha vida. Porra! Um bando de gente sem tem o que fazer que não faz a mínima ideia de quem sou e o que eu passo ou passei.
Mas né, eu lido com tudo isso o melhor que eu posso. Acontece que, agora eu não sou mais aquela garota que sonha com o cara perfeito, eu nem sequer acredito que esse cara exista mais. Se eu achar um homem que seja cavalheiro e respeite uma mulher eu acho uma raridade. Por que? Ué, você não vê mais caras assim. Simplesmente não vê. Nossa geração é uma total vergonha, mas Ok...
Então eu decidi isso. Depois dele me trocar pela minha melhor amiga que nem chegaram a ficar uma segunda vez depois de um beijo, bem feito pra ele, eu passei a SEMPRE olhar pros lados. E eu percebi que existem muitos garotos interessantes por aí. Cada um a sua maneira.
Uns gostam exatamente das mesmas coisas que você, outros te entendem, outros te protegem e te fazem sentir bem, outros gostam de você pelo o que é, outros te desejam, enfim, são muitas as opções. Conforme a minha necessidade eu procurava certo tipo de garoto pra satisfazer minha necessidade momentânea.
Minhas amigas reclamam comigo por eu não saber escolher somente um deles pra eu ficar, mas eu simplesmente não consigo mais. Não tem nenhum que consiga me satisfazer completamente. Eu preciso deles de maneiras diferentes. Todos eles pra mim são únicos a sua maneira, são especiais a sua maneira.
Depois do Henrique, o meu ex-namorado fdp, nunca mais consegui olhá-los daquela maneira que você realmente acredita e CONFIA no cara. Eu acho que fiquei um pouquinho traumatizada, mas e daí? O importante é que agora eu não sofro mais por um imbecil que nem sequer me dá o valor e a atenção que eu realmente mereço. Que eu SEI que mereço.
Eu obviamente já achei caras que me davam uma atenção admirável e tudo o que eu queria naquela época com o Henrique, mas... Não sei, não é mais a mesma coisa.
Eu já fiz uns aí se apaixonarem por mim, declararam seu amor, me mandaram rosas, me encheram o saco, mas eu nem... E nem me sinto culpada. Por que eu deveria sentir? Todos eles merecem! E eu não estou sendo insensível. Todo cara com o qual eu me envolvo é canalha e não presta. E eu sei que eles só se apaixonaram por mim, ou assim eles disseram, porque era interessante conquistar uma garota que estava disposta a não se apaixonar por ninguém, uma garota que não iria esperar nada deles, que não iria exigir nada e eles estavam bem certos.
Assim sendo, a garota boazinha, inocente e sonhadora virou uma garota má. E bem, a garota má passou a ser a namorada perfeita de todos os canalhas da face de Terra.
A garota má sempre está nas festas vestindo uma roupa deslumbrante e sexy, flertando com o cara mais gato da festa que fica até com medo ou receio de chegar nela. Garotinhos se assustam e ficam intimidados quando vêem uma MULHER diante deles. E garotas más, elas não são garotas e sim MULHERES. Talvez garotas em termos de experiência, idade e corpo. Mas mulheres em atitude, em desejos, em pensamentos.
E atualmente é assim que eu sou. Ou é assim que eu me sinto. As vezes eu paro pra pensar na minha vida e gostaria de voltar naquele tempo em que eu acreditava no amor, no verdadeiro amor e no príncipe encantado que apareceria. Um garoto que seria tudo o que eu sempre quis.
Felizmente esses meus desejos só aparecem de vez em quando e quando eu estou nesses dias, eu me afasto de TODOS os garotos com os quais mantenho um relacionamento amoroso. Justamente pra eu não querer e não esperar nada deles ou ficar viajando transformando tudo o que eles falam em algo “ohh que fofo”!
“Olha quem tá vindo...” a Rebeca, uma garota com a qual eu ando, falou sorrindo. Eu nem precisava me virar pra eu saber quem é.
“Hum, então vamos sair daqui. Eu realmente não quero encontrá-lo hoje” falei puxando ela pelo braço, mas ela simplesmente parecia que tinha chumbo nos pés.
“Não senhora. Nós iremos ficar!” ela disse me puxando de volta. Droga! Eu não teria como fugir dali sem ela sem parecer que eu estava fugindo DELE.
“Oi Rebeca” ele disse pra ela enquanto eu ainda estava de costas pra ele amaldiçoando a Rebeca até não poder mais. Ela iria me pagar, mais tarde.
“Oi Rê” ele falou comigo e eu não tive como evitar mais.
“Oi Henrique” falei a contragosto. Eu não gostava muito de ficar de conversinha com ele, mesmo que ele gostasse de ficar de conversinha comigo, porque afinal de contas, nós ainda éramos amigos. Só que assim, pra mim, eu não me importava de só ficar de conversinha com ele pelo MSN, mas SÓ por lá onde eu não tinha que ficar olhando pra cara dele.
“Atrapalho alguma coisa?” ele perguntou sorrindo. Por que ele tinha que ter vindo até aqui conversar com a gente? Droga! E por que logo HOJE? Como é que ele consegue escolher o pior dia, ou seja, um dia onde estou vulnerável, pra falar comigo?
“Sempre” respondi emburrada e a Rebeca me deu um beliscão.
“Ela tá só brincando” e riu como quem diz “cala a boca”. “Não estávamos conversando nada demais” o que não era exatamente mentira. Na verdade nós estávamos falando justamente dele e o quão gostoso ele ficou do ano passado pra cá, mas isso não era algo que eu gostava de ficar reparando. Sabe como é, quando é ex e a pessoa fica melhor, isso dá... Não sei, é difícil e complicado.
“Vocês vão pro cinema mais tarde? Me disseram que o último Harry Potter vai estrear hoje. Tão a fim?”
“Não vou poder, estarei estudando. Tenho prova amanhã” falei sorrindo como quem sente muito. Na verdade eu não me esforcei nem um pouco na minha atuação então devo ter soado BEM falsa.
“A prova de amanhã foi transferida, Rê” a Rebeca me olhou como quem diz “te peguei” e eu a olhei da mesma forma.
“Não é da escola não, eu tenho prova do inglês” eu sorri afetadamente pra ela.
“Ah, é uma pena” ele disse me olhando como quem quer dizer mais. Certo, agora vocês percebem o porquê eu não curto ficar perto de garotos nesses dias né?
“Pois é” eu nem me esforcei pra fingir que eu nem estava ligando. “Tenho que ir procurar... alguém. Fui” eu falei saindo dali deixando a Rebeca com ele. Se ela queria tanto conversar com ele né, quem sou eu pra impedir não é mesmo? Eu sei que EU não poderia ficar perto dele. Não quero ter recaídas.
Assim que me afastei deles o meu celular tocou e eu vi que quem estava me ligando era o Caíque, um pretendente meu. Eu resolvi atender. Ele me disse que queria me ver e que estava com saudades de mim e eu também estava com saudades dele, mas... Hoje totalmente não era um bom dia pra eu ficar com ele. Eu dei a mesma desculpa que eu dei pro Henrique e desliguei.
Eu pra dizer a verdade não estava a fim de ficar com ninguém. Eu só queria ficar a sós com os meus pensamentos. Sem amigas ou caras me enchendo o saco, sabe? Eu precisava realmente pensar.
Quer dizer, ser solteira e ser comprometida ambas tem lados bons e ruins. Eu gosto de ser livre e ter minha liberdade de ir pra rua, sair sem ter que dar satisfação a ninguém além dos meus pais, de poder olhar pros lados mesmo sem sentir culpa, de poder flertar e dar mole para caras bonitos, mas eu também sinto falta de ter alguém pra me dizer no meu ouvido um “eu te amo” e dizer que tudo vai ficar bem quando não estiver tudo Ok. É bom gostar de alguém e alguém gostar de você. Eu sinto falta disso, eu realmente sinto. Algumas vezes eu canso dessa vida, de curtição e pegação. Sei lá, é bom durante um tempo, depois você cansa. Claro que, é só aparecer um cara realmente gato que eu mudo de ideia, mas enquanto eu estou sem, eu canso. Hahahahahaha!
Eu também como sou traumatizada, acho que levaria muito tempo até eu conseguir ceder, a conseguir me envolver realmente com algum garoto. Ele teria que ter muita paciência comigo, porque se for apressar as coisas ou tentar impor, nem rola, eu fujo na MESMA hora. Fala sério! Teve um mesmo, que na segunda vez que a gente ficou ele já queria me apresentar pra FAMÍLIA dele! Deus livre! Não mesmo que eu iria querer algo com ele... Psicopata!
Pra eu me envolver desse jeito de novo teria que ser algum cara que fosse meu amigo, que conversasse comigo sobre qualquer coisa, que gostasse de ao menos algumas coisas parecidas comigo e tudo o mais. Mas não... Eu não encontrei até hoje com esse cara a não ser o fdp do meu ex. É, VDM!
Nós tínhamos no ultimo horário, horário vago porque era teste e prova e tipo, não teríamos prova, então eu fui embora mais cedo.
Como eu totalmente não estava a fim de ir pra casa cedo, eu decidi passar num barzinho que tem no centro da cidade e onde tem um ponto de ônibus perto, porque aí depois eu não teria que andar muito sozinha e no escuro.
Quando eu cheguei lá tinha apenas dois casais numa mesa como se estivessem em um encontro duplo e eles estavam rindo felizes. Eu não consegui evitar de desejar ter aquilo algum dia. Mas do jeito que as coisas estavam indo eu não teria aquilo tão cedo...
Então eu caminhei até uma mesinha para duas pessoas que ficava ao lado de uma janela e afastada de todo o resto do bar e me sentei. Puxei meu caderno de anotações, uma caneta e quando eu vi tinha feito um coração partido ao meio nele.
“O que vai querer?” um cara barrigudo com um cabelo grisalho aparentando ter uns 40 e poucos anos me perguntou. Obviamente ele era o garçom.
“Eu... Quero uma roska de morango, por favor” pedi olhando distraidamente o coração partido em meu caderno.
E aí uma coisa que eu não esperava aconteceu. Lágrimas começaram a vir aos meus olhos. Por que é que o Henrique tinha que ter sido tão idiota e ter estragado com o nosso namoro que era tão legal? Merda! Nós realmente nos entendíamos de alguma forma!
E por que eu não consigo me desligar dele? Por que diabos eu não consigo esquecê-lo? Por que eu tenho que ficar imaginando o que ele está fazendo, está pensando e coisas desse tipo? Por que meu deus? Por que tem que ser assim? Eu não quero mais nada disso. Eu odeio esses dias nos quais eu fico assim. Eu realmente odeio.
“Você está bem?” alguém perguntou sentando na cadeira a minha frente. Era um garoto. Eu estava com a cabeça abaixada chorando e não queria um garoto me assistindo chorar.
“Estou. Obrigada. Você pode ir” falei fungando ainda de cabeça abaixada.
“Você não está bem. Hei, isso não é vergonha nenhuma” ele disse tocando minha mão que ainda segurava a caneta. Com tal gesto intimo eu não consegue evitar olhar pra ele.
E nossa, eu realmente me surpreendi com o que eu vi. Não era um cara como eu esperava que fosse. Na minha frente estava um cara loirinho com o cabelo lisinho caindo sobre a testa dele, com os olhos super azuis e forte. Sim, ele era realmente forte. Ele estava com uma camisa vermelha sem manga e uma corrente de prata no pescoço.
Oh meu deus, por que hoje, só por hoje o senhor não me livra dos garotos?
“Você não me conhece e se me conhecesse e soubesse o motivo pelo qual eu estou chorando iria saber que é sim um motivo pra vergonha” eu falei limpando meu rosto.
“Certo eu não te conheço. Que tal... Por que você não começa me dizendo seu nome? Eu sou o Olavo, prazer” ele sorriu mostrando um sorriso branco, brilhante e perfeito.
“Amanda” assim que eu disse meu nome o garçom chegou com a minha roska. Então olhou para o Olavo e perguntou o que ele queria e ele pediu uma coca apenas.
“Nome bonito. Então Amanda, o que houve contigo?” ele perguntou e parecia realmente interessado.
“Por que isso te interessa?” eu perguntei, mas não na intenção de ser grosseira.
“Também não sei. Pra dizer a verdade essa é uma boa pergunta, mas... Não sei. Acho que, porque talvez não seja todo dia que eu encontre uma garota bonita chorando, sozinha e bebendo num bar. Ainda mais num bar onde venho todos os dias e senta na mesa onde sempre sento” ele disse rindo da minha cara porque eu tinha ficado vermelha de vergonha com a declaração dele. Ah então não foi exatamente por mim e sim porque eu estava invadindo o espaço dele sem saber.
“Oh me desculpe eu não...” eu disse sem jeito recolhendo minhas coisas.
“Pode ficar aí. Eu não ligo. É bom ter companhia de vez em quando” ele deu de ombros.
“Eu não sabia. Mesmo. Me desculpe. Eu vou pra outra mesa” eu falei saindo, mas ele me segurou e disse um “fique” tão forte que eu apenas sentei de volta no meu lugar.
“Não me enrole. Por que você estava chorando?”
“Você quer mesmo saber?” perguntei arqueando uma das sobrancelhas.
“E não estou perguntando?” ele respondeu me olhando com aqueles olhos azuis dele e eu apenas olhei pra baixo sem jeito.
“Eu estava chorando porque as vezes eu paro pra pensar na minha vida e acho tudo uma merda. Eu ainda gosto do meu ex, mas eu não consigo voltar pra ele porque eu sei que não dará certo, as coisas aconteceram de uma forma que estragou tudo de bom que poderíamos ter juntos, mas ao mesmo tempo não consigo me desligar totalmente dele. Então por causa disso eu não consigo me ligar livremente em outros caras, enfim, minha vida é uma merda mesmo” falei me lamentando. Nem coragem de olhá-lo eu tive.
“Imagino que deva ser uma situação difícil esse lance de ex-namorado é complicado mesmo, mas você vai ver que você acostuma, sabe? Isso vai passar e você não vai ficar pensando nele pra sempre” talvez ele estivesse certo, mas talvez não. Não dava pra saber.
“Eu espero que sim” eu suspirei. “Eu simplesmente... Não sei. Não sei de mais nada” suspirei mais uma vez.
“Olha, por que você não canta? Quem canta seus males espanta, não é mesmo? Faça assim. Tipo, eu sempre venho aqui pra me dedicar a minha música sabe? Quase nunca tem alguém aqui dia de semana ainda mais esse horário, então o dono gosta quando eu toco. Eu vou tocar uma música e você me acompanha cantando certo?” ele falou sorrindo e pegou um violão que estava ao lado dele e que eu nem tinha reparado.
“Que música você sabe tocar?” perguntei olhando pra ele enquanto ele tocava as cordas do violão.
“Você que manda. Diga qualquer música aí, eu vou saber tocar” ele disse piscando pra mim. Pra me mandar dizer qualquer música que ele saberia era ter realmente muita confiança e manjar muito.
“Certo. Deixa eu vê... Conhece Hey, Soul Sister?” foi a primeira música que veio na minha cabeça assim e que apesar de me lembrar o meu ex, eu curtia bastante a música.
“Claro” ele respondeu sorrindo e começou a tocar a música e na hora pra eu começar a cantar ele deu um sinal com a cabeça. Então eu comecei a cantar a música ele me acompanhando de vez em quando e um pouco antes de chegar no refrão eu comecei a chorar de novo.
“Who's one of my kind” ele continuou cantando enquanto eu parava pra chorar. Aí ele incrivelmente parou de tocar e tocou minha mão de novo. “É, eu bem que pensei que não fosse uma boa ideia cantarmos essa música” ele apertou minha mão de devagar.
“É, acho que não foi mesmo uma boa ideia” falei concordando. Eu odeio quando eu fico super sensível assim.
“É normal. Relaxe. Todos nós temos um dia que ficamos assim” ele deu de ombros e colocou o violão em cima de mesa.
“Sua coca” o garçom chegou colocando a coca dele em cima da mesa. Ele pegou e bebeu de um gole só a coca que tinha no copo e eu decidi dar uns goles na minha roska que eu tinha esquecido até então.
“Vem cá” ele disse se levantando e pegando na minha mão.
“Ir aonde?” perguntei enquanto ele colocava o violão dele de volta na capa.
“Ali” ele respondeu vagamente e então foi até o balcão e pagou a coca dele e a minha roska.
“Obrigada” falei quando saímos do bar.
“Não tem de quê” e então ele me conduziu até o mirante que ficava ali perto, porque bem, o barzinho era perto da praia. E como era umas seis, sete horas da noite não tinha muita gente por ali e a vista era incrível.
Ele tirou o violão das costas, encostou na parede e parou pra me olhar. Eu sorri sem graça e desviei pra olhar a vista novamente. Ele era um cara legal. Um estranho que me tratava bem logo de cara. Isso era meio raro comigo.
“Quantos anos você tem?”
“17, quase 18. E você?” ele parecia ser mais velho. Parecia ser um daqueles garotos de faculdade.
“Tenho 21. Acabei de fazer na verdade. Foi ontem meu aniversário” ele sorriu de novo. Só que dessa vez seu sorriso parecia querer dizer mais.
“Sério? Legal! Quer dizer, parabéns atrasado” eu disse e então ficamos num silêncio constrangedor. Tudo o que eu conseguia pensar era “o que vamos fazer agora? O que ele quer comigo? O que eu falo? Eu tenho que ir pra casa antes que meus pais me matem”.
“É, obrigado. Até atrasado eu ganho presentes” ele deu uma piscadinha de leve pra mim e então fez uma coisa que eu não esperava.
Ele veio e colocou as mãos dele em minha cintura e ficou me olhando. Eu não me mexi, apenas... Esperei pra ver o que ele iria fazer. Ele colocou sua mão direita em cima da minha bochecha esquerda e eu senti minha respiração parando aos poucos.
“Posso?” ele perguntou inclinando seus lábios sobre os meus e eu pude sentir seu hálito quente perto de mim. Ele tinha um cheiro diferente de alguma forma. Era forte, mas ao mesmo tempo era suave. Eu não sei com o que posso comparar o cheiro dele e descrever pra vocês. Só sei que eu curti muito.
Eu não consegui falar nada pra responder a pergunta dele, somente... Assenti com a cabeça sentindo os lábios dele no meu. Eles eram melhores de sentir do que aparentavam. Eram carnudos, então eles eram bastante macios de sentir.
Ele me puxou mais pra perto dele e eu pude sentir que a temperatura dele era bem elevada. Ele era realmente quente. Literalmente muito quente. Eu o abracei ainda mais e pude sentir a língua dele na minha e a sensação foi boa. O beijo dele era calmo, mas ardente. Era profundo. Era como se ele estivesse explorando e saboreando cada momento daquele beijo. Era como se ele estivesse ME beijando e não beijando somente o meu corpo, a minha boca. É difícil explicar a sensação de um beijo, no mais, tudo o que eu posso dizer é que eu curti bastante.
Eu estava me envolvendo demais com o beijo dele então decidi me afastar. Hoje era o dia onde eu supostamente deveria não ter ficado com ninguém e ficado bem longe de garotos.
“Isso não... Não é uma boa ideia” falei virando de costas pra ele.
“Desculpe. Minha culpa, é que você tava tão perto que não resisti. Eu não irei mais... Desculpe de novo” pela sua voz eu pude perceber que ele estava meio sem graça o que foi fofo da parte dele.
Viu? Nossa, eu totalmente PRECISO ficar longe de garotos. E parar com isso de achar tudo fofo e romântico. Garotos não são assim. Eles não são, ponto final.
“Não é isso. É que... É como eu te falei mais cedo. Eu ainda estou envolvida emocionalmente com o meu ex, mesmo que ele não saiba e espero que nem venha a saber. Sei lá, eu queria mesmo me envolver com outro cara, conseguir me entregar que nem da primeira vez, sabe? Mas não sei, eu não consigo mais. Eu creio que tenha ficado totalmente traumatizada. E bem, nem sei porque estou te contando isso, você não tem nada a vê com meus problemas e acabamos de nos conhecer. Você é lindo, provavelmente está na faculdade e só queria curtir sua noite de quinta em paz sem uma garota problemática. Desculpe por ter estragado sua noite, é que... eu acho que precisava mesmo desabafar, sabe? Eu nunca faço isso e com meus amigos que sabem de toda a história é mais difícil ainda conversar. Eu... Acho que estou cansada dessa minha vida de pegação. Eu queria ser que nem as outras garotas e consegui ficar e gostar de um cara só, mas não acho um que preste e ainda sou traumatizada. Enfim, ai meu deus, eu falo demais” eu terminei por fim pensando que eu realmente falo demais e que minha língua parece não caber na minha boca.
Eu ainda estava de costas pra ele quando falei tudo isso e então eu não fazia a mínima ideia do que ele devia estar pensando de mim e muito menos se ele ainda estava atrás de mim. Talvez ele tivesse ido apenas embora. Eu esperei um dois minutos antes de ouvir a voz dele de novo. Eu realmente achava que ele tinha ido embora.
“Eu sei como é isso. Comigo meio que aconteceu a mesma coisa. Eu nunca encontro uma garota que preste e quando encontrei... Nós namoramos durante um bom tempo, só que ela me tratava como se eu fosse o cachorrinho de estimação dela. Então aí eu cansei” logo depois que ele terminou de falar ele veio e me abraçou pro trás e eu encostei minha cabeça no ombro dele. Ficamos nós dois assim abraçados em silêncio não sei por quanto tempo. Abraçados e olhando a vista.
Mesmo se eu não estivesse num desses “dias” eu teria achado isso romântico, porque realmente foi.
Talvez eu tenha finalmente achado a luz no fim do túnel que eu tanto procurei e tenho esperado. Ou talvez não. Tudo o que eu sei é que esse cara me mostrou e me fez sentir coisas que eu não acreditava mais que fosse possível. Talvez eu tenha finalmente achado minha chance de um novo recomeço. Uma nova vida.
“Eu acho que... Nós dois achamos o que procurávamos não?” ele disse em meu ouvido e eu sorri ao ouvir aquilo.
“Eu sinceramente espero que sim” concordei. Então ele me carregou de modo que eu ficasse sentada em cima do muro e pegou o violão de novo.
“O que vai tocar agora?”
“Undisclosed Desires, do Muse. Conhece?” então ele começou a tocar e ficou tocando para nós dois. Ao menos por hoje eu me permitiria sentir aquela garotinha inocente e cheia de esperanças que todas nós já fomos algum dia.
Quando nos apaixonamos pela primeira vez achamos que o cara será o nosso príncipe, escrevemos o nome dele em nossos cadernos, escrevemos o nosso nome com o sobrenome dele, escrevemos o nosso nome com o nome dele dentro de um coração, nós sonhamos com o primeiro beijo, sonhamos com ele fazendo alguma coisa hiper fofa e todo tipo de coisa romântica.
É, o primeiro amor é realmente uma coisa bonita e boa de se viver. Mas, ha, nem todas as garotas possuem a sorte de encontrarem um primeiro amor fofo o bastante pra satisfazerem seus sonhos mais românticos.
A maioria das garotas continua a sonhar mesmo depois da primeira decepção. É uma coisa boa, sabe? Não desistir de sonhar, não desisti de se obter aquilo que realmente irá te fazer feliz.
Infelizmente, como a maioria irá perceber, senão já percebeu, as coisas não funcionam normalmente desse jeito. Antes de você conhecer O CARA, pode crer que você irá passar por muito sofrimento nas mãos de caras que não te valorizam e coisas desse tipo. É normal, anormal é se você encontrar caras que logo de cara te tratem bem e que vocês se apaixonem. Aí você é realmente uma sortuda.
Eu não tive essa sorte. Eu totalmente não tive essa sorte. E como toda garota que não teve essa sorte eu me revoltei depois. Eu decidi chutar o balde e mandar tudo pra... Err, vocês entenderam e viver minha vida. Decidi que eu não seria mais de homem nenhum, que eu seria de todos, todos seriam meus.
A partir daquele momento eu não iria me apaixonar por ninguém. Eu não iria me comprometer com ninguém. Eu iria fazê-los se apaixonarem por mim e provarem do próprio veneno que destilaram em outras garotas. Eu decidi ser uma garota apaixonante, uma amante que nenhum deles colocaria defeitos.
Se deu certo? É, deu super certo.
Eu perdi meu bv com o cara que eu passei 3 anos inteirinhos gostando. Ele sabia muito bem que eu gostava dele e tudo o que ele fazia era me esnobar, me desprezar. Então eu decidi mudar e virar amiguinha dele e isso eu consegui. Virando amiguinha dele eu consegui o que eu passei tanto tempo desejando: que ele gostasse de mim! Na época foi um verdadeiro sonho realizado. Lembro como se fosse hoje.
Eu e ele sentados na escadaria do portão do colégio esperando a mãe dele vir buscá-lo e aí ele disse que queria me contar uma coisa. Disse que gostava de mim e que não agüentava mais me ter só como amiga. Eu lembro que meu coração batia tão rápido que parecia que eu iria vomitá-lo. Minhas mãos estavam geladas e eu suava muito frio. É, bons tempos...
Então eu logicamente disse que eu também gostava dele e ele me beijou. Foi um dia realmente perfeito e acho que demorou umas duas semanas até ele me pedir em namoro. Ele não foi um bom namorado, mas eu gostava realmente dele, ele me fazia feliz. Na época era o que me importava. Enfim, depois uma garota super bonita chegou na escola e virou minha melhor amiga, ele começou a dar em cima dessa garota que me contou e inclusive me mostrou as mensagens de texto que ele mandava pra ela. E ela me disse que também gostava dele.
Agora vocês entendem por que eu sou assim certo? É, eu tenho meus motivos. Não me julguem. Muita gente me julga antes de me conhecer e eu estou cansada disso. Vivem falando da minha vida. Porra! Um bando de gente sem tem o que fazer que não faz a mínima ideia de quem sou e o que eu passo ou passei.
Mas né, eu lido com tudo isso o melhor que eu posso. Acontece que, agora eu não sou mais aquela garota que sonha com o cara perfeito, eu nem sequer acredito que esse cara exista mais. Se eu achar um homem que seja cavalheiro e respeite uma mulher eu acho uma raridade. Por que? Ué, você não vê mais caras assim. Simplesmente não vê. Nossa geração é uma total vergonha, mas Ok...
Então eu decidi isso. Depois dele me trocar pela minha melhor amiga que nem chegaram a ficar uma segunda vez depois de um beijo, bem feito pra ele, eu passei a SEMPRE olhar pros lados. E eu percebi que existem muitos garotos interessantes por aí. Cada um a sua maneira.
Uns gostam exatamente das mesmas coisas que você, outros te entendem, outros te protegem e te fazem sentir bem, outros gostam de você pelo o que é, outros te desejam, enfim, são muitas as opções. Conforme a minha necessidade eu procurava certo tipo de garoto pra satisfazer minha necessidade momentânea.
Minhas amigas reclamam comigo por eu não saber escolher somente um deles pra eu ficar, mas eu simplesmente não consigo mais. Não tem nenhum que consiga me satisfazer completamente. Eu preciso deles de maneiras diferentes. Todos eles pra mim são únicos a sua maneira, são especiais a sua maneira.
Depois do Henrique, o meu ex-namorado fdp, nunca mais consegui olhá-los daquela maneira que você realmente acredita e CONFIA no cara. Eu acho que fiquei um pouquinho traumatizada, mas e daí? O importante é que agora eu não sofro mais por um imbecil que nem sequer me dá o valor e a atenção que eu realmente mereço. Que eu SEI que mereço.
Eu obviamente já achei caras que me davam uma atenção admirável e tudo o que eu queria naquela época com o Henrique, mas... Não sei, não é mais a mesma coisa.
Eu já fiz uns aí se apaixonarem por mim, declararam seu amor, me mandaram rosas, me encheram o saco, mas eu nem... E nem me sinto culpada. Por que eu deveria sentir? Todos eles merecem! E eu não estou sendo insensível. Todo cara com o qual eu me envolvo é canalha e não presta. E eu sei que eles só se apaixonaram por mim, ou assim eles disseram, porque era interessante conquistar uma garota que estava disposta a não se apaixonar por ninguém, uma garota que não iria esperar nada deles, que não iria exigir nada e eles estavam bem certos.
Assim sendo, a garota boazinha, inocente e sonhadora virou uma garota má. E bem, a garota má passou a ser a namorada perfeita de todos os canalhas da face de Terra.
A garota má sempre está nas festas vestindo uma roupa deslumbrante e sexy, flertando com o cara mais gato da festa que fica até com medo ou receio de chegar nela. Garotinhos se assustam e ficam intimidados quando vêem uma MULHER diante deles. E garotas más, elas não são garotas e sim MULHERES. Talvez garotas em termos de experiência, idade e corpo. Mas mulheres em atitude, em desejos, em pensamentos.
E atualmente é assim que eu sou. Ou é assim que eu me sinto. As vezes eu paro pra pensar na minha vida e gostaria de voltar naquele tempo em que eu acreditava no amor, no verdadeiro amor e no príncipe encantado que apareceria. Um garoto que seria tudo o que eu sempre quis.
Felizmente esses meus desejos só aparecem de vez em quando e quando eu estou nesses dias, eu me afasto de TODOS os garotos com os quais mantenho um relacionamento amoroso. Justamente pra eu não querer e não esperar nada deles ou ficar viajando transformando tudo o que eles falam em algo “ohh que fofo”!
“Olha quem tá vindo...” a Rebeca, uma garota com a qual eu ando, falou sorrindo. Eu nem precisava me virar pra eu saber quem é.
“Hum, então vamos sair daqui. Eu realmente não quero encontrá-lo hoje” falei puxando ela pelo braço, mas ela simplesmente parecia que tinha chumbo nos pés.
“Não senhora. Nós iremos ficar!” ela disse me puxando de volta. Droga! Eu não teria como fugir dali sem ela sem parecer que eu estava fugindo DELE.
“Oi Rebeca” ele disse pra ela enquanto eu ainda estava de costas pra ele amaldiçoando a Rebeca até não poder mais. Ela iria me pagar, mais tarde.
“Oi Rê” ele falou comigo e eu não tive como evitar mais.
“Oi Henrique” falei a contragosto. Eu não gostava muito de ficar de conversinha com ele, mesmo que ele gostasse de ficar de conversinha comigo, porque afinal de contas, nós ainda éramos amigos. Só que assim, pra mim, eu não me importava de só ficar de conversinha com ele pelo MSN, mas SÓ por lá onde eu não tinha que ficar olhando pra cara dele.
“Atrapalho alguma coisa?” ele perguntou sorrindo. Por que ele tinha que ter vindo até aqui conversar com a gente? Droga! E por que logo HOJE? Como é que ele consegue escolher o pior dia, ou seja, um dia onde estou vulnerável, pra falar comigo?
“Sempre” respondi emburrada e a Rebeca me deu um beliscão.
“Ela tá só brincando” e riu como quem diz “cala a boca”. “Não estávamos conversando nada demais” o que não era exatamente mentira. Na verdade nós estávamos falando justamente dele e o quão gostoso ele ficou do ano passado pra cá, mas isso não era algo que eu gostava de ficar reparando. Sabe como é, quando é ex e a pessoa fica melhor, isso dá... Não sei, é difícil e complicado.
“Vocês vão pro cinema mais tarde? Me disseram que o último Harry Potter vai estrear hoje. Tão a fim?”
“Não vou poder, estarei estudando. Tenho prova amanhã” falei sorrindo como quem sente muito. Na verdade eu não me esforcei nem um pouco na minha atuação então devo ter soado BEM falsa.
“A prova de amanhã foi transferida, Rê” a Rebeca me olhou como quem diz “te peguei” e eu a olhei da mesma forma.
“Não é da escola não, eu tenho prova do inglês” eu sorri afetadamente pra ela.
“Ah, é uma pena” ele disse me olhando como quem quer dizer mais. Certo, agora vocês percebem o porquê eu não curto ficar perto de garotos nesses dias né?
“Pois é” eu nem me esforcei pra fingir que eu nem estava ligando. “Tenho que ir procurar... alguém. Fui” eu falei saindo dali deixando a Rebeca com ele. Se ela queria tanto conversar com ele né, quem sou eu pra impedir não é mesmo? Eu sei que EU não poderia ficar perto dele. Não quero ter recaídas.
Assim que me afastei deles o meu celular tocou e eu vi que quem estava me ligando era o Caíque, um pretendente meu. Eu resolvi atender. Ele me disse que queria me ver e que estava com saudades de mim e eu também estava com saudades dele, mas... Hoje totalmente não era um bom dia pra eu ficar com ele. Eu dei a mesma desculpa que eu dei pro Henrique e desliguei.
Eu pra dizer a verdade não estava a fim de ficar com ninguém. Eu só queria ficar a sós com os meus pensamentos. Sem amigas ou caras me enchendo o saco, sabe? Eu precisava realmente pensar.
Quer dizer, ser solteira e ser comprometida ambas tem lados bons e ruins. Eu gosto de ser livre e ter minha liberdade de ir pra rua, sair sem ter que dar satisfação a ninguém além dos meus pais, de poder olhar pros lados mesmo sem sentir culpa, de poder flertar e dar mole para caras bonitos, mas eu também sinto falta de ter alguém pra me dizer no meu ouvido um “eu te amo” e dizer que tudo vai ficar bem quando não estiver tudo Ok. É bom gostar de alguém e alguém gostar de você. Eu sinto falta disso, eu realmente sinto. Algumas vezes eu canso dessa vida, de curtição e pegação. Sei lá, é bom durante um tempo, depois você cansa. Claro que, é só aparecer um cara realmente gato que eu mudo de ideia, mas enquanto eu estou sem, eu canso. Hahahahahaha!
Eu também como sou traumatizada, acho que levaria muito tempo até eu conseguir ceder, a conseguir me envolver realmente com algum garoto. Ele teria que ter muita paciência comigo, porque se for apressar as coisas ou tentar impor, nem rola, eu fujo na MESMA hora. Fala sério! Teve um mesmo, que na segunda vez que a gente ficou ele já queria me apresentar pra FAMÍLIA dele! Deus livre! Não mesmo que eu iria querer algo com ele... Psicopata!
Pra eu me envolver desse jeito de novo teria que ser algum cara que fosse meu amigo, que conversasse comigo sobre qualquer coisa, que gostasse de ao menos algumas coisas parecidas comigo e tudo o mais. Mas não... Eu não encontrei até hoje com esse cara a não ser o fdp do meu ex. É, VDM!
Nós tínhamos no ultimo horário, horário vago porque era teste e prova e tipo, não teríamos prova, então eu fui embora mais cedo.
Como eu totalmente não estava a fim de ir pra casa cedo, eu decidi passar num barzinho que tem no centro da cidade e onde tem um ponto de ônibus perto, porque aí depois eu não teria que andar muito sozinha e no escuro.
Quando eu cheguei lá tinha apenas dois casais numa mesa como se estivessem em um encontro duplo e eles estavam rindo felizes. Eu não consegui evitar de desejar ter aquilo algum dia. Mas do jeito que as coisas estavam indo eu não teria aquilo tão cedo...
Então eu caminhei até uma mesinha para duas pessoas que ficava ao lado de uma janela e afastada de todo o resto do bar e me sentei. Puxei meu caderno de anotações, uma caneta e quando eu vi tinha feito um coração partido ao meio nele.
“O que vai querer?” um cara barrigudo com um cabelo grisalho aparentando ter uns 40 e poucos anos me perguntou. Obviamente ele era o garçom.
“Eu... Quero uma roska de morango, por favor” pedi olhando distraidamente o coração partido em meu caderno.
E aí uma coisa que eu não esperava aconteceu. Lágrimas começaram a vir aos meus olhos. Por que é que o Henrique tinha que ter sido tão idiota e ter estragado com o nosso namoro que era tão legal? Merda! Nós realmente nos entendíamos de alguma forma!
E por que eu não consigo me desligar dele? Por que diabos eu não consigo esquecê-lo? Por que eu tenho que ficar imaginando o que ele está fazendo, está pensando e coisas desse tipo? Por que meu deus? Por que tem que ser assim? Eu não quero mais nada disso. Eu odeio esses dias nos quais eu fico assim. Eu realmente odeio.
“Você está bem?” alguém perguntou sentando na cadeira a minha frente. Era um garoto. Eu estava com a cabeça abaixada chorando e não queria um garoto me assistindo chorar.
“Estou. Obrigada. Você pode ir” falei fungando ainda de cabeça abaixada.
“Você não está bem. Hei, isso não é vergonha nenhuma” ele disse tocando minha mão que ainda segurava a caneta. Com tal gesto intimo eu não consegue evitar olhar pra ele.
E nossa, eu realmente me surpreendi com o que eu vi. Não era um cara como eu esperava que fosse. Na minha frente estava um cara loirinho com o cabelo lisinho caindo sobre a testa dele, com os olhos super azuis e forte. Sim, ele era realmente forte. Ele estava com uma camisa vermelha sem manga e uma corrente de prata no pescoço.
Oh meu deus, por que hoje, só por hoje o senhor não me livra dos garotos?
“Você não me conhece e se me conhecesse e soubesse o motivo pelo qual eu estou chorando iria saber que é sim um motivo pra vergonha” eu falei limpando meu rosto.
“Certo eu não te conheço. Que tal... Por que você não começa me dizendo seu nome? Eu sou o Olavo, prazer” ele sorriu mostrando um sorriso branco, brilhante e perfeito.
“Amanda” assim que eu disse meu nome o garçom chegou com a minha roska. Então olhou para o Olavo e perguntou o que ele queria e ele pediu uma coca apenas.
“Nome bonito. Então Amanda, o que houve contigo?” ele perguntou e parecia realmente interessado.
“Por que isso te interessa?” eu perguntei, mas não na intenção de ser grosseira.
“Também não sei. Pra dizer a verdade essa é uma boa pergunta, mas... Não sei. Acho que, porque talvez não seja todo dia que eu encontre uma garota bonita chorando, sozinha e bebendo num bar. Ainda mais num bar onde venho todos os dias e senta na mesa onde sempre sento” ele disse rindo da minha cara porque eu tinha ficado vermelha de vergonha com a declaração dele. Ah então não foi exatamente por mim e sim porque eu estava invadindo o espaço dele sem saber.
“Oh me desculpe eu não...” eu disse sem jeito recolhendo minhas coisas.
“Pode ficar aí. Eu não ligo. É bom ter companhia de vez em quando” ele deu de ombros.
“Eu não sabia. Mesmo. Me desculpe. Eu vou pra outra mesa” eu falei saindo, mas ele me segurou e disse um “fique” tão forte que eu apenas sentei de volta no meu lugar.
“Não me enrole. Por que você estava chorando?”
“Você quer mesmo saber?” perguntei arqueando uma das sobrancelhas.
“E não estou perguntando?” ele respondeu me olhando com aqueles olhos azuis dele e eu apenas olhei pra baixo sem jeito.
“Eu estava chorando porque as vezes eu paro pra pensar na minha vida e acho tudo uma merda. Eu ainda gosto do meu ex, mas eu não consigo voltar pra ele porque eu sei que não dará certo, as coisas aconteceram de uma forma que estragou tudo de bom que poderíamos ter juntos, mas ao mesmo tempo não consigo me desligar totalmente dele. Então por causa disso eu não consigo me ligar livremente em outros caras, enfim, minha vida é uma merda mesmo” falei me lamentando. Nem coragem de olhá-lo eu tive.
“Imagino que deva ser uma situação difícil esse lance de ex-namorado é complicado mesmo, mas você vai ver que você acostuma, sabe? Isso vai passar e você não vai ficar pensando nele pra sempre” talvez ele estivesse certo, mas talvez não. Não dava pra saber.
“Eu espero que sim” eu suspirei. “Eu simplesmente... Não sei. Não sei de mais nada” suspirei mais uma vez.
“Olha, por que você não canta? Quem canta seus males espanta, não é mesmo? Faça assim. Tipo, eu sempre venho aqui pra me dedicar a minha música sabe? Quase nunca tem alguém aqui dia de semana ainda mais esse horário, então o dono gosta quando eu toco. Eu vou tocar uma música e você me acompanha cantando certo?” ele falou sorrindo e pegou um violão que estava ao lado dele e que eu nem tinha reparado.
“Que música você sabe tocar?” perguntei olhando pra ele enquanto ele tocava as cordas do violão.
“Você que manda. Diga qualquer música aí, eu vou saber tocar” ele disse piscando pra mim. Pra me mandar dizer qualquer música que ele saberia era ter realmente muita confiança e manjar muito.
“Certo. Deixa eu vê... Conhece Hey, Soul Sister?” foi a primeira música que veio na minha cabeça assim e que apesar de me lembrar o meu ex, eu curtia bastante a música.
“Claro” ele respondeu sorrindo e começou a tocar a música e na hora pra eu começar a cantar ele deu um sinal com a cabeça. Então eu comecei a cantar a música ele me acompanhando de vez em quando e um pouco antes de chegar no refrão eu comecei a chorar de novo.
“Who's one of my kind” ele continuou cantando enquanto eu parava pra chorar. Aí ele incrivelmente parou de tocar e tocou minha mão de novo. “É, eu bem que pensei que não fosse uma boa ideia cantarmos essa música” ele apertou minha mão de devagar.
“É, acho que não foi mesmo uma boa ideia” falei concordando. Eu odeio quando eu fico super sensível assim.
“É normal. Relaxe. Todos nós temos um dia que ficamos assim” ele deu de ombros e colocou o violão em cima de mesa.
“Sua coca” o garçom chegou colocando a coca dele em cima da mesa. Ele pegou e bebeu de um gole só a coca que tinha no copo e eu decidi dar uns goles na minha roska que eu tinha esquecido até então.
“Vem cá” ele disse se levantando e pegando na minha mão.
“Ir aonde?” perguntei enquanto ele colocava o violão dele de volta na capa.
“Ali” ele respondeu vagamente e então foi até o balcão e pagou a coca dele e a minha roska.
“Obrigada” falei quando saímos do bar.
“Não tem de quê” e então ele me conduziu até o mirante que ficava ali perto, porque bem, o barzinho era perto da praia. E como era umas seis, sete horas da noite não tinha muita gente por ali e a vista era incrível.
Ele tirou o violão das costas, encostou na parede e parou pra me olhar. Eu sorri sem graça e desviei pra olhar a vista novamente. Ele era um cara legal. Um estranho que me tratava bem logo de cara. Isso era meio raro comigo.
“Quantos anos você tem?”
“17, quase 18. E você?” ele parecia ser mais velho. Parecia ser um daqueles garotos de faculdade.
“Tenho 21. Acabei de fazer na verdade. Foi ontem meu aniversário” ele sorriu de novo. Só que dessa vez seu sorriso parecia querer dizer mais.
“Sério? Legal! Quer dizer, parabéns atrasado” eu disse e então ficamos num silêncio constrangedor. Tudo o que eu conseguia pensar era “o que vamos fazer agora? O que ele quer comigo? O que eu falo? Eu tenho que ir pra casa antes que meus pais me matem”.
“É, obrigado. Até atrasado eu ganho presentes” ele deu uma piscadinha de leve pra mim e então fez uma coisa que eu não esperava.
Ele veio e colocou as mãos dele em minha cintura e ficou me olhando. Eu não me mexi, apenas... Esperei pra ver o que ele iria fazer. Ele colocou sua mão direita em cima da minha bochecha esquerda e eu senti minha respiração parando aos poucos.
“Posso?” ele perguntou inclinando seus lábios sobre os meus e eu pude sentir seu hálito quente perto de mim. Ele tinha um cheiro diferente de alguma forma. Era forte, mas ao mesmo tempo era suave. Eu não sei com o que posso comparar o cheiro dele e descrever pra vocês. Só sei que eu curti muito.
Eu não consegui falar nada pra responder a pergunta dele, somente... Assenti com a cabeça sentindo os lábios dele no meu. Eles eram melhores de sentir do que aparentavam. Eram carnudos, então eles eram bastante macios de sentir.
Ele me puxou mais pra perto dele e eu pude sentir que a temperatura dele era bem elevada. Ele era realmente quente. Literalmente muito quente. Eu o abracei ainda mais e pude sentir a língua dele na minha e a sensação foi boa. O beijo dele era calmo, mas ardente. Era profundo. Era como se ele estivesse explorando e saboreando cada momento daquele beijo. Era como se ele estivesse ME beijando e não beijando somente o meu corpo, a minha boca. É difícil explicar a sensação de um beijo, no mais, tudo o que eu posso dizer é que eu curti bastante.
Eu estava me envolvendo demais com o beijo dele então decidi me afastar. Hoje era o dia onde eu supostamente deveria não ter ficado com ninguém e ficado bem longe de garotos.
“Isso não... Não é uma boa ideia” falei virando de costas pra ele.
“Desculpe. Minha culpa, é que você tava tão perto que não resisti. Eu não irei mais... Desculpe de novo” pela sua voz eu pude perceber que ele estava meio sem graça o que foi fofo da parte dele.
Viu? Nossa, eu totalmente PRECISO ficar longe de garotos. E parar com isso de achar tudo fofo e romântico. Garotos não são assim. Eles não são, ponto final.
“Não é isso. É que... É como eu te falei mais cedo. Eu ainda estou envolvida emocionalmente com o meu ex, mesmo que ele não saiba e espero que nem venha a saber. Sei lá, eu queria mesmo me envolver com outro cara, conseguir me entregar que nem da primeira vez, sabe? Mas não sei, eu não consigo mais. Eu creio que tenha ficado totalmente traumatizada. E bem, nem sei porque estou te contando isso, você não tem nada a vê com meus problemas e acabamos de nos conhecer. Você é lindo, provavelmente está na faculdade e só queria curtir sua noite de quinta em paz sem uma garota problemática. Desculpe por ter estragado sua noite, é que... eu acho que precisava mesmo desabafar, sabe? Eu nunca faço isso e com meus amigos que sabem de toda a história é mais difícil ainda conversar. Eu... Acho que estou cansada dessa minha vida de pegação. Eu queria ser que nem as outras garotas e consegui ficar e gostar de um cara só, mas não acho um que preste e ainda sou traumatizada. Enfim, ai meu deus, eu falo demais” eu terminei por fim pensando que eu realmente falo demais e que minha língua parece não caber na minha boca.
Eu ainda estava de costas pra ele quando falei tudo isso e então eu não fazia a mínima ideia do que ele devia estar pensando de mim e muito menos se ele ainda estava atrás de mim. Talvez ele tivesse ido apenas embora. Eu esperei um dois minutos antes de ouvir a voz dele de novo. Eu realmente achava que ele tinha ido embora.
“Eu sei como é isso. Comigo meio que aconteceu a mesma coisa. Eu nunca encontro uma garota que preste e quando encontrei... Nós namoramos durante um bom tempo, só que ela me tratava como se eu fosse o cachorrinho de estimação dela. Então aí eu cansei” logo depois que ele terminou de falar ele veio e me abraçou pro trás e eu encostei minha cabeça no ombro dele. Ficamos nós dois assim abraçados em silêncio não sei por quanto tempo. Abraçados e olhando a vista.
Mesmo se eu não estivesse num desses “dias” eu teria achado isso romântico, porque realmente foi.
Talvez eu tenha finalmente achado a luz no fim do túnel que eu tanto procurei e tenho esperado. Ou talvez não. Tudo o que eu sei é que esse cara me mostrou e me fez sentir coisas que eu não acreditava mais que fosse possível. Talvez eu tenha finalmente achado minha chance de um novo recomeço. Uma nova vida.
“Eu acho que... Nós dois achamos o que procurávamos não?” ele disse em meu ouvido e eu sorri ao ouvir aquilo.
“Eu sinceramente espero que sim” concordei. Então ele me carregou de modo que eu ficasse sentada em cima do muro e pegou o violão de novo.
“O que vai tocar agora?”
“Undisclosed Desires, do Muse. Conhece?” então ele começou a tocar e ficou tocando para nós dois. Ao menos por hoje eu me permitiria sentir aquela garotinha inocente e cheia de esperanças que todas nós já fomos algum dia.
domingo, 12 de setembro de 2010
Consumida
Prólogo
Às vezes as coisas que nos acontecem simplesmente fogem do controle. É exatamente assim que acontece quando somos consumidos por algo. E no meu caso eu fui consumida por um sentimento tão poderoso que ele foi capaz de transformar minha vida de cabeça para baixo...
Parte 01
“Betina, é sério, você realmente deveria parar com isso” minha amiga, melhor amiga na verdade, a Duda, me repreendeu quando eu contei pra ela que tinha colado em toda a prova de física daquele bonitinho CDF.
“Duds” esse é o apelido que eu dei pra ela quando tínhamos seis anos e desde então eu a chamo assim. “Se eu não tivesse feito isso, eu vou acabar perdendo de ano, sério, olhe, pense bem... Nem todo mundo consegue tirar notas tão boas como as suas” falei dando de ombros enquanto eu comia minha coxinha com catupiry.
“É, isso é porque eu estudo! Você devia começar a estudar sabe? Estamos no terceiro ano. No final teremos que prestar vestibular e assim você não irá aprender nada, o Henrique não estará lá pra você pescar dele” essa era a décima conversa sobre esse assunto que tínhamos essa semana. Eu sinceramente não agüentava mais tanto papo furado.
“É, eu sei. Você tem razão” era a melhor forma de fazê-la calar a boca, mudar de assunto. “Prometo que vou mudar” sorri sabendo da enorme mentira que eu havia contado.
“Sei” ela respondeu ceticamente, é, ela me conhece. “E o Gustavo? Ele te ligou ontem?”
“Ligou, mas eu não atendi não. Sei lá, não estou mais tão afim dele” dei de ombros novamente colocando ketchup em cima da coxinha. Estava realmente boa, fazia tempos que eu não comia uma assim.
“Não atendeu? Você é doente? Vei, qual é o seu problema? Como assim você não atendeu?!” ela disse aos berros. Eu já esperava por essa reação dela e é por isso que eu não tinha contado antes. Esperava que ela fosse esquecer de perguntar, doce ilusão.
“Não to afim dele, Duds. Ele é legal e tudo o mais, mas não me...” nem pude terminar porque ela interrompeu gritando de novo.
“Oh meu Deus! Eu SABIA que você está doente. Bê, ele é MUITO LINDO E GOSTOSO. Um deus grego daquele cai no seu colo e você diz não?! Sério?” ela apenas me encarava totalmente incrédula.
“Eu sei disso” eu suspirei. “Mas fazer o que? Não é ele quem eu realmente quero” e então desviei meus olhos dela para olhar quem estava um pouco mais atrás dela na cantina comprando uma coxinha com catupiry também.
Ela obviamente viu que eu não estava mais olhando pra ela e seguiu meu olhar e deu um suspiro ainda mais fundo que o meu.
“O Miguel?! E eu achando que você já tinha superado isso” ela balançou a cabeça em negação.
“Eu... Superei” era mentira e eu e ela sabíamos muito bem disso.
“Claro, é exatamente isso que está escrito na sua cara mesmo. Bê, pra não sentir desejo algum por um cara como o Gustavo, só sendo cega ou estando apaixonada por outro, completamente apaixonada” ela balançou a cabeça mais uma vez e me lançou aquele olhar de “você não tem jeito mesmo”.
“É, mas Duds, o que eu posso fazer? Acho que... Eu realmente, realmente gosto do Miguel” olhei pra ele mais uma vez sentindo uma tristeza crescendo.
“Não, você não gosta dele. É sério. Isso virou obsessão. Você só continua a querer ele, porque ele te deu um fora e você não agüenta levar um fora. Encare os fatos, Bê. Ele não te quer, e outra, ele nem é tudo isso assim, ele é bonitinho, INHO. Já o Gustavo é tão ÃO. Fala sério, não tem nem comparação. Além do Gustavo ser melhor que ele, o Gustavo quer você. Hei, olha pra mim” ela disse estalando os dedos tirando toda a minha concentração do Miguel.
Ele estava ao longe conversando com os amigos. Ele parecia feliz e estava rindo muito de algo. Antes da Duda tirar minha atenção dele, ele tinha olhado pra mim na mesma hora que eu estava olhando pra ele e eu senti uma sensação quente por dentro. Eu SEI que ele me quer. Ele me quer, né?
“O Gustavo é tudo de bom, mas não é o Miguel” falei voltando pra minha coxinha.
“Certo. E isso é ótimo. Se não quiser o Gustavo, por que não fica com o Marcelo? Ele também é bonito e está afim de você” ela realmente iria citar todos os caras que estavam afim de mim querendo que eu não ficasse mais com o Miguel?
“Eu sei que ele é, eu também acho e até estava afim de ficar com ele, Dud. Mas... Não sei, eu acho que, já que esse é o nosso último ano aqui, eu preciso é correr atrás do que eu quero né? Depois eu nunca mais verei o Miguel de novo”.
“Oh a merda... Mas tanto faz, a vida é sua, você que sabe, só depois não venha me dizer que eu não avisei, porque bem, eu avisei” ela então foi tarar um bonitinho amigo do Miguel que ela é super afim.
Eu me aproveitei da situação e decidi mandar um sms pra ele. Fazia uns 2 ou 3 meses que eu não falava com ele, mas eu simplesmente não agüentava mais. Eu precisava disso. Então eu escrevi um sms que dizia “Qnt tempo hein?” e enviei, nada demais, mas para um bom entendedor dizia muito.
Instantes após eu o vi mexendo o celular e sorrindo. Ele digitou algo de volta e um minuto depois eu recebi uma mensagem. “Muito tempo, assim eu fico com saudades” e eu sorri ao lê-la. Opa! Eu não disse que ele me queria?
Então eu digitei de volta “Saudade pode ser facilmente resolvida” e ele leu a mensagem e ficou me olhando de longe com um claro desejo de vir falar comigo, porém ele não veio. E recebi de volta uma mensagem dizendo “Bom saber, pq eu quero msm resolver”.
Pronto, eu tinha conseguido o que eu queria. Uma confissão dele de que ele me quer. Eu não respondi essa mensagem e nem responderia. Eu estava satisfeita por enquanto.
“Bê, esquece esse garoto, é sério. E vamos pra aula, o Toni já passou” o Toni era o nosso professor de biologia que é a aula que teríamos agora depois do intervalo. Duas aulas.
Duas aulas chatas, mas que passaram rápido. Infelizmente eu não poderia ir embora ainda, porque eu teria que ir até a sala da coordenadora porque ela queria conversar comigo sobre um projeto que eu sugeri. Então eu fui andando e de repente eu congelei com a cena que eu estava vendo.
Não tinha mais ninguém por perto, somente duas pessoas se agarrando de forma muito, muito indecente. Eu senti o chão se abrindo aos meus pés quando eu vi quem era o garoto.
“Miguel...” eu falei sussurrando de modo que somente eu poderia ouvir. Ou assim eu achei. Na mesma hora que eu falei o nome dele a garota se afastou dele e olhou pra mim no mais profundo ódio.
Ele olhou pra ela assustado e se virou para olhar na minha direção.
“Betina?” ele falou surpreso.
“Surpreso?” não consegui deixar de lado a raiva profunda e crescente que eu estava sentindo. Se ele estava ficando com outra, se ele queria ficar com outra, por que porra ele veio dar em cima de mim? Aff!
“Eu...” ele começou, mas se calou logo. Ao invés disso a garota que estava ao lado dele continuava a me olhar com raiva.
“Então é você... A garota que ele falou” ela riu em desprezo. Quer dizer então que além de tudo, ele estava de conluio com ela? Oh que bom saber. Eu estava com muita raiva, muita mesmo.
“Nah, não! Deixa a Betina em paz, é sério. Por favor” ele pediu quase em súplica pra ela. O que era isso tudo? Ela me deixar em paz? Ela que tentasse me infernizar!
“Não! É ela mesmo...” ela riu dele. “Não é? Sim, eu posso sentir seu coração. É ela” o que porra estava acontecendo aqui? Sentindo o coração dele? Como assim? Eu não estava gostando nenhum pouco disso.
De repente ela estendeu as mãos pra frente e as fechou bem rápidamente e eu comecei a sentir uma dor imensa em minha cabeça e que aos poucos foi se espalhando pelo meu corpo. A agonia era tão grande que eu queria morrer. Que porra era aquela? Ela que estava fazendo aquilo comigo? Não, não era possível.
“Nah, deixa a Betina ir embora, por favor. Eu prometo... Eu te prometo o que você quiser, mas por favor, a deixe ir” eu não podia vê-lo mais já que eu estava no chão me contorcendo de dor, mas pela voz dele ele parecia completamente desesperado. Mesmo no meio de tanta dor a raiva que eu sentia por ele ainda era crescente e estava cada vez se tornando maior. Quanto mais eu via e sentia mais eu tinha raiva dele. Ele nunca tinha sido bom pra mim afinal de contas. Namoramos durante seis meses e ainda assim ele só era bom comigo quando era conveniente pra ele. É isso, me sentir mais usada que isso seria impossível. Eu o odiava com todas as minhas forças.
Eu estava sentindo tanta dor que eu queria morrer. NÃO! Eu não posso morrer! Eu preciso ficar viva pra poder me vingar dele. Eu não sabia como agüentaria a dor, mas eu teria que agüentar, eu não podia morrer. Eu queria viver, eu queria viver e acabar com ele. Nunca mais deixá-lo fazer isso comigo e nem com ninguém.
“Ela é forte” a garota riu ainda mais e ainda mais maldosa. “Pelo visto você não tem tão mal gosto assim, meu amor” ela disse calorosamente. Meu amor? Eles tinham mesmo um caso então.
“Lógico que não. Eu amo você, não é mesmo? Como poderia ter mal gosto?” certo. Aquilo foi o fim. Eu precisava ir até ele e arrancar a cabeça dele do pescoço. Mesmo sentindo muita dor eu me obriguei a levantar e consegui bem devagar e ainda sentindo a dor me consumindo.
“Seu... Filho... Da... Puta” eu falei com dificuldade. “Você... vai... me pagar” então eu caí de joelhos novamente sentindo mais dor ainda.
“Não resista sua idiota. Está quase acabando. Posso sentir sua vida indo embora” ela riu mais uma vez. Então eu abri meus olhos e ela estava com os lábios dela nos dele enquanto eu estava lá, morrendo na frente dele e ele não fazendo nada.
“Não!” eu gritei e então tudo ficou vermelho.
“Não! Era pra você estar morta. Como pode estar em pé? Não é possível” a garota dizia apavorada. Eu gostei disso.
“Yeah. Você me matou. Estou morta. Eu posso... Sentir muita coisa. Me sinto mais forte, me sinto poderosa. Yeah, eu gosto disso. Meu coração não bate mais” falei rindo lambendo os lábios.
“Betina?” o Miguel perguntou cauteloso.
“Cale a boca. Eu cuido de você mais tarde. Primeiro ela” então eu fui até a garota e ela tentou correr, mas eu a alcancei muito facilmente.
“Céus! Você é um demônio! Miguel, socorro! Socorro! Eu criei um demônio” ela disse em desespero.
“Se vira, não irei me meter. Eu avisei” ele deu de ombros mal ligando pra ela. Ele era mesmo um imbecil covarde que merecia sofrer.
“Morra!” falei pra ela e quebrei seu pescoço. Pude sentir todo um poder me invadindo. Eu estava sugando os poderes dela? Hum, gostei. “Agora você” eu disse olhando pra ele.
“Hei, calma. Você não vai me matar também né? Eu tentei proteger você, mas ela era um demônio, eu não tinha como lutar contra ela. Eu... Gosto de você, você sabe” ele disse nervoso.
“Tenho certeza que sim” então eu segurei o rosto dele entre minhas mãos e o beijei com toda a fome que eu sentia por ele. Depois que eu me afastei dele eu me senti ainda mais estranha. Quando eu vi um arco e flecha estava na minha mão. E a ponta da flecha era um rosa com brilho.
Quando eu olhei pra ele, ele ficou me olhando completamente apatetado. Que porra foi essa?
“Que foi?” eu perguntei com agora um certo nojo dele.
“Eu te amo” ele falou sorrindo com o sorriso que antes me fazia derreter.
“Problema é seu” respondi friamente. Eu o amava também. Eu sentia isso mais do que antigamente, porém alguma coisa mudou e eu não conseguia mais me entregar como antes.
“Não... O problema é nosso. Eu amo você e vou lutar por você. Você é o amor da minha vida, no tempo em que passamos separados pude perceber isso” as palavras dele me fizeram sentir aquela quentura de novo e eu sorri.
“Sei como é. Mas... Por sua causa eu morri e eu ainda tinha muita coisa pra viver. Por sua causa eu estou condenada a isso, seja lá o que isso significa” meu ódio por ele era muito, muito grande. Eu realmente tinha sido consumida por esse sentimento.
“Me desculpa, mas eu... Eu não pude impedir. Eu amo você” ele falou chegando perto e acariciando meu rosto.
“Tenho certeza que sim. Apesar de eu ainda amar você, não sinto mais vontade de fazer isso acontecer. Se eu estou condenada, você também está. Você irá passar o resto da sua vida sem amar mais ninguém além de mim, eu sou a sua alma gêmea e nunca irei retornar pra você porque eu estou amaldiçoada neste corpo” então eu olhei pra flecha em minha mão mais uma vez.
“Eu...” ele começou, porém se calou.
“Eu vou impedir todos os caras como você. Se quiserem fazer alguém sofrer por amor, terão que passar por cima de mim primeiro” ao dizer tais palavras eu senti a flecha pulsando em minhas mãos.
“E como pretende fazer isso? Você não tem o poder sobre isso” ele disse rindo. Eu fiquei com mais raiva ainda. Felizmente eu não precisei pensar muito e as palavras apenas fluíram de minha boca.
“Atirarei uma de minhas flechas e eles serão tomados por uma profunda paixão para a primeira pessoa da preferência de sua sexualidade que olharem” respondi firmemente. “Irei proporcionar a todos que eu puder, sentir o amor que nunca pude sentir” olhei pra ele tristemente.
Ele apenas ficou me olhando da mesma forma de volta. E eu sorri pra ele. Tentei tocar na mão dele, mas eu não consegui. Ele também tentou tocar na minha e não conseguiu. Então eu apenas estendi a ponta da flecha pra ele segurar e eu a segurei na outra. Não sei por quanto tempo ficamos assim nos olhando e desejando...
Às vezes as coisas que nos acontecem simplesmente fogem do controle. É exatamente assim que acontece quando somos consumidos por algo. E no meu caso eu fui consumida por um sentimento tão poderoso que ele foi capaz de transformar minha vida de cabeça para baixo...
Parte 01
“Betina, é sério, você realmente deveria parar com isso” minha amiga, melhor amiga na verdade, a Duda, me repreendeu quando eu contei pra ela que tinha colado em toda a prova de física daquele bonitinho CDF.
“Duds” esse é o apelido que eu dei pra ela quando tínhamos seis anos e desde então eu a chamo assim. “Se eu não tivesse feito isso, eu vou acabar perdendo de ano, sério, olhe, pense bem... Nem todo mundo consegue tirar notas tão boas como as suas” falei dando de ombros enquanto eu comia minha coxinha com catupiry.
“É, isso é porque eu estudo! Você devia começar a estudar sabe? Estamos no terceiro ano. No final teremos que prestar vestibular e assim você não irá aprender nada, o Henrique não estará lá pra você pescar dele” essa era a décima conversa sobre esse assunto que tínhamos essa semana. Eu sinceramente não agüentava mais tanto papo furado.
“É, eu sei. Você tem razão” era a melhor forma de fazê-la calar a boca, mudar de assunto. “Prometo que vou mudar” sorri sabendo da enorme mentira que eu havia contado.
“Sei” ela respondeu ceticamente, é, ela me conhece. “E o Gustavo? Ele te ligou ontem?”
“Ligou, mas eu não atendi não. Sei lá, não estou mais tão afim dele” dei de ombros novamente colocando ketchup em cima da coxinha. Estava realmente boa, fazia tempos que eu não comia uma assim.
“Não atendeu? Você é doente? Vei, qual é o seu problema? Como assim você não atendeu?!” ela disse aos berros. Eu já esperava por essa reação dela e é por isso que eu não tinha contado antes. Esperava que ela fosse esquecer de perguntar, doce ilusão.
“Não to afim dele, Duds. Ele é legal e tudo o mais, mas não me...” nem pude terminar porque ela interrompeu gritando de novo.
“Oh meu Deus! Eu SABIA que você está doente. Bê, ele é MUITO LINDO E GOSTOSO. Um deus grego daquele cai no seu colo e você diz não?! Sério?” ela apenas me encarava totalmente incrédula.
“Eu sei disso” eu suspirei. “Mas fazer o que? Não é ele quem eu realmente quero” e então desviei meus olhos dela para olhar quem estava um pouco mais atrás dela na cantina comprando uma coxinha com catupiry também.
Ela obviamente viu que eu não estava mais olhando pra ela e seguiu meu olhar e deu um suspiro ainda mais fundo que o meu.
“O Miguel?! E eu achando que você já tinha superado isso” ela balançou a cabeça em negação.
“Eu... Superei” era mentira e eu e ela sabíamos muito bem disso.
“Claro, é exatamente isso que está escrito na sua cara mesmo. Bê, pra não sentir desejo algum por um cara como o Gustavo, só sendo cega ou estando apaixonada por outro, completamente apaixonada” ela balançou a cabeça mais uma vez e me lançou aquele olhar de “você não tem jeito mesmo”.
“É, mas Duds, o que eu posso fazer? Acho que... Eu realmente, realmente gosto do Miguel” olhei pra ele mais uma vez sentindo uma tristeza crescendo.
“Não, você não gosta dele. É sério. Isso virou obsessão. Você só continua a querer ele, porque ele te deu um fora e você não agüenta levar um fora. Encare os fatos, Bê. Ele não te quer, e outra, ele nem é tudo isso assim, ele é bonitinho, INHO. Já o Gustavo é tão ÃO. Fala sério, não tem nem comparação. Além do Gustavo ser melhor que ele, o Gustavo quer você. Hei, olha pra mim” ela disse estalando os dedos tirando toda a minha concentração do Miguel.
Ele estava ao longe conversando com os amigos. Ele parecia feliz e estava rindo muito de algo. Antes da Duda tirar minha atenção dele, ele tinha olhado pra mim na mesma hora que eu estava olhando pra ele e eu senti uma sensação quente por dentro. Eu SEI que ele me quer. Ele me quer, né?
“O Gustavo é tudo de bom, mas não é o Miguel” falei voltando pra minha coxinha.
“Certo. E isso é ótimo. Se não quiser o Gustavo, por que não fica com o Marcelo? Ele também é bonito e está afim de você” ela realmente iria citar todos os caras que estavam afim de mim querendo que eu não ficasse mais com o Miguel?
“Eu sei que ele é, eu também acho e até estava afim de ficar com ele, Dud. Mas... Não sei, eu acho que, já que esse é o nosso último ano aqui, eu preciso é correr atrás do que eu quero né? Depois eu nunca mais verei o Miguel de novo”.
“Oh a merda... Mas tanto faz, a vida é sua, você que sabe, só depois não venha me dizer que eu não avisei, porque bem, eu avisei” ela então foi tarar um bonitinho amigo do Miguel que ela é super afim.
Eu me aproveitei da situação e decidi mandar um sms pra ele. Fazia uns 2 ou 3 meses que eu não falava com ele, mas eu simplesmente não agüentava mais. Eu precisava disso. Então eu escrevi um sms que dizia “Qnt tempo hein?” e enviei, nada demais, mas para um bom entendedor dizia muito.
Instantes após eu o vi mexendo o celular e sorrindo. Ele digitou algo de volta e um minuto depois eu recebi uma mensagem. “Muito tempo, assim eu fico com saudades” e eu sorri ao lê-la. Opa! Eu não disse que ele me queria?
Então eu digitei de volta “Saudade pode ser facilmente resolvida” e ele leu a mensagem e ficou me olhando de longe com um claro desejo de vir falar comigo, porém ele não veio. E recebi de volta uma mensagem dizendo “Bom saber, pq eu quero msm resolver”.
Pronto, eu tinha conseguido o que eu queria. Uma confissão dele de que ele me quer. Eu não respondi essa mensagem e nem responderia. Eu estava satisfeita por enquanto.
“Bê, esquece esse garoto, é sério. E vamos pra aula, o Toni já passou” o Toni era o nosso professor de biologia que é a aula que teríamos agora depois do intervalo. Duas aulas.
Duas aulas chatas, mas que passaram rápido. Infelizmente eu não poderia ir embora ainda, porque eu teria que ir até a sala da coordenadora porque ela queria conversar comigo sobre um projeto que eu sugeri. Então eu fui andando e de repente eu congelei com a cena que eu estava vendo.
Não tinha mais ninguém por perto, somente duas pessoas se agarrando de forma muito, muito indecente. Eu senti o chão se abrindo aos meus pés quando eu vi quem era o garoto.
“Miguel...” eu falei sussurrando de modo que somente eu poderia ouvir. Ou assim eu achei. Na mesma hora que eu falei o nome dele a garota se afastou dele e olhou pra mim no mais profundo ódio.
Ele olhou pra ela assustado e se virou para olhar na minha direção.
“Betina?” ele falou surpreso.
“Surpreso?” não consegui deixar de lado a raiva profunda e crescente que eu estava sentindo. Se ele estava ficando com outra, se ele queria ficar com outra, por que porra ele veio dar em cima de mim? Aff!
“Eu...” ele começou, mas se calou logo. Ao invés disso a garota que estava ao lado dele continuava a me olhar com raiva.
“Então é você... A garota que ele falou” ela riu em desprezo. Quer dizer então que além de tudo, ele estava de conluio com ela? Oh que bom saber. Eu estava com muita raiva, muita mesmo.
“Nah, não! Deixa a Betina em paz, é sério. Por favor” ele pediu quase em súplica pra ela. O que era isso tudo? Ela me deixar em paz? Ela que tentasse me infernizar!
“Não! É ela mesmo...” ela riu dele. “Não é? Sim, eu posso sentir seu coração. É ela” o que porra estava acontecendo aqui? Sentindo o coração dele? Como assim? Eu não estava gostando nenhum pouco disso.
De repente ela estendeu as mãos pra frente e as fechou bem rápidamente e eu comecei a sentir uma dor imensa em minha cabeça e que aos poucos foi se espalhando pelo meu corpo. A agonia era tão grande que eu queria morrer. Que porra era aquela? Ela que estava fazendo aquilo comigo? Não, não era possível.
“Nah, deixa a Betina ir embora, por favor. Eu prometo... Eu te prometo o que você quiser, mas por favor, a deixe ir” eu não podia vê-lo mais já que eu estava no chão me contorcendo de dor, mas pela voz dele ele parecia completamente desesperado. Mesmo no meio de tanta dor a raiva que eu sentia por ele ainda era crescente e estava cada vez se tornando maior. Quanto mais eu via e sentia mais eu tinha raiva dele. Ele nunca tinha sido bom pra mim afinal de contas. Namoramos durante seis meses e ainda assim ele só era bom comigo quando era conveniente pra ele. É isso, me sentir mais usada que isso seria impossível. Eu o odiava com todas as minhas forças.
Eu estava sentindo tanta dor que eu queria morrer. NÃO! Eu não posso morrer! Eu preciso ficar viva pra poder me vingar dele. Eu não sabia como agüentaria a dor, mas eu teria que agüentar, eu não podia morrer. Eu queria viver, eu queria viver e acabar com ele. Nunca mais deixá-lo fazer isso comigo e nem com ninguém.
“Ela é forte” a garota riu ainda mais e ainda mais maldosa. “Pelo visto você não tem tão mal gosto assim, meu amor” ela disse calorosamente. Meu amor? Eles tinham mesmo um caso então.
“Lógico que não. Eu amo você, não é mesmo? Como poderia ter mal gosto?” certo. Aquilo foi o fim. Eu precisava ir até ele e arrancar a cabeça dele do pescoço. Mesmo sentindo muita dor eu me obriguei a levantar e consegui bem devagar e ainda sentindo a dor me consumindo.
“Seu... Filho... Da... Puta” eu falei com dificuldade. “Você... vai... me pagar” então eu caí de joelhos novamente sentindo mais dor ainda.
“Não resista sua idiota. Está quase acabando. Posso sentir sua vida indo embora” ela riu mais uma vez. Então eu abri meus olhos e ela estava com os lábios dela nos dele enquanto eu estava lá, morrendo na frente dele e ele não fazendo nada.
“Não!” eu gritei e então tudo ficou vermelho.
“Não! Era pra você estar morta. Como pode estar em pé? Não é possível” a garota dizia apavorada. Eu gostei disso.
“Yeah. Você me matou. Estou morta. Eu posso... Sentir muita coisa. Me sinto mais forte, me sinto poderosa. Yeah, eu gosto disso. Meu coração não bate mais” falei rindo lambendo os lábios.
“Betina?” o Miguel perguntou cauteloso.
“Cale a boca. Eu cuido de você mais tarde. Primeiro ela” então eu fui até a garota e ela tentou correr, mas eu a alcancei muito facilmente.
“Céus! Você é um demônio! Miguel, socorro! Socorro! Eu criei um demônio” ela disse em desespero.
“Se vira, não irei me meter. Eu avisei” ele deu de ombros mal ligando pra ela. Ele era mesmo um imbecil covarde que merecia sofrer.
“Morra!” falei pra ela e quebrei seu pescoço. Pude sentir todo um poder me invadindo. Eu estava sugando os poderes dela? Hum, gostei. “Agora você” eu disse olhando pra ele.
“Hei, calma. Você não vai me matar também né? Eu tentei proteger você, mas ela era um demônio, eu não tinha como lutar contra ela. Eu... Gosto de você, você sabe” ele disse nervoso.
“Tenho certeza que sim” então eu segurei o rosto dele entre minhas mãos e o beijei com toda a fome que eu sentia por ele. Depois que eu me afastei dele eu me senti ainda mais estranha. Quando eu vi um arco e flecha estava na minha mão. E a ponta da flecha era um rosa com brilho.
Quando eu olhei pra ele, ele ficou me olhando completamente apatetado. Que porra foi essa?
“Que foi?” eu perguntei com agora um certo nojo dele.
“Eu te amo” ele falou sorrindo com o sorriso que antes me fazia derreter.
“Problema é seu” respondi friamente. Eu o amava também. Eu sentia isso mais do que antigamente, porém alguma coisa mudou e eu não conseguia mais me entregar como antes.
“Não... O problema é nosso. Eu amo você e vou lutar por você. Você é o amor da minha vida, no tempo em que passamos separados pude perceber isso” as palavras dele me fizeram sentir aquela quentura de novo e eu sorri.
“Sei como é. Mas... Por sua causa eu morri e eu ainda tinha muita coisa pra viver. Por sua causa eu estou condenada a isso, seja lá o que isso significa” meu ódio por ele era muito, muito grande. Eu realmente tinha sido consumida por esse sentimento.
“Me desculpa, mas eu... Eu não pude impedir. Eu amo você” ele falou chegando perto e acariciando meu rosto.
“Tenho certeza que sim. Apesar de eu ainda amar você, não sinto mais vontade de fazer isso acontecer. Se eu estou condenada, você também está. Você irá passar o resto da sua vida sem amar mais ninguém além de mim, eu sou a sua alma gêmea e nunca irei retornar pra você porque eu estou amaldiçoada neste corpo” então eu olhei pra flecha em minha mão mais uma vez.
“Eu...” ele começou, porém se calou.
“Eu vou impedir todos os caras como você. Se quiserem fazer alguém sofrer por amor, terão que passar por cima de mim primeiro” ao dizer tais palavras eu senti a flecha pulsando em minhas mãos.
“E como pretende fazer isso? Você não tem o poder sobre isso” ele disse rindo. Eu fiquei com mais raiva ainda. Felizmente eu não precisei pensar muito e as palavras apenas fluíram de minha boca.
“Atirarei uma de minhas flechas e eles serão tomados por uma profunda paixão para a primeira pessoa da preferência de sua sexualidade que olharem” respondi firmemente. “Irei proporcionar a todos que eu puder, sentir o amor que nunca pude sentir” olhei pra ele tristemente.
Ele apenas ficou me olhando da mesma forma de volta. E eu sorri pra ele. Tentei tocar na mão dele, mas eu não consegui. Ele também tentou tocar na minha e não conseguiu. Então eu apenas estendi a ponta da flecha pra ele segurar e eu a segurei na outra. Não sei por quanto tempo ficamos assim nos olhando e desejando...
domingo, 22 de agosto de 2010
[Livro] Amor Celestial
Capitulo 2 – Conflitos
“Corra Ellen! Corra!” eu não reconhecia de quem era a voz, mas ao mesmo tempo ela me era familiar e calorosa. Eu não estava com um bom pressentimento, medo e pânico iam aos poucos tomando conta de mim. Tudo o que eu sabia era que eu precisava correr, não sei do que, e muito menos o porquê, eu apenas sabia que deveria correr. Era o que a voz me disse e o que eu estava fazendo.
Não fazia a mínima ideia de onde eu estava, com certeza eu não conhecia esse lugar e nem sabia como vim parar aqui, mas não importava. Era o que menos importava. Eu precisava fugir, precisava correr o mais rápido possível, o mais longe de... Quem? Não sei. Estava perto, se aproximando, eu podia sentir o perigo vindo. Não teria mais como eu escapar, tarde demais. Continuei correndo o máximo que eu podia, o mais rápido possível, mas logo fiquei cansada e parei. Apoiei minhas mãos em meus joelhos respirando pesado e arfando. Onde eu estava? Que lugar estranho era esse?
Quando levantei minha cabeça tudo o que vi foram ruazinhas estreitas, casas coloridas e... um cara, um cara de olhos vermelhos. Não vi sua cara, nem seu corpo, toda a sua imagem era como se fosse um borrão, tudo o que eu podia ver eram aqueles olhos vermelhos. Um vermelho vivo, tão vivo de dar medo, então os olhos vermelhos sumiram e a voz apareceu de novo.
“Corra Ellen! Fuja! Fuja! Agora! Sai daí! Se mexa, agora!” a voz disse e antes que eu pudesse me mexer o cara dos olhos vermelhos estava em frente a mim me olhando.
Então eu acordei. Eu estava caída no chão e todos os meus colegas em volta de mim, me olhando com curiosidade. Mais uma vez eu era a atração do circo, bela forma de começar o ano.
“Ellen! Ai meu deus. Graças a deus que você acordou, você nos deu um imenso susto” acordei com a Paulinha falando no meu ouvido, bom não exatamente, mas ela estava muito perto porque eu estava no colo dela e a voz dela estava muito alta.
“Tentando dar uma de bela adormecida pra vê se arranja alguém? Péssima ideia” esse menino é mesmo o maior idiota que eu conheço.
“Acha que preciso de truques que nem você pra arranjar alguém? Certamente que não Caduh. Consigo sem artimanhas ao contrario de você não?” rebati na mesma hora. Eu estava começando a me irritar com ele, de novo. Pra variar. Não dava pra eu arranjar mais uma briga hoje. Era o primeiro dia de aula! Nem parecia de tão agitado que foi. E ele ainda nem terminou.
“É garota, pelo visto está bem, tanto que já consegue se defender. Bom, voltem para seus lugares, por favor,” o professor nos disse enquanto me ajudava a levantar o que foi muito gentil da parte dele.
“Acha que pode assistir a aula?” ele perguntou claramente preocupado.
“Sim, posso. Estou bem, mesmo. Obrigada” dei meu melhor sorriso e fui para o meu lugar. Procurei pela aluna nova e não foi difícil achá-la. Ela havia sentado longe de todos e estava me encarando. Quando a encarei de volta ela desviou a cabeça olhando para o lado oposto, não sei se foi impressão minha, mas pude ver um sorriso em seu rosto.
“Quanto tempo fiquei desmaiada?” perguntei pra Gabi.
“Não sei ao certo, foi tudo tão rápido. Você caindo e tudo o mais, nos deu o maior susto sabia?” essa é boa, ela falando como se fosse culpa minha.
“Quanto tempo?” eu insisti. Eu sabia que ela deveria saber.
“Bom, uns 5 minutos se não estou errada. Por quê?” ela me perguntou preocupada, pela cara dela acha que eu fiquei louca.
“Nada. Eu só... Parecia estar dormindo e não desmaiada. Tive um sonho”
“Sonho? Que sonho?” a Paulinha perguntou arrastando a cadeira dela sutilmente para perto de nós.
“Bem, eu não sei ao certo. Foi muito confuso na verdade. Eu me lembro de estar correndo, eu estava com medo, assustada, confusa e não sei mais o que. Só sabia que tinha que correr” quando me dei conta a Leninha e a Talita também estavam perto de nós ouvindo o que eu falava enquanto fingiam prestar atenção no professor.
“Correr do que?” a Leninha perguntou preocupada.
“Eu... Não sei, não sabia. Só sabia que tinha que correr, o mais rápido possível, eu tentei, mas... Cansei logo”.
“Tá vendo? Quando eu digo pra vocês que preparo físico é importante e que não adianta estar no peso certo, temos que estar em forma, senão acontece isso aí, nem uma corridinha básica se agüenta, mas não. Eu sou a chata, alguém escuta a Leninha? Não, ninguém me escuta”.
“Acabou seu discurso Leninha?” a Talita disse pra ela e depois se virou pra mim. “Depois aconteceu o que?”
“Bom, aí eu parei de correr, parei pra descansar um pouco, sabem? Depois quando eu levantei a cabeça vi umas ruas bem estreitas, umas casas coloridas, mas não dava pra ver muito bem porque estava de noite e estava escuro e deserto. Então eu vi um cara longe de mim, bem longe...”
“Era bonito?”
“Talita! Larga de ser superficial”
“Ah Paulinha, você sabe, são detalhes importantes” ela deu de ombros.
“Não sei se era bonito, não vi seu rosto exatamente” respondi.
“Como não? Ele estava tão longe assim?” a Gabi perguntou.
“Não, é que... o rosto dele estava embaçado, tudo nele estava assim, todo seu corpo, menos...” eu parei. Dizer isso em volta alta soava muito esquisito.
“Menos...?” todas as quatro disseram juntas em coro.
“Menos os olhos. Os olhos dele eu me lembro muito bem, a única coisa nele que deu pra ver foram os olhos, só que... Os olhos dele não eram normais, eram vermelhos” eu terminei e fiquei esperando pela reação delas.
“Nossa. Vermelhos tipo alguns são azuis e outros verdes? Ou vermelhos de quando estamos com sono, chorando ou irritados?” a Leninha perguntou. Pergunta engraçada, ao menos eu achei. Eu sorri pra ela.
“Vermelhos como alguns são azuis e outros verdes” acenei com a cabeça.
“Sonho esquisitinho esse seu hein? Ainda mais desmaiada” a Talita disse rindo.
“Não tem graça Talita, dá pra parar de rir, por favor?” a Gabi estava bastante estressada. Acho que eu sabia o por quê, resumindo: Caduh!
“Ain calma aí, estressadinha” a Tali rebateu.
“Eu sempre disse que a Ellen é louca, ninguém me escuta tá vendo? Ellen, não me leve a mal, mas você é doida! Olhos vermelhos? Aiaiaiai. Esqueça isso, foi só um sonho esquisito. Ninguém tem olhos vermelhos, a não ser que sejam lente” a Gabi falou olhando pra mim.
“Gente, qual é, não disse que era real ou algo assim, foi só um sonho, coisas estranhas ocorrem em sonho o TEMPO TODO, vocês sabem. E o cara não usava lente, era mesmo os olhos dele, vermelhos” eu disse com certeza. Como eu sabia disso, nem me pergunte.
“Como sabe?” elas perguntaram. O que eu poderia responder? Dizer que eu simplesmente sabia? Não, eu não poderia, elas me achariam mais louca ainda. Ao invés de inventar algo para mentir, disse apenas a verdade. “Por que depois ele chegou bem perto de mim”
“Quão perto?” a Tali perguntou deslumbrada e empolgada. Depois eu que sou a maluca.
“Tão perto como alguém que iremos beijar” falando nisso, eu acho que foi o que me fez acordar, a proximidade daqueles olhos horripilantes, mas que por alguma razão não me davam medo.
“Ele beijou você?”
“Não! Claro que não, Gabi. Ele só chegou muito perto. Que foi quando eu acordei” eu disse.
“Isso tudo é realmente estranho meninas. Não sei se notaram, mas a Ellen desmaiou quando a aluna nova chegou e ela acordou assim que a garota se afastou. Só eu percebi isso?” a Leninha perguntou olhando pras meninas.
“Não, não vi nada disso Leninha, não viaja. Ok? Foi simplesmente coincidência a menina chegar e depois a Ellen desmaiar e a Ellen acordar na mesma hora que ela se afastou. Coincidência apenas. Não viagem!”
“Pode até ser Paulinha, mas Ellen... Tenha cuidado com essa menina nova, eu não confio nela e não vou com a cara dela”
“Nem eu” nós quatro, eu, a Paulinha, a Gabi e Tali fizemos coro.
“Pois é. Só tome cuidado Ellen, tem algo muito errado com aquela menina, não sei o que é, mas irei descobrir, prometo” a Leninha disse.
“É isso aí Leninha. Ninguém mexe com uma de nós e fica ilesa, aquela menina irá se ver conosco” a Tali apoiou.
“Gente! Muito obrigada mesmo, vocês sabem que eu amo vocês, mas não precisam fazer nada. Só... Fiquem de olhos abertos” eu disse tentando encerrar a questão quando então eu me lembrei de algo importante que eu não sabia. “Qual o nome dela?”
“Gabriela Monteiro, minha xará” a Gabi fez uma careta engraçada, como se pronunciar o nome da novata fosse um palavrão.
“Hum, Ok” eu disse sem saber ao certo o que dizer.
“Por quê?” a Tali perguntou estudando minha expressão.
“Nada demais, só achei que a conhecia de algum lugar, mas não conheço. Só... impressão”. Não era impressão minha, eu conhecia aquela menina. Só não me lembrava de onde.
“As meninas aí do fundo podem fazer o favor de repetir o que eu estava falando?” o professor interrompeu nossa conversa. Agora todos estavam olhando pra gente, sabendo certamente que não estávamos prestando atenção.
“Certamente que sim professor” então surpreendendo todo mundo a Leninha se levantou e foi até o quadro resolver uma questão que estava lá. Eu não entendi o porquê ela se levantou e nem as meninas, já que o professor só tinha dito para repetirmos o que ele falou e não pra alguém ir resolver o exercício.
“Prontinho professor, resolvido” ela disse sorrindo pra ele e vindo se juntar a nós.
“Bom turma, como a loirinha ali explicou...” ele continuou a aula dele como se nada tivesse acontecido e apenas decidiu ignorar o resto de nós quatro. Demos a Leninha um discreto obrigada e não falamos mais nada prestando atenção na aula.
Ao menos as meninas estavam, eu não. Algo naquela garota me perturbava. Eu sabia que a conhecia, mas de onde? Será que a Leninha estava certa sobre eu ter desmaiado por causa da garota nova? Não, claro que não, era imaginar um pouquinho demais.
“Bem turma, foi um prazer estar com vocês pela primeira vez no ano, nos vemos na próxima aula” assim que o Patrick disse isso a galera se levantou e foi embora. Todo mundo já havia arrumado a mochila menos a novata.
“Hei Ellen, vamos? O que está esperando?”. Uma das meninas me perguntou não sei qual delas, nem me dei ao trabalho de olhar quem foi. Eu simplesmente subi novamente as escadas da minha sala e quando eu entrei a aluna nova estava lá arrumando suas coisas.
“Oi” eu disse. Não fazia a mínima ideia de como começar conversas assim.
“Oi” ela respondeu sem nem olhar pra mim e continuou arrumando suas coisas. O oi dela não foi nenhum pouco caloroso ou indicador de que ela continuaria a conversa, pelo ao contrario, foi um oi que encerra conversas.
“Meu nome é Ellen” eu tentei começar pelas apresentações, mas fui interrompida por ela.
“Sei quem você é, você também sabe que eu sou. Eu não tenho tempo, tenho que ir, tchau, até mais” ela disse e saiu. Só que quando ela estava saindo se esbarrou em mim sem querer e de novo aquele arrepio passou por mim, mas ainda bem que dessa vez eu não desmaiei.
Mais uma vez com nosso esbarrão caiu algo dela, só que não fez barulho então ela nem voltou pra pegar e foi embora.
Eu fiquei a vendo sair da sala, para só então pegar o que havia caído. Era uma folha de papel reciclado, achei que não tivesse nada escrito, mas por fim eu vi o que estava escrito lá no finzinho da página, estava escrito meu nome.
Não faço a mínima ideia do porque ela escreveria meu nome assim numa pagina em branco e com uma letra tão pequena. Eu guardei o papel no bolso e desci as escadas pra encontrar com as meninas.
“Ah finalmente! Achávamos que nem viria mais. Tava fazendo o que?” alguém devia estar falando comigo, mas eu não consegui responder.
“Ellen! Acorda!” a Paulinha disse batendo palmas em frente aos meus olhos.
“Oi” eu disse por reflexo. “Eu estava... falando com a aluna nova”
“Com a Gabriela?”
“Ela mesma”
“Mas Ellen... Não vimos ninguém descer essas escadas além de você, estávamos aqui o tempo todo”
“Como assim ela não desceu?” perguntei confusa. Ela tinha descido, eu a vi descendo. Não exatamente né, mas não havia outro jeito dela ir embora. A não ser que ela tenha pulado a janela, o que eu acho bem difícil considerando que a janela deve ter uns cinco metros de altura até o chão.
“Não descendo Ellen! Pelo amor de deus! Você está perdendo o juízo, ficou impressionada demais, não escute as coisas que a Leninha diz, a Leninha acredita em qualquer coisa que disserem pra ela!”.
“Epa, epa Talita. Eu não acredito em qualquer coisa. Você que é cética, não me culpe por seu ceticismo, ok? Ellen... tem certeza que ela estava lá com você?”
“Gente claro que eu tenho. Eu até falei com ela”. Não sei como a tal da Gabriela havia escapado ou saído daqui, mas eu tenho certeza absoluta que falei com ela.
“O que ela disse?”. Estava bem claro no rosto de minhas amigas, tirando a Leninha, que elas achavam que eu era louca, ou então que eu estava imaginando coisas.
“Bem Paulinha... Eu disse “oi”, ela disse “oi”, aí eu fiquei olhando ela arrumar as coisas dela, depois eu disse “meu nome é Ellen” e ela disse que ela já sabia quem eu era e que eu também sabia quem era ela, então ela disse tchau e saiu” eu preferi omitir a parte do arrepio. Acho que elas não entenderiam, só a Leninha.
“Bom, ela não está errada né? Te falei mais cedo o nome dela, você perguntou, ela deve ter ouvido eu falando”
“É Gabi, talvez” respondi.
“Não acredito que estamos aqui até agora discutindo isso. Ellen serio me escuta, vá pra casa, relaxa, tome um belo banho, vá ler, ou escutar música nesse seu iPod como você sempre faz e esqueça essa menina, certo?” a Talita me disse, mas ela falou mais como se fosse minha mãe me dando bronca. Não gostei nenhum pouco do tom de voz dela.
“Tudo bem, tudo bem. Irei esquecer a novata, alias que novata?” eu disse sorrindo e elas riram aliviadas, todas elas, menos é claro, a Leninha.
“Nossas aulas já começaram... Mas ainda é a primeira semana, vamos aproveitar enquanto não estamos cheias de coisas pra fazer. Topam uma praia esse sábado? Depois da escola?”. Amei a sugestão da Paulinha, o que melhor pra esquecer os problemas que um banho de mar? Com certeza eu vou, até porque eu amo o sol, amo a areia, amo o mar.
“Eu to dentro” eu disse.
“Eu tambem, com certeza, estou precisando pegar um bronze, não posso ficar pálida” a Tali é sempre preocupada com sua cor, sempre atrás do tal bronze dela.
“Gabi? Você vai?” eu perguntei pra ela que ficou a calada a maior parte do tempo.
“Não sei meninas. Vocês sabem como minha mãe é, ainda mais agora que começou as aulas. Eu não sei se vai dar, se der eu vou, mas acho que ela nem vai deixar não” ela disse triste. Sabemos muito bem como a mãe da Gabi é, mal deixa a menina respirar sem ficar super em cima. A Gabi quase nunca sai com a gente porque a mãe não deixa.
“Ai gente, nem sei se vou não viu? Talvez essa semana eu conheça aquele primo da minha vizinha, lembram que falei pra vocês? Pois é, ele chega nessa sexta, aí sábado ela vai lá pra casa, já combinei tudo nos esquemas, só não marcamos a hora ainda. Então acho que nem dará pra mim, vocês sabem como a vida da Leninha aqui é ocupada né? Vocês tem que marcar na minha agenda com mais antecedência”.
“Ah cala a boca cabeçuda!” a Tali deu um tapa na cabeça da Leninha que saiu atrás dela pra pegá-la.
“Enquanto as duas crianças ali estão brincando, vamos andando. Meu primo vem me buscar hoje, meus pais vão sair juntos e eu vou ficar na casa dele”
“Seu primo Paulinha? Aquele seu primo? O Gato e maravilhoso?” perguntei.
“É, ele mesmo. Ele vem me buscar, acabou de comprar um carro”
“Opa! Hahahaha, adooron” eu disse rindo. Não sou Maria gasolina, nem nada, mas um cara com um carro simplifica algumas coisas.
“Qual o nome dele mesmo?” a Gabi perguntou.
“Felipe. O nome da peste é Felipe” a Paulinha olhando pra minha cara e a Gabi também.
“Ah obrigada” a Gabi respondeu agora as duas me olhando como se estivessem me lembrando de algo. Elas nem precisavam se dar ao trabalho de me lembrar algo que eu nunca esquecia, ou melhor, alguém que eu nunca esquecia.
“Por que estão me olhando assim? Eu lembro muito bem do Felipe certo? Mas posso fazer o que se ele nem quer saber de mim? Ele está afim da Bia! Vocês sabem... Não tenho o que fazer” o que era a verdade.
Eu amava o Lipe, amava mesmo. O Lipe é meu vizinho, meu colega de inglês, e o conheço praticamente desde que nasci. Quando eu era mais nova eu era apaixonada por ele e ele por mim. Quando a gente era criança costumávamos dizer que nós iríamos nos casar. Nossos pais até fizeram um vídeo disso.
O Lipe era aquele garoto gordinho da infância, que todo mundo gostava de zoar, e que quando cresceu, ou melhor, entrou na adolescência virou um gato. Como sempre teve problemas com seu peso, o Lipe começou a fazer dieta, entrou na academia e entrou pro time de futebol da escola. Ele é um ano mais velho que eu, ele está no segundo ano. Não é dos mais inteligentes, mas é super legal e eu gosto muito dele. Enfim, eu amo o Felipe, mas ele gosta de uma das minhas melhores amigas, não me sobra muito o que fazer.
“Ellen! Serio, pare de encarar as coisas assim. Poxa, você gosta desse cara há tanto tempo, não é justo isso”. Parando pra pensar realmente não é justo, mas quem disse que a vida é justa?
“Eu sei Paulinha, valeu pelo apoio meninas, mas bem, ele gosta da Bia, ele até me pediu ajuda com ela”. Nunca ouvir algo doeu tanto na minha vida, ouvir do cara que eu gostava que ele gostava da minha amiga e ainda me pedir ajuda com isso.
“Mas a Bia não tá afim do tal Miguel lá?”.
“É, eu acho. Bem, mais ou menos, ela não gosta dele, só está meio afim” eu não sabia realmente se ela gostava dele, pode ser que sim ou que não, até porque ela sempre comenta comigo sobre o quão gato o Felipe ficou.
“Cara eu não quero nunca passar por isso, tá vendo? Gostar de alguém pra que? Pra sofrer? Não valeu meninas, eu prefiro ficar só amando os meninos como amigos mesmo. To muito bem assim” não é que a Gabi talvez tenha razão?
“Me ensina como fazer isso então, porque eu realmente não consigo” como se esquece um primeiro amor? É possível?
“Paula! Hei anda logo, não tenho todo tempo do mundo e não sou seu motorista” o Felipe, primo da Paulinha, havia chegado.
“Já vou!” ela berrou de volta. “Bem meninas, tchau. Conferencia no MSN mais tarde, né? Avisem pra Leninha e a Tali que até agora não voltaram, beijos” ela disse e foi embora.
Um minuto de silêncio se estabeleceu entre eu e a Gabi, fiquei tão imersa em meus pensamentos sobre os acontecimentos de hoje e sobre a novata que nem percebi o silêncio, só fui notar quando a Gabi decidiu quebrá-lo.
“Olha El, eu sei que você ama mesmo esse cara e é desde sempre. Mas já parou pra pensar que pode está confundindo as coisas? Você pode o amarele como irmão...” antes que Gabi pudesse terminar eu a interrompi.
“Você sente vontade de beijar seu irmão?” perguntei.
“Bom, eu mesmo não. Mas você não tem laços sanguíneos com o Felipe. Escute, faça o que achar certo sobre essa historia dele e da Beatriz. Eu sei que você fará o melhor pra vocês três” ela sorriu.
“Não tenho tanta certeza. Ele...”
“Deve ser difícil abrir mão de um gato como ele. O estereotipo que quase toda menina quer não? Alto, cabelo lisinho, moreninho, malhado... Mas El, eu sei que se você ficasse mesmo com ele, você iria ver que não é o que você quer” como não? Esperei por isso minha vida toda!
“Eu... Vou pensar nisso, prometo. Olha as malucas vindo aí” então a Tali e a Leninha chegaram e quando elas iam começar a contar o porque demoraram tanto meu pai chegou vindo me buscar. Dei tchau pras meninas, o recado da Paulinha e fui embora.
Quando entrei no carro pra minha surpresa minha mãe e minha irmã mais nova, a Lara, também estavam e todos eles estavam super bem vestidos.
“Alguma festinha?” eles estavam bem arrumados até demais.
“Sim maninha! Mas você não vai, você vai ficar em casa, hahahaha!” antes que eu pudesse dizer algo minha mãe mandou a Lara ficar quieta.
“Ellen, você não vai. Mandei você arrumar seu quarto ontem e você não arrumou, portanto até que aquele quarto e principalmente seu guarda-roupa estejam arrumados, não irá sair a não ser pra escola e pro inglês. Levaremos você em casa, tem comida pra você lá” minha mãe me disse como se fosse ótimo pra mim. Todos eles vão pra uma festa e pelo visto de bacana menos eu, super maneiro.
“Festa de quem?” perguntei olhando pela janela fingindo pouco caso.
“Aniversario de uma amiga minha”
“E por que a pirralha vai?” perguntei chateada. Não era justo!
“Não fale assim da sua irmã Ellen” foi meu pai quem respondeu. “Ela vai porque ela fez o que mandamos e você não, assunto encerrado” ele disse pondo um fim na conversa, com meu pai não tinha discussão mesmo. “Chegamos. Tem comida, não esqueça de comer. Vá dormir cedo, amanhã você tem inglês não esqueça” ele disse eu abri a porta do carro e saltei e bati a porta do carro dele o mais forte que eu pude. Só deu pra ouvir meu pai reclamando comigo, mas eu nem liguei. Entrei em casa o mais rápido que eu pude, sabendo que mais tarde eu certamente iria ouvir poucas e boas dos dois. Pra piorar teria que agüentar a pirralha me enchendo o saco zoando com a minha cara.
Quando entrei a minha casa tava toda escura, eles saíram e desligaram todas as luzes, eu canso de pedir pra sempre deixar uma luz acesa, custa? Claro que custa! Esqueci que eles não são donos da Coelba. Odeio quando pergunto isso e eles respondem assim. Antes de eu ligar a luz senti um vulto atrás de mim e me virei rápido assustada, quando olhei graças a deus não era nada.
Só que quando eu virei pra frente novamente eu vi bem longe de mim o corpo de alguém parado me olhando. Não era ladrão, já teria feio alguma coisa, ladrões não iriam ficar parados do jeito que aquela pessoa estava.
Eu fiquei olhando só por uns instantes quando eu fui até o interruptor ligar a luz e a pessoa se virou pra ir embora, só deu tempo de eu ver que era uma mulher, pois os cabelos esvoaçaram com o movimento de retirada. Quando acendi a luz já não havia ninguém mais lá, havia ido embora.
Mas a pergunta que não quer calar, como havia entrado? Se tinha entrado podia muito bem voltar. Eu deveria ligar pros meus pais e avisar, mas eu sabia o que eles iriam pensar, que eu estava querendo chamar atenção, tirar ele da festa deles, não mesmo que eu iria ligar pra eles.
Resolvi ignorar isso também, eu não havia sentido medo isso que importa. A pessoa tinha ido embora, eu estava só em casa. Subi para o meu quarto e vi a bagunça que minha mãe falou. Realmente tava precisando de arrumação. Quando eu abri meu guarda-roupa pra tirar um roupa de lá varias caíram no chão.
“É Ellen, realmente você precisa arrumar seu quarto” falei comigo mesma. Então comecei a arrumar as coisas enquanto eu estava com disposição. Felizmente não demorei muito, mais ou menos uma hora até está tudo bonitinho no lugar, não duraria muito tempo assim, uma semana no máximo, mas eu ao menos conseguiria permissão pra ir a praia no sábado.
Assim que acabei toda a arrumação, fui tomar meu banho, comi e fui pro computador pra tal conferência no MSN que as meninas haviam combinado. Pra minha infelicidade a internet não estava pegando, eu cansei de ficar tentando, liguei meu iPod coloquei no aleatório e deitei, nem me lembro quando eu dormi.
“Corra Ellen! Corra!” eu não reconhecia de quem era a voz, mas ao mesmo tempo ela me era familiar e calorosa. Eu não estava com um bom pressentimento, medo e pânico iam aos poucos tomando conta de mim. Tudo o que eu sabia era que eu precisava correr, não sei do que, e muito menos o porquê, eu apenas sabia que deveria correr. Era o que a voz me disse e o que eu estava fazendo.
Não fazia a mínima ideia de onde eu estava, com certeza eu não conhecia esse lugar e nem sabia como vim parar aqui, mas não importava. Era o que menos importava. Eu precisava fugir, precisava correr o mais rápido possível, o mais longe de... Quem? Não sei. Estava perto, se aproximando, eu podia sentir o perigo vindo. Não teria mais como eu escapar, tarde demais. Continuei correndo o máximo que eu podia, o mais rápido possível, mas logo fiquei cansada e parei. Apoiei minhas mãos em meus joelhos respirando pesado e arfando. Onde eu estava? Que lugar estranho era esse?
Quando levantei minha cabeça tudo o que vi foram ruazinhas estreitas, casas coloridas e... um cara, um cara de olhos vermelhos. Não vi sua cara, nem seu corpo, toda a sua imagem era como se fosse um borrão, tudo o que eu podia ver eram aqueles olhos vermelhos. Um vermelho vivo, tão vivo de dar medo, então os olhos vermelhos sumiram e a voz apareceu de novo.
“Corra Ellen! Fuja! Fuja! Agora! Sai daí! Se mexa, agora!” a voz disse e antes que eu pudesse me mexer o cara dos olhos vermelhos estava em frente a mim me olhando.
Então eu acordei. Eu estava caída no chão e todos os meus colegas em volta de mim, me olhando com curiosidade. Mais uma vez eu era a atração do circo, bela forma de começar o ano.
“Ellen! Ai meu deus. Graças a deus que você acordou, você nos deu um imenso susto” acordei com a Paulinha falando no meu ouvido, bom não exatamente, mas ela estava muito perto porque eu estava no colo dela e a voz dela estava muito alta.
“Tentando dar uma de bela adormecida pra vê se arranja alguém? Péssima ideia” esse menino é mesmo o maior idiota que eu conheço.
“Acha que preciso de truques que nem você pra arranjar alguém? Certamente que não Caduh. Consigo sem artimanhas ao contrario de você não?” rebati na mesma hora. Eu estava começando a me irritar com ele, de novo. Pra variar. Não dava pra eu arranjar mais uma briga hoje. Era o primeiro dia de aula! Nem parecia de tão agitado que foi. E ele ainda nem terminou.
“É garota, pelo visto está bem, tanto que já consegue se defender. Bom, voltem para seus lugares, por favor,” o professor nos disse enquanto me ajudava a levantar o que foi muito gentil da parte dele.
“Acha que pode assistir a aula?” ele perguntou claramente preocupado.
“Sim, posso. Estou bem, mesmo. Obrigada” dei meu melhor sorriso e fui para o meu lugar. Procurei pela aluna nova e não foi difícil achá-la. Ela havia sentado longe de todos e estava me encarando. Quando a encarei de volta ela desviou a cabeça olhando para o lado oposto, não sei se foi impressão minha, mas pude ver um sorriso em seu rosto.
“Quanto tempo fiquei desmaiada?” perguntei pra Gabi.
“Não sei ao certo, foi tudo tão rápido. Você caindo e tudo o mais, nos deu o maior susto sabia?” essa é boa, ela falando como se fosse culpa minha.
“Quanto tempo?” eu insisti. Eu sabia que ela deveria saber.
“Bom, uns 5 minutos se não estou errada. Por quê?” ela me perguntou preocupada, pela cara dela acha que eu fiquei louca.
“Nada. Eu só... Parecia estar dormindo e não desmaiada. Tive um sonho”
“Sonho? Que sonho?” a Paulinha perguntou arrastando a cadeira dela sutilmente para perto de nós.
“Bem, eu não sei ao certo. Foi muito confuso na verdade. Eu me lembro de estar correndo, eu estava com medo, assustada, confusa e não sei mais o que. Só sabia que tinha que correr” quando me dei conta a Leninha e a Talita também estavam perto de nós ouvindo o que eu falava enquanto fingiam prestar atenção no professor.
“Correr do que?” a Leninha perguntou preocupada.
“Eu... Não sei, não sabia. Só sabia que tinha que correr, o mais rápido possível, eu tentei, mas... Cansei logo”.
“Tá vendo? Quando eu digo pra vocês que preparo físico é importante e que não adianta estar no peso certo, temos que estar em forma, senão acontece isso aí, nem uma corridinha básica se agüenta, mas não. Eu sou a chata, alguém escuta a Leninha? Não, ninguém me escuta”.
“Acabou seu discurso Leninha?” a Talita disse pra ela e depois se virou pra mim. “Depois aconteceu o que?”
“Bom, aí eu parei de correr, parei pra descansar um pouco, sabem? Depois quando eu levantei a cabeça vi umas ruas bem estreitas, umas casas coloridas, mas não dava pra ver muito bem porque estava de noite e estava escuro e deserto. Então eu vi um cara longe de mim, bem longe...”
“Era bonito?”
“Talita! Larga de ser superficial”
“Ah Paulinha, você sabe, são detalhes importantes” ela deu de ombros.
“Não sei se era bonito, não vi seu rosto exatamente” respondi.
“Como não? Ele estava tão longe assim?” a Gabi perguntou.
“Não, é que... o rosto dele estava embaçado, tudo nele estava assim, todo seu corpo, menos...” eu parei. Dizer isso em volta alta soava muito esquisito.
“Menos...?” todas as quatro disseram juntas em coro.
“Menos os olhos. Os olhos dele eu me lembro muito bem, a única coisa nele que deu pra ver foram os olhos, só que... Os olhos dele não eram normais, eram vermelhos” eu terminei e fiquei esperando pela reação delas.
“Nossa. Vermelhos tipo alguns são azuis e outros verdes? Ou vermelhos de quando estamos com sono, chorando ou irritados?” a Leninha perguntou. Pergunta engraçada, ao menos eu achei. Eu sorri pra ela.
“Vermelhos como alguns são azuis e outros verdes” acenei com a cabeça.
“Sonho esquisitinho esse seu hein? Ainda mais desmaiada” a Talita disse rindo.
“Não tem graça Talita, dá pra parar de rir, por favor?” a Gabi estava bastante estressada. Acho que eu sabia o por quê, resumindo: Caduh!
“Ain calma aí, estressadinha” a Tali rebateu.
“Eu sempre disse que a Ellen é louca, ninguém me escuta tá vendo? Ellen, não me leve a mal, mas você é doida! Olhos vermelhos? Aiaiaiai. Esqueça isso, foi só um sonho esquisito. Ninguém tem olhos vermelhos, a não ser que sejam lente” a Gabi falou olhando pra mim.
“Gente, qual é, não disse que era real ou algo assim, foi só um sonho, coisas estranhas ocorrem em sonho o TEMPO TODO, vocês sabem. E o cara não usava lente, era mesmo os olhos dele, vermelhos” eu disse com certeza. Como eu sabia disso, nem me pergunte.
“Como sabe?” elas perguntaram. O que eu poderia responder? Dizer que eu simplesmente sabia? Não, eu não poderia, elas me achariam mais louca ainda. Ao invés de inventar algo para mentir, disse apenas a verdade. “Por que depois ele chegou bem perto de mim”
“Quão perto?” a Tali perguntou deslumbrada e empolgada. Depois eu que sou a maluca.
“Tão perto como alguém que iremos beijar” falando nisso, eu acho que foi o que me fez acordar, a proximidade daqueles olhos horripilantes, mas que por alguma razão não me davam medo.
“Ele beijou você?”
“Não! Claro que não, Gabi. Ele só chegou muito perto. Que foi quando eu acordei” eu disse.
“Isso tudo é realmente estranho meninas. Não sei se notaram, mas a Ellen desmaiou quando a aluna nova chegou e ela acordou assim que a garota se afastou. Só eu percebi isso?” a Leninha perguntou olhando pras meninas.
“Não, não vi nada disso Leninha, não viaja. Ok? Foi simplesmente coincidência a menina chegar e depois a Ellen desmaiar e a Ellen acordar na mesma hora que ela se afastou. Coincidência apenas. Não viagem!”
“Pode até ser Paulinha, mas Ellen... Tenha cuidado com essa menina nova, eu não confio nela e não vou com a cara dela”
“Nem eu” nós quatro, eu, a Paulinha, a Gabi e Tali fizemos coro.
“Pois é. Só tome cuidado Ellen, tem algo muito errado com aquela menina, não sei o que é, mas irei descobrir, prometo” a Leninha disse.
“É isso aí Leninha. Ninguém mexe com uma de nós e fica ilesa, aquela menina irá se ver conosco” a Tali apoiou.
“Gente! Muito obrigada mesmo, vocês sabem que eu amo vocês, mas não precisam fazer nada. Só... Fiquem de olhos abertos” eu disse tentando encerrar a questão quando então eu me lembrei de algo importante que eu não sabia. “Qual o nome dela?”
“Gabriela Monteiro, minha xará” a Gabi fez uma careta engraçada, como se pronunciar o nome da novata fosse um palavrão.
“Hum, Ok” eu disse sem saber ao certo o que dizer.
“Por quê?” a Tali perguntou estudando minha expressão.
“Nada demais, só achei que a conhecia de algum lugar, mas não conheço. Só... impressão”. Não era impressão minha, eu conhecia aquela menina. Só não me lembrava de onde.
“As meninas aí do fundo podem fazer o favor de repetir o que eu estava falando?” o professor interrompeu nossa conversa. Agora todos estavam olhando pra gente, sabendo certamente que não estávamos prestando atenção.
“Certamente que sim professor” então surpreendendo todo mundo a Leninha se levantou e foi até o quadro resolver uma questão que estava lá. Eu não entendi o porquê ela se levantou e nem as meninas, já que o professor só tinha dito para repetirmos o que ele falou e não pra alguém ir resolver o exercício.
“Prontinho professor, resolvido” ela disse sorrindo pra ele e vindo se juntar a nós.
“Bom turma, como a loirinha ali explicou...” ele continuou a aula dele como se nada tivesse acontecido e apenas decidiu ignorar o resto de nós quatro. Demos a Leninha um discreto obrigada e não falamos mais nada prestando atenção na aula.
Ao menos as meninas estavam, eu não. Algo naquela garota me perturbava. Eu sabia que a conhecia, mas de onde? Será que a Leninha estava certa sobre eu ter desmaiado por causa da garota nova? Não, claro que não, era imaginar um pouquinho demais.
“Bem turma, foi um prazer estar com vocês pela primeira vez no ano, nos vemos na próxima aula” assim que o Patrick disse isso a galera se levantou e foi embora. Todo mundo já havia arrumado a mochila menos a novata.
“Hei Ellen, vamos? O que está esperando?”. Uma das meninas me perguntou não sei qual delas, nem me dei ao trabalho de olhar quem foi. Eu simplesmente subi novamente as escadas da minha sala e quando eu entrei a aluna nova estava lá arrumando suas coisas.
“Oi” eu disse. Não fazia a mínima ideia de como começar conversas assim.
“Oi” ela respondeu sem nem olhar pra mim e continuou arrumando suas coisas. O oi dela não foi nenhum pouco caloroso ou indicador de que ela continuaria a conversa, pelo ao contrario, foi um oi que encerra conversas.
“Meu nome é Ellen” eu tentei começar pelas apresentações, mas fui interrompida por ela.
“Sei quem você é, você também sabe que eu sou. Eu não tenho tempo, tenho que ir, tchau, até mais” ela disse e saiu. Só que quando ela estava saindo se esbarrou em mim sem querer e de novo aquele arrepio passou por mim, mas ainda bem que dessa vez eu não desmaiei.
Mais uma vez com nosso esbarrão caiu algo dela, só que não fez barulho então ela nem voltou pra pegar e foi embora.
Eu fiquei a vendo sair da sala, para só então pegar o que havia caído. Era uma folha de papel reciclado, achei que não tivesse nada escrito, mas por fim eu vi o que estava escrito lá no finzinho da página, estava escrito meu nome.
Não faço a mínima ideia do porque ela escreveria meu nome assim numa pagina em branco e com uma letra tão pequena. Eu guardei o papel no bolso e desci as escadas pra encontrar com as meninas.
“Ah finalmente! Achávamos que nem viria mais. Tava fazendo o que?” alguém devia estar falando comigo, mas eu não consegui responder.
“Ellen! Acorda!” a Paulinha disse batendo palmas em frente aos meus olhos.
“Oi” eu disse por reflexo. “Eu estava... falando com a aluna nova”
“Com a Gabriela?”
“Ela mesma”
“Mas Ellen... Não vimos ninguém descer essas escadas além de você, estávamos aqui o tempo todo”
“Como assim ela não desceu?” perguntei confusa. Ela tinha descido, eu a vi descendo. Não exatamente né, mas não havia outro jeito dela ir embora. A não ser que ela tenha pulado a janela, o que eu acho bem difícil considerando que a janela deve ter uns cinco metros de altura até o chão.
“Não descendo Ellen! Pelo amor de deus! Você está perdendo o juízo, ficou impressionada demais, não escute as coisas que a Leninha diz, a Leninha acredita em qualquer coisa que disserem pra ela!”.
“Epa, epa Talita. Eu não acredito em qualquer coisa. Você que é cética, não me culpe por seu ceticismo, ok? Ellen... tem certeza que ela estava lá com você?”
“Gente claro que eu tenho. Eu até falei com ela”. Não sei como a tal da Gabriela havia escapado ou saído daqui, mas eu tenho certeza absoluta que falei com ela.
“O que ela disse?”. Estava bem claro no rosto de minhas amigas, tirando a Leninha, que elas achavam que eu era louca, ou então que eu estava imaginando coisas.
“Bem Paulinha... Eu disse “oi”, ela disse “oi”, aí eu fiquei olhando ela arrumar as coisas dela, depois eu disse “meu nome é Ellen” e ela disse que ela já sabia quem eu era e que eu também sabia quem era ela, então ela disse tchau e saiu” eu preferi omitir a parte do arrepio. Acho que elas não entenderiam, só a Leninha.
“Bom, ela não está errada né? Te falei mais cedo o nome dela, você perguntou, ela deve ter ouvido eu falando”
“É Gabi, talvez” respondi.
“Não acredito que estamos aqui até agora discutindo isso. Ellen serio me escuta, vá pra casa, relaxa, tome um belo banho, vá ler, ou escutar música nesse seu iPod como você sempre faz e esqueça essa menina, certo?” a Talita me disse, mas ela falou mais como se fosse minha mãe me dando bronca. Não gostei nenhum pouco do tom de voz dela.
“Tudo bem, tudo bem. Irei esquecer a novata, alias que novata?” eu disse sorrindo e elas riram aliviadas, todas elas, menos é claro, a Leninha.
“Nossas aulas já começaram... Mas ainda é a primeira semana, vamos aproveitar enquanto não estamos cheias de coisas pra fazer. Topam uma praia esse sábado? Depois da escola?”. Amei a sugestão da Paulinha, o que melhor pra esquecer os problemas que um banho de mar? Com certeza eu vou, até porque eu amo o sol, amo a areia, amo o mar.
“Eu to dentro” eu disse.
“Eu tambem, com certeza, estou precisando pegar um bronze, não posso ficar pálida” a Tali é sempre preocupada com sua cor, sempre atrás do tal bronze dela.
“Gabi? Você vai?” eu perguntei pra ela que ficou a calada a maior parte do tempo.
“Não sei meninas. Vocês sabem como minha mãe é, ainda mais agora que começou as aulas. Eu não sei se vai dar, se der eu vou, mas acho que ela nem vai deixar não” ela disse triste. Sabemos muito bem como a mãe da Gabi é, mal deixa a menina respirar sem ficar super em cima. A Gabi quase nunca sai com a gente porque a mãe não deixa.
“Ai gente, nem sei se vou não viu? Talvez essa semana eu conheça aquele primo da minha vizinha, lembram que falei pra vocês? Pois é, ele chega nessa sexta, aí sábado ela vai lá pra casa, já combinei tudo nos esquemas, só não marcamos a hora ainda. Então acho que nem dará pra mim, vocês sabem como a vida da Leninha aqui é ocupada né? Vocês tem que marcar na minha agenda com mais antecedência”.
“Ah cala a boca cabeçuda!” a Tali deu um tapa na cabeça da Leninha que saiu atrás dela pra pegá-la.
“Enquanto as duas crianças ali estão brincando, vamos andando. Meu primo vem me buscar hoje, meus pais vão sair juntos e eu vou ficar na casa dele”
“Seu primo Paulinha? Aquele seu primo? O Gato e maravilhoso?” perguntei.
“É, ele mesmo. Ele vem me buscar, acabou de comprar um carro”
“Opa! Hahahaha, adooron” eu disse rindo. Não sou Maria gasolina, nem nada, mas um cara com um carro simplifica algumas coisas.
“Qual o nome dele mesmo?” a Gabi perguntou.
“Felipe. O nome da peste é Felipe” a Paulinha olhando pra minha cara e a Gabi também.
“Ah obrigada” a Gabi respondeu agora as duas me olhando como se estivessem me lembrando de algo. Elas nem precisavam se dar ao trabalho de me lembrar algo que eu nunca esquecia, ou melhor, alguém que eu nunca esquecia.
“Por que estão me olhando assim? Eu lembro muito bem do Felipe certo? Mas posso fazer o que se ele nem quer saber de mim? Ele está afim da Bia! Vocês sabem... Não tenho o que fazer” o que era a verdade.
Eu amava o Lipe, amava mesmo. O Lipe é meu vizinho, meu colega de inglês, e o conheço praticamente desde que nasci. Quando eu era mais nova eu era apaixonada por ele e ele por mim. Quando a gente era criança costumávamos dizer que nós iríamos nos casar. Nossos pais até fizeram um vídeo disso.
O Lipe era aquele garoto gordinho da infância, que todo mundo gostava de zoar, e que quando cresceu, ou melhor, entrou na adolescência virou um gato. Como sempre teve problemas com seu peso, o Lipe começou a fazer dieta, entrou na academia e entrou pro time de futebol da escola. Ele é um ano mais velho que eu, ele está no segundo ano. Não é dos mais inteligentes, mas é super legal e eu gosto muito dele. Enfim, eu amo o Felipe, mas ele gosta de uma das minhas melhores amigas, não me sobra muito o que fazer.
“Ellen! Serio, pare de encarar as coisas assim. Poxa, você gosta desse cara há tanto tempo, não é justo isso”. Parando pra pensar realmente não é justo, mas quem disse que a vida é justa?
“Eu sei Paulinha, valeu pelo apoio meninas, mas bem, ele gosta da Bia, ele até me pediu ajuda com ela”. Nunca ouvir algo doeu tanto na minha vida, ouvir do cara que eu gostava que ele gostava da minha amiga e ainda me pedir ajuda com isso.
“Mas a Bia não tá afim do tal Miguel lá?”.
“É, eu acho. Bem, mais ou menos, ela não gosta dele, só está meio afim” eu não sabia realmente se ela gostava dele, pode ser que sim ou que não, até porque ela sempre comenta comigo sobre o quão gato o Felipe ficou.
“Cara eu não quero nunca passar por isso, tá vendo? Gostar de alguém pra que? Pra sofrer? Não valeu meninas, eu prefiro ficar só amando os meninos como amigos mesmo. To muito bem assim” não é que a Gabi talvez tenha razão?
“Me ensina como fazer isso então, porque eu realmente não consigo” como se esquece um primeiro amor? É possível?
“Paula! Hei anda logo, não tenho todo tempo do mundo e não sou seu motorista” o Felipe, primo da Paulinha, havia chegado.
“Já vou!” ela berrou de volta. “Bem meninas, tchau. Conferencia no MSN mais tarde, né? Avisem pra Leninha e a Tali que até agora não voltaram, beijos” ela disse e foi embora.
Um minuto de silêncio se estabeleceu entre eu e a Gabi, fiquei tão imersa em meus pensamentos sobre os acontecimentos de hoje e sobre a novata que nem percebi o silêncio, só fui notar quando a Gabi decidiu quebrá-lo.
“Olha El, eu sei que você ama mesmo esse cara e é desde sempre. Mas já parou pra pensar que pode está confundindo as coisas? Você pode o amarele como irmão...” antes que Gabi pudesse terminar eu a interrompi.
“Você sente vontade de beijar seu irmão?” perguntei.
“Bom, eu mesmo não. Mas você não tem laços sanguíneos com o Felipe. Escute, faça o que achar certo sobre essa historia dele e da Beatriz. Eu sei que você fará o melhor pra vocês três” ela sorriu.
“Não tenho tanta certeza. Ele...”
“Deve ser difícil abrir mão de um gato como ele. O estereotipo que quase toda menina quer não? Alto, cabelo lisinho, moreninho, malhado... Mas El, eu sei que se você ficasse mesmo com ele, você iria ver que não é o que você quer” como não? Esperei por isso minha vida toda!
“Eu... Vou pensar nisso, prometo. Olha as malucas vindo aí” então a Tali e a Leninha chegaram e quando elas iam começar a contar o porque demoraram tanto meu pai chegou vindo me buscar. Dei tchau pras meninas, o recado da Paulinha e fui embora.
Quando entrei no carro pra minha surpresa minha mãe e minha irmã mais nova, a Lara, também estavam e todos eles estavam super bem vestidos.
“Alguma festinha?” eles estavam bem arrumados até demais.
“Sim maninha! Mas você não vai, você vai ficar em casa, hahahaha!” antes que eu pudesse dizer algo minha mãe mandou a Lara ficar quieta.
“Ellen, você não vai. Mandei você arrumar seu quarto ontem e você não arrumou, portanto até que aquele quarto e principalmente seu guarda-roupa estejam arrumados, não irá sair a não ser pra escola e pro inglês. Levaremos você em casa, tem comida pra você lá” minha mãe me disse como se fosse ótimo pra mim. Todos eles vão pra uma festa e pelo visto de bacana menos eu, super maneiro.
“Festa de quem?” perguntei olhando pela janela fingindo pouco caso.
“Aniversario de uma amiga minha”
“E por que a pirralha vai?” perguntei chateada. Não era justo!
“Não fale assim da sua irmã Ellen” foi meu pai quem respondeu. “Ela vai porque ela fez o que mandamos e você não, assunto encerrado” ele disse pondo um fim na conversa, com meu pai não tinha discussão mesmo. “Chegamos. Tem comida, não esqueça de comer. Vá dormir cedo, amanhã você tem inglês não esqueça” ele disse eu abri a porta do carro e saltei e bati a porta do carro dele o mais forte que eu pude. Só deu pra ouvir meu pai reclamando comigo, mas eu nem liguei. Entrei em casa o mais rápido que eu pude, sabendo que mais tarde eu certamente iria ouvir poucas e boas dos dois. Pra piorar teria que agüentar a pirralha me enchendo o saco zoando com a minha cara.
Quando entrei a minha casa tava toda escura, eles saíram e desligaram todas as luzes, eu canso de pedir pra sempre deixar uma luz acesa, custa? Claro que custa! Esqueci que eles não são donos da Coelba. Odeio quando pergunto isso e eles respondem assim. Antes de eu ligar a luz senti um vulto atrás de mim e me virei rápido assustada, quando olhei graças a deus não era nada.
Só que quando eu virei pra frente novamente eu vi bem longe de mim o corpo de alguém parado me olhando. Não era ladrão, já teria feio alguma coisa, ladrões não iriam ficar parados do jeito que aquela pessoa estava.
Eu fiquei olhando só por uns instantes quando eu fui até o interruptor ligar a luz e a pessoa se virou pra ir embora, só deu tempo de eu ver que era uma mulher, pois os cabelos esvoaçaram com o movimento de retirada. Quando acendi a luz já não havia ninguém mais lá, havia ido embora.
Mas a pergunta que não quer calar, como havia entrado? Se tinha entrado podia muito bem voltar. Eu deveria ligar pros meus pais e avisar, mas eu sabia o que eles iriam pensar, que eu estava querendo chamar atenção, tirar ele da festa deles, não mesmo que eu iria ligar pra eles.
Resolvi ignorar isso também, eu não havia sentido medo isso que importa. A pessoa tinha ido embora, eu estava só em casa. Subi para o meu quarto e vi a bagunça que minha mãe falou. Realmente tava precisando de arrumação. Quando eu abri meu guarda-roupa pra tirar um roupa de lá varias caíram no chão.
“É Ellen, realmente você precisa arrumar seu quarto” falei comigo mesma. Então comecei a arrumar as coisas enquanto eu estava com disposição. Felizmente não demorei muito, mais ou menos uma hora até está tudo bonitinho no lugar, não duraria muito tempo assim, uma semana no máximo, mas eu ao menos conseguiria permissão pra ir a praia no sábado.
Assim que acabei toda a arrumação, fui tomar meu banho, comi e fui pro computador pra tal conferência no MSN que as meninas haviam combinado. Pra minha infelicidade a internet não estava pegando, eu cansei de ficar tentando, liguei meu iPod coloquei no aleatório e deitei, nem me lembro quando eu dormi.
[Livro] Amor Celestial
Esse é o primeiro capítulo de um possível livro meu. Espero que gostem ;)
Capitulo 1 – Apresentação
Autobiografia por Ellen M.
Meu nome é Ellen, tenho 15 anos e estou cursando o primeiro ano do Ensino Médio no colégio Instituto Nossa Senhora da Piedade.
Não sou alguém muito interessante por isso não tenho o que escrever.
O que eu mais gosto de fazer é ficar deitada na minha cama escutando musica no meu Ipod. O que eu odeio fazer é tarefa domestica, qualquer uma.
Minhas matérias prediletas são Química, Física e Biologia. Detesto Matemática, Português e Geografia. O resto eu suporto.
Meu livro predileto é...
Eu mal comecei a escrever e já estava cansada. A professora de redação nos mandou escrever uma curta autobiografia pra que ela pudesse nos conhecer melhor. Fala serio eu não sei o que se passa na cabeça de uma pessoa que pede isso. Ao menos é melhor do que pedir que a gente vá lá à frente se apresentar.
Essa é a primeira aula de redação do ano. A professora chegou aqui atrasada com uns papeis na mão distribuiu por toda a sala e no papel dizia o que teríamos que fazer. Ela mandou incluir o que mais gostamos de fazer, o que não gostamos, a nossa maior qualidade, nosso maior defeito, nosso tipo de livro, o tipo de livro que não gostamos e etc. Eu não faço a mínima idéia do meu maior defeito ou de minha maior qualidade. Nunca parei pra pensar nisso.
“Ei Gabi!” preciso de ajuda nisso aqui. A Gabi gosta bastante de escrever, então ela pode me dar uma mãozinha.
“Oi, diga”.
“Cara eu realmente não sei fazer isso. Autobiografia?” olhei pra ela pedindo socorro. Isso é extremamente chato e se continuar assim vou acabar perdendo em redação.
“Ai meu deus. Não faça essa cara, redação é importante e...” eu a interrompi. Não estava com saco de mais um daqueles discursos do quão importante é ser boa em redação.
“Eu sei, eu sei. Dá pra me ajudar?”
“Você ao menos começou?”
“Sim, olha aqui” passei meu caderno pra ela. Ela lê extremamente rápido e eu fiquei impressionada ela mal olhou o caderno e já me devolveu.
“Seu texto está completamente solto. Você precisa aprender a ligar seu texto. É como numa conversa sabe? O que você está fazendo aí é só respondendo aleatoriamente as perguntas da professora. Faz assim... Imagina que está se apresentando pra algum gato, ele não te conhece e quer te conhecer, mas a única maneira de você falar com ele é escrevendo” ela piscou pra mim e voltou a fazer o dela.
Devo dizer que essa dica dela é realmente boa. Agora fica bem mais fácil fazer esse negocio.
“Obrigada” agradeci. Ela salvou minha pele porque a louca da professora disse que isso vale dois pontos! Que absurdo.
“Mas ei Gabi, mais uma coisa. Qual meu maior defeito?”
“Hum, que você não cala a boca?” ok, ok já saquei.
“Huh, ok. E minha maior qualidade?” insisti.
“Fidelidade eu acho. Não sei, porque não pergunta a uma das meninas? Agora deixa eu fazer isso aqui antes que eu perca meus dois pontos”.
“Ok desculpa. E valeu pela ajuda”
“De nada, de nada”. Ela respondeu impacientemente.
Eu olhei ao redor e as meninas estavam todas concentradas fazendo suas autobiografias. Impressão minha ou sou a única pessoa com dificuldade nisso? Está todo mundo com a cabeça abaixada escrevendo, resta saber se é a autobiografia mesmo né. Deve ser porque isso vale dois pontos. DOIS PONTOS! Absurdo.
Quando eu finalmente decidi voltar a escrever a Gabi levantou e entregou a autobiografia dela. Foi a primeira da sala. A professora olhou surpresa e começou a ler a autobiografia da Gabi enquanto ela voltava a sentar.
“Caramba. Você é rápida mesmo hein?”. Enquanto eu preciso urgentemente de ajuda.
“Conseguiu fazer?”
“Er, na verdade não. Ajuda?”
“Vem cá. Junta sua cadeira com a minha”
“Eba! Valeu! Você é um anjo” ela sorriu.
Então a Gabi começou a me ajudar com a minha autobiografia e me deu outros macetes de como interligar as frases de um texto. Ela realmente manja disso.
Quando acabei finalmente a minha autobiografia, revisada pela Gabi, a aula faltava uns 5 minutos pra acabar. Faltava umas sete pessoas acabarem. O restante estava conversando, ouvindo musica em seus Ipods, tirando foto... Os novatos, alguns deles na verdade, estavam apenas observando a galera e com aquele olhar de “eu quero fazer parte disto”.
Sempre morei minha vida toda aqui em Ilhéus. Sempre estudei aqui no Piedade então nem sei como é ser novato, mas imagino que não deve ser muito legal.
As meninas estavam num canto conversando e eu sorri ao vê-las. Essa é a melhor coisa do colégio cara, meus amigos. Eu fico tão feliz quando estamos juntas, não sei explicar, é legal demais. Junto com elas estavam o Alex, o Ricardo e o Antonio. Essa era minha galera.
Eu, a Gabi, a Leninha, a Paulinha e a Talita formamos um grupo. Incrivelmente também somos a seleção do colégio de vôlei, nós e mais uma menina do terceiro ano. Eu e minhas amigas somos tão iguais ao mesmo tempo somos tão diferentes.
Todas nós jogamos vôlei e jogamos bem. Todas nós gostamos de dançar e ir pra uma boa festa. Algumas pessoas até dizem que falamos e andamos parecido. Talvez seja, a convivência faz um pouco disso. Acho que a semelhança pára por aí. Pensamos, agimos e nos vestimos diferente.
A Paulinha, por exemplo, é aquela que se veste de acordo com a moda. O estilo dela é o que está na moda. Incrivelmente as roupas sempre caem muito bem nela.
A Leninha é aquela que tem aquele jeitinho romântico. Jeans com sapato boneca e uma blusinha fofa por cima ou então vestidinhos.
A Talita gosta de se vestir pra chamar a atenção. Ela realmente tem estilo e combina as roupas muito bem. Ela gosta mesmo é dos brilhos. Qualquer coisa que seja diferente ou que tenha brilho ela adora. O lance é chamar a atenção.
A Gabi se veste de acordo com o ambiente. Ela é despojada e tem um estilo básico. Na maioria das vezes ta com jeans e uma camiseta maneira. Ela realmente ama jeans.
Quanto a mim... Sou totalmente eclética com esse lance de roupa. Na verdade depende do meu humor no dia. Às vezes quero vestir um vestido super fofo, às vezes quero me vestir como alguém antigo, enfim vario bastante. Meu estilo vai desde o gótico até o vintage. Eu amo todos.
Quando eu visto vintage a Paulinha pira comigo. Ela diz que eu devia me vestir de acordo com a minha época e não como se eu vivesse no passado, eu tentei explicar pra ela que é um estilo, mas ela simplesmente não entende então eu desisti de tentar explicar. Às vezes algumas peças vintage entram na moda e a Paulinha passa a usar, eu fico zoando ela dizendo que ela está vestindo roupa antiga também, mas ela vem com o papinho de que está na moda. Ela não muda, não tem jeito.
“Bem meninos pra terminar eu gostaria de propor uma coisa a vocês” a professora falou tão do nada que me pegou de surpresa. “Eu comecei a ler algumas autobiografias e vi que muitos de vocês tiveram dificuldades” ha, eu não fui a única! “Uma em especial me impressionou bastante. Não apenas pela forma sucinta, mas pela forma do texto. Esse texto foi da...” ela olhou para a folha em suas mãos “Gabriella Nascimento”.
Ha novidade! A Gabi é realmente muito boa. “Junto com a Gabriella e com alguns outros, eu gostaria de fazer um trabalho monitorado com vocês. As pessoas com facilidades irão ajudá-los. Vocês formarão grupos de oito pessoas e um deles será o líder, o monitor. Vocês escolhem ou eu escolho?” o que é claro a turma respondeu uniformemente “A gente escolhe!”. Qual o tipo de aluno prefere que o professor escolha?
“Muito bem, muito bem. Formem os grupos e passem os nomes pra Gabriella, tudo bem Gabi?” ela acenou confirmando e a professora se foi.
“Nós cinco e quem mais?” não sei o porquê da pergunta da Leninha, mas pra mim era bem obvio qual o grupo.
“Os meninos. Vou falar com eles” a Talita disse e foi falar com os meninos.
Sempre quando algum professor sai da sala para a troca de aulas a galera sai em peso da sala, hoje por um milagre todo mundo ficou na sala, provavelmente pra terminar de escolher os grupos.
Todos estavam tão entretidos em suas conversas que acham que nem perceberam que na verdade não era o sino de final de aula e sim o do intervalo. As meninas também estavam rindo com alguma coisa que os meninos estavam falando e eu não estava tão no clima assim, então eu simplesmente desci as escada e fui pra cantina.
Foi tão bom aquela sensação de “estou de volta”, ver a cantina, aquela confusão de todo mundo gritando e falando ao mesmo tempo tentando conseguir pegar seu lanche. Aquela fila imensa que faz qualquer ser desistir só de olhar. Coisas que com o passar do ano não agüentamos mais, mas que me fez sentir falta nas férias.
Liguei meu Ipod e fiquei escutando músicas da Beyonce enquanto esperava. Finalmente quando chegou minha vez peguei as fichas e fui pra luta de conseguir um lanche, felizmente pra minha sorte cheguei lá e consegui ser atendida rapidamente. Pedi um cachorro-quente com tudo e uma coca-cola.
“Obrigada” disse sorrindo para a tia da cantina.
“De nada querida. Você é sempre tão educada...” ela disse sonhadoramente pra mim. Cada louco com sua maluquice né? Eu agradeci, peguei meu lanche e antes que eu pudesse me virar sentir um par de braças me envolvendo.
Não fazia a mínima idéia de quem era o engraçadinho que estava se aproveitando da situação. Me virei rápido tentando me sair do abraço do engraçadinho já preparada para falar umas poucas e boas para ele, quando que pra minha surpresa o cara que tinha me abraçado era ninguém menos que Tiago Lima.
O que esse cara estava fazendo poucos minutos atrás é uma excelente pergunta. Pra inicio de conversa ele tem namorada e é extremamente lindo. Eu não costumo ficar sem reação ou ficar sem saber o que dizer mesmo que com quem eu esteja falando seja um gato total. No entanto fui tomada pela surpresa e fiquei meio sem reação enquanto ele sorria pra mim e dizia alguma coisa que obviamente eu não estava escutando por causa do barulho do Ipod.
“Acho melhor ficar sem isto” ele disse retirando um dos fones da minha orelha. “Desculpe pelo abraço, achei que fosse a Rafa, mas tudo bem por você né? Não vai ficar pirada não, vai?” ele piscou pra mim.
“Hum, não. Tudo ok” eu disse mal sabendo o que eu estava falando.
“Valeu. Desculpa de novo. Opa! Lá vem a Rafa e ela não está com uma boa cara, acho que ela me viu te abraçando. Caramba...” ele disse mais parecendo falar com ele do que comigo.
“Bem, boa sorte. Eu vou... Comer meu lanche antes que fique frio” eu disse e me virei pra sair dali, mas no exato momento que virei e andei tropecei em alguém que eu não havia visto fazendo meu cachorro-quente escapar de minhas mãos e sair voando exatamente em direção que ninguém menos que a namorada do Tiago. Ops!
“Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa” ela gritou fazendo todos se virarem pra ela. “Você!” ela apontou pra mim. Eu não sabia onde enfiar minha cara. Como se não bastasse pagar um mico em frente ao cara mais gato do colégio eu ainda fiz a namorada dele pagar um, ótimo! Só digo isso, que ótimo!
Fiquei tão concentrada no cachorro-quente voador que nem notei que tinha derramado um pouco do meu refrigerante em minha roupa e que uma poça se formava exatamente na parte frontal dela e aparentava que eu havia feito xixi nas calças. Huh, que sorte!
“Você!” ela disse de novo olhando pra mim com verdadeira fúria. “Olha o que fez comigo! Essa blusa é de marca e é nova!” ela disse ainda gritando e todos ao redor olhando.
“Bom, foi mal, totalmente sem intenção, eu tropecei sem querer e o cachorro-quente voou” disse sem dar atenção ao drama dela e sim a poça formada em minhas calças.
“Ahh fofinha, você dá em cima do meu namorado, derruba cachorro-quente na minha blusa de marca novinha e diz “ah foi mal”? Só pode ser piada, sua destrambelhada”.
“Antes eu até diria que sentia muito pelo o ocorrido, mas agora vejo que foi bom, dar uma corzinha” disse sarcasticamente.
“Como se atreve?” ela disse quase chorando e com muita raiva ainda. Eu não pude deixar de rir, aquela menina era uma das pessoas mais detestáveis que eu conheço. Ela não se encaixa no time dos populares legais, ela é daquelas meninas nojentinhas metidas.
“Bem, fofinha” eu disse imitando o tom de voz que ela havia usado comigo. “Me atrevo ao quê?” eu disse pegando da mão dela o cachorro-quente que ela havia tirado de cima de blusa dela poucos minutos atrás. “A isso?” perguntei melando ainda mais a blusa dela com o cachorro-quente.
Ao invés de me parar, me empurrar ou tentar me impedir ela apenas ficou me observando melar ainda mais a linda blusa fashion dela. Todos ao redor começaram a rir, risadas ecoaram por toda a cantina. O circo estava armado, a confusão feita. Já que eu tinha pagado um mico mesmo e ela também, porque não me vingar um pouco dela por algumas pessoas que ela já humilhou?
“Sua vaca! Olha o que você fez! Vai dizer que foi sem querer agora também?” ela disse chorando e gritando.
“Não, agora foi bem feito, muito bem feito modéstia a parte” eu disse sorrindo e piscando pra ela de pirraça. A garota simplesmente ficou ainda mais histérica do que ela já estava e veio pra cima de mim tentando me alcançar. Então eu comecei a correr atravessando a cantina e ela atrás de mim. Felizmente sempre fui boa em dribles e a driblei. Eu estava correndo tão rápido que nem vi o cachorro-quente no chão pisei nele e escorreguei caindo de bunda na frente de todo mundo. Ok, agora EU paguei mais um mico. Todos estavam rindo é claro. A escola toda!
“Ei, quer ajuda?” ouvi alguém acima dizendo. Quando eu olho está a pessoa que mais odeio nesse mundo, o Caduh.
“Não, obrigada por sua gentileza” fala serio, o que ele quer?
“Gentileza? Eu com você? Rá, espera bem sentada mesmo, nem precisa levantar. Falando nisso, você ainda não passou da idade de fazer xixi nas calças não? Caramba Ellen, devia usar fraldas!” ele disse me humilhando ainda mais.
“Ei cara, deixa ela” o Tiago veio não sei de onde em minha defesa.
“Tiago! Não tente defender essa...” a loira de farmácia o advertiu.
“Não termine Rafa, vamos embora. Tem outra blusa na mochila, não? Eu vou pegar lá na sala pra você trocar, me espere em frente ao banheiro. Já volto” ele disse falando com a namoradinha irritante dele. O que um cara tão legal como ele está fazendo com essa loira de farmácia? “E ei galera! O showzinho já acabou, voltem o que estavam fazendo!” ele disse para toda a galera que ainda estava nos olhando e rindo de mim.
“Não Tiaguinho, colé cara! Olha pra essa cdfzinha! Vamos lá, ria também eu sei que quer rir. Olha o que ela fez com a Rafa! Ela humilhou sua namorada. Rafa, você tá horrível, sem ofensa” ele disse agora rindo de nós duas.
“Cala a boca Caduh. Eu NUNCA estou horrível, ok? Se olhe no espelho antes de falar de mim”. Eu fiquei escutando a conversa deles, enquanto aos poucos as risadas iam sumindo e a galera voltava a seus afazeres e ignorava a gente.
Quando eu tentei levantar de forma digna, meus amigos chegaram e ficaram me enchendo de perguntas sobre o que tinha rolado e me pedindo desculpas por não estarem lá.
“Galera, tudo ok. Estou bem, quem não deve estar é a Rafaela” eu disse.
“Caramba Ellen, mandou muito bem. Aquela garota é uma metida esnobe. Se acha tanto só porque namora o Tiago “Perfeito” Lima” a Talita disse rindo.
“Tali, não fala assim né, serio gente sei que não vão acreditar em mim, mas a Rafa é legal” a Leninha tentou defender a Rafaela.
“Não defenda ela Leninha. Sabe muito bem o que ela fez com a Ana né? Pois é, não é algo que alguém legal faria, você sabe disso, eu acho” a Gabi veio em meu apoio.
“Vamos cambada, todo mundo pra dentro. Já me atrasei e a aula são 50 minutos apenas, vamos, vamos. Ei vocês aí? Não me ouvirão? Todos pra dentro! Agora!” disse um cara alto, meio gordinho e negro. Pela descrição dele só poderia ser o novo professor de matemática.
“Pelo visto esse cara deve ser um mala” o Alex disse cochichando pra gente.
“O que acabou dizer?” o professor perguntou pra ele.
“Nada não senhor” o Alex respondeu meio sem jeito.
“Senhor um ova! Meu nome é Patrick e eu irei dá aulas pra vocês sobre matemática durante esse ano, assim espero. Não irei pedir que se apresentem, não vou perguntar quem são os alunos novos, ninguém merece pagar esse mico não é mesmo? Até porque irei esquecer o nome de vocês assim que os pronunciarem, com o passar do ano também não irei saber o nome de quase nenhum de vocês, só faço questão de gravar o nome dos alunos que se destacam. Aqueles que conseguirem isso, não precisarão fazer minha prova da última unidade, obtendo nota máxima” assim que ele terminou o Caduh entrou na sala. Atrasado pra variar, esse garoto não tem jeito!
“Isso são horas rapaz? Já se passaram 10 minutos de aula, não sabe que o intervalo acaba 4:20?” o professor disse de forma meio inquisidora pro Caduh.
“Sei sim professor. É que... Bom, o senhor sabe que certas chances não dá pra deixar passar né?”.
“Tá falando do que exatamente?”
“Bem, simplesmente tinha uma gata me dando mole, então fui ficar com ela” ele disse sorrindo.
“Uow, nosso Caduh começa a atacar!” o Pedro, um dos idiotas e palhaços da turma se levantou e fez zoada de metralhadora.
“Hahahaha, é isso ai cara!” o Gustavo deu coro.
“Raaa muleque esperto!” o João também fez coro.
Fala serio, o quarteto deles é ridículo. Todos machistas, relaxados com a escola e só pensam em festas, mulher e sexo. Acredite em mim, eu já ouvi uma conversa deles.
Enquanto eles ovacionavam o Caduh, eu me verei pra olhar a Gabi e não tenho certeza se foi impressão, mas vi uma lágrima brotar de seus olhos. Eu não tinha certeza, mas eu achava que a Gabi gostava do Caduh. Surpreendente uma menina como ela gostar de um babaca como ele, mas quem manda no coração né? Ela sempre agia de forma estranha quando falamos do quão idiota ele é, ela nem defendia e nem criticava, só... Ficava na dela pensativamente. Não era incomum ele cabular aula, ao menos ano passado ele cabulava direto, e todas as aulas em que ele não estava ela ficava mais... solta. Não tinha vergonha de falar ou de perguntar toda hora se assim fosse necessário. Ela mudava muito quando ele estava, ou não estava. Por isso comecei a suspeitar que ela gosta dele, não contei pras meninas, porque elas certamente não se agüentariam e iriam falar com a Gabi. Já que ela não nos contou, provavelmente quer que ninguém saiba e não serei eu a contar.
“Ei Gabi, você tá chorando?” a Talita perguntou. Ops! Momento bem inapropriado pra Talita ter olhado pra Gabi, como ela irá disfarçar?
“Talita! Caramba, agora que vi sua sandália, que linda! Onde você comprou?” perguntei distraindo totalmente a Talita do possível choro da Gabi. A Gabi me lançou um olhar agradecendo, apenas dei de ombros. Não custa ajudar quando dá.
“Você é nojento Caduh” a Leninha disse pra ele. O que nos surpreendeu a Leninha ter falado tão diretamente.
“Poxa gracinha, não foi isso que disse quando ficou comigo né?”. A Leninha ficou com o Caduh? Bem, essa é nova! Quando foi isso que ela não me contou? Olhei pras meninas pra perguntar quando isso tinha acontecido, mas elas estavam com a mesma cara que eu devia estar. Quando isso aconteceu? Pelo visto a Leninha não contou a ninguém se for verdade, mas pela cara dela era bem verdade, a Leninha estava vermelha feito um tomate. Ela nem olhou mais pra ninguém só abaixou a cabeça e ficou olhando pro seu caderno fingindo estar escrevendo algo.
Os amigos do Caduh o ovacionaram mais uma vez é claro. Batendo nas cadeiras e gritando. Os outros garotos riram e as meninas ficaram dando risinhos, isso as que não haviam ficado com ele. Ou seja, tirando eu e minhas amigas, umas 5 garotas no máximo.
“Silêncio turma! Bem garoto, tudo bem, pode entrar, só sente-se e não diga mais um piu, senão irá sair de novo e pra não entrar mais”
“Pode deixar professor” ele disse e foi se sentar no seu lugar. Que por azar ficava ao meu lado.
“Bom, continuando... Todos que se destacarem positivamente irão ter um bônus na unidade final. Boa sorte a todos vocês, estudem, aproveitem as duas primeiras unidades porque é mais fácil e...” antes que ele pudesse concluir sua fala eu levantei a mão.
“Sim?”
“Posso ir no banheiro?” perguntei. Não sei por que eu pedi ao banheiro se nem com vontade estava simplesmente me veio uma urgência de sair da sala.
“Pode sim. Ande logo e não atrapalhe mais a aula” ele disse gentilmente.
“Desculpe” eu disse e fui saindo.
“É melhor ir logo hein Ellen, antes que se molhe de novo” o Caduh disse fazendo todos rirem. Esse cara só faz encher o saco.
Então o ignorei e continuei andando quando senti algo se esbarrando em mim e só ouvi um baque de coisas caindo no chão. Quando olhei era uma menina que eu nunca havia visto na minha vida, mas eu tinha um forte sentimento de que a conhecia de algum lugar.
Ignorando minhas impressões e sentimentos, eu abaixei para ajudá-la a catar as coisas que haviam caído. Ela se abaixou exatamente na mesma hora que eu e fomos levantando lentamente, como sempre acontece nos filmes, só que nos filmes era romanticamente, mas não este não era o caso. Quando fui entregar as coisas dela pra ela, sem querer minhas mãos tocaram na dela e eu apenas senti um arrepio percorrendo meu corpo. Então eu desmaiei.
Capitulo 1 – Apresentação
Autobiografia por Ellen M.
Meu nome é Ellen, tenho 15 anos e estou cursando o primeiro ano do Ensino Médio no colégio Instituto Nossa Senhora da Piedade.
Não sou alguém muito interessante por isso não tenho o que escrever.
O que eu mais gosto de fazer é ficar deitada na minha cama escutando musica no meu Ipod. O que eu odeio fazer é tarefa domestica, qualquer uma.
Minhas matérias prediletas são Química, Física e Biologia. Detesto Matemática, Português e Geografia. O resto eu suporto.
Meu livro predileto é...
Eu mal comecei a escrever e já estava cansada. A professora de redação nos mandou escrever uma curta autobiografia pra que ela pudesse nos conhecer melhor. Fala serio eu não sei o que se passa na cabeça de uma pessoa que pede isso. Ao menos é melhor do que pedir que a gente vá lá à frente se apresentar.
Essa é a primeira aula de redação do ano. A professora chegou aqui atrasada com uns papeis na mão distribuiu por toda a sala e no papel dizia o que teríamos que fazer. Ela mandou incluir o que mais gostamos de fazer, o que não gostamos, a nossa maior qualidade, nosso maior defeito, nosso tipo de livro, o tipo de livro que não gostamos e etc. Eu não faço a mínima idéia do meu maior defeito ou de minha maior qualidade. Nunca parei pra pensar nisso.
“Ei Gabi!” preciso de ajuda nisso aqui. A Gabi gosta bastante de escrever, então ela pode me dar uma mãozinha.
“Oi, diga”.
“Cara eu realmente não sei fazer isso. Autobiografia?” olhei pra ela pedindo socorro. Isso é extremamente chato e se continuar assim vou acabar perdendo em redação.
“Ai meu deus. Não faça essa cara, redação é importante e...” eu a interrompi. Não estava com saco de mais um daqueles discursos do quão importante é ser boa em redação.
“Eu sei, eu sei. Dá pra me ajudar?”
“Você ao menos começou?”
“Sim, olha aqui” passei meu caderno pra ela. Ela lê extremamente rápido e eu fiquei impressionada ela mal olhou o caderno e já me devolveu.
“Seu texto está completamente solto. Você precisa aprender a ligar seu texto. É como numa conversa sabe? O que você está fazendo aí é só respondendo aleatoriamente as perguntas da professora. Faz assim... Imagina que está se apresentando pra algum gato, ele não te conhece e quer te conhecer, mas a única maneira de você falar com ele é escrevendo” ela piscou pra mim e voltou a fazer o dela.
Devo dizer que essa dica dela é realmente boa. Agora fica bem mais fácil fazer esse negocio.
“Obrigada” agradeci. Ela salvou minha pele porque a louca da professora disse que isso vale dois pontos! Que absurdo.
“Mas ei Gabi, mais uma coisa. Qual meu maior defeito?”
“Hum, que você não cala a boca?” ok, ok já saquei.
“Huh, ok. E minha maior qualidade?” insisti.
“Fidelidade eu acho. Não sei, porque não pergunta a uma das meninas? Agora deixa eu fazer isso aqui antes que eu perca meus dois pontos”.
“Ok desculpa. E valeu pela ajuda”
“De nada, de nada”. Ela respondeu impacientemente.
Eu olhei ao redor e as meninas estavam todas concentradas fazendo suas autobiografias. Impressão minha ou sou a única pessoa com dificuldade nisso? Está todo mundo com a cabeça abaixada escrevendo, resta saber se é a autobiografia mesmo né. Deve ser porque isso vale dois pontos. DOIS PONTOS! Absurdo.
Quando eu finalmente decidi voltar a escrever a Gabi levantou e entregou a autobiografia dela. Foi a primeira da sala. A professora olhou surpresa e começou a ler a autobiografia da Gabi enquanto ela voltava a sentar.
“Caramba. Você é rápida mesmo hein?”. Enquanto eu preciso urgentemente de ajuda.
“Conseguiu fazer?”
“Er, na verdade não. Ajuda?”
“Vem cá. Junta sua cadeira com a minha”
“Eba! Valeu! Você é um anjo” ela sorriu.
Então a Gabi começou a me ajudar com a minha autobiografia e me deu outros macetes de como interligar as frases de um texto. Ela realmente manja disso.
Quando acabei finalmente a minha autobiografia, revisada pela Gabi, a aula faltava uns 5 minutos pra acabar. Faltava umas sete pessoas acabarem. O restante estava conversando, ouvindo musica em seus Ipods, tirando foto... Os novatos, alguns deles na verdade, estavam apenas observando a galera e com aquele olhar de “eu quero fazer parte disto”.
Sempre morei minha vida toda aqui em Ilhéus. Sempre estudei aqui no Piedade então nem sei como é ser novato, mas imagino que não deve ser muito legal.
As meninas estavam num canto conversando e eu sorri ao vê-las. Essa é a melhor coisa do colégio cara, meus amigos. Eu fico tão feliz quando estamos juntas, não sei explicar, é legal demais. Junto com elas estavam o Alex, o Ricardo e o Antonio. Essa era minha galera.
Eu, a Gabi, a Leninha, a Paulinha e a Talita formamos um grupo. Incrivelmente também somos a seleção do colégio de vôlei, nós e mais uma menina do terceiro ano. Eu e minhas amigas somos tão iguais ao mesmo tempo somos tão diferentes.
Todas nós jogamos vôlei e jogamos bem. Todas nós gostamos de dançar e ir pra uma boa festa. Algumas pessoas até dizem que falamos e andamos parecido. Talvez seja, a convivência faz um pouco disso. Acho que a semelhança pára por aí. Pensamos, agimos e nos vestimos diferente.
A Paulinha, por exemplo, é aquela que se veste de acordo com a moda. O estilo dela é o que está na moda. Incrivelmente as roupas sempre caem muito bem nela.
A Leninha é aquela que tem aquele jeitinho romântico. Jeans com sapato boneca e uma blusinha fofa por cima ou então vestidinhos.
A Talita gosta de se vestir pra chamar a atenção. Ela realmente tem estilo e combina as roupas muito bem. Ela gosta mesmo é dos brilhos. Qualquer coisa que seja diferente ou que tenha brilho ela adora. O lance é chamar a atenção.
A Gabi se veste de acordo com o ambiente. Ela é despojada e tem um estilo básico. Na maioria das vezes ta com jeans e uma camiseta maneira. Ela realmente ama jeans.
Quanto a mim... Sou totalmente eclética com esse lance de roupa. Na verdade depende do meu humor no dia. Às vezes quero vestir um vestido super fofo, às vezes quero me vestir como alguém antigo, enfim vario bastante. Meu estilo vai desde o gótico até o vintage. Eu amo todos.
Quando eu visto vintage a Paulinha pira comigo. Ela diz que eu devia me vestir de acordo com a minha época e não como se eu vivesse no passado, eu tentei explicar pra ela que é um estilo, mas ela simplesmente não entende então eu desisti de tentar explicar. Às vezes algumas peças vintage entram na moda e a Paulinha passa a usar, eu fico zoando ela dizendo que ela está vestindo roupa antiga também, mas ela vem com o papinho de que está na moda. Ela não muda, não tem jeito.
“Bem meninos pra terminar eu gostaria de propor uma coisa a vocês” a professora falou tão do nada que me pegou de surpresa. “Eu comecei a ler algumas autobiografias e vi que muitos de vocês tiveram dificuldades” ha, eu não fui a única! “Uma em especial me impressionou bastante. Não apenas pela forma sucinta, mas pela forma do texto. Esse texto foi da...” ela olhou para a folha em suas mãos “Gabriella Nascimento”.
Ha novidade! A Gabi é realmente muito boa. “Junto com a Gabriella e com alguns outros, eu gostaria de fazer um trabalho monitorado com vocês. As pessoas com facilidades irão ajudá-los. Vocês formarão grupos de oito pessoas e um deles será o líder, o monitor. Vocês escolhem ou eu escolho?” o que é claro a turma respondeu uniformemente “A gente escolhe!”. Qual o tipo de aluno prefere que o professor escolha?
“Muito bem, muito bem. Formem os grupos e passem os nomes pra Gabriella, tudo bem Gabi?” ela acenou confirmando e a professora se foi.
“Nós cinco e quem mais?” não sei o porquê da pergunta da Leninha, mas pra mim era bem obvio qual o grupo.
“Os meninos. Vou falar com eles” a Talita disse e foi falar com os meninos.
Sempre quando algum professor sai da sala para a troca de aulas a galera sai em peso da sala, hoje por um milagre todo mundo ficou na sala, provavelmente pra terminar de escolher os grupos.
Todos estavam tão entretidos em suas conversas que acham que nem perceberam que na verdade não era o sino de final de aula e sim o do intervalo. As meninas também estavam rindo com alguma coisa que os meninos estavam falando e eu não estava tão no clima assim, então eu simplesmente desci as escada e fui pra cantina.
Foi tão bom aquela sensação de “estou de volta”, ver a cantina, aquela confusão de todo mundo gritando e falando ao mesmo tempo tentando conseguir pegar seu lanche. Aquela fila imensa que faz qualquer ser desistir só de olhar. Coisas que com o passar do ano não agüentamos mais, mas que me fez sentir falta nas férias.
Liguei meu Ipod e fiquei escutando músicas da Beyonce enquanto esperava. Finalmente quando chegou minha vez peguei as fichas e fui pra luta de conseguir um lanche, felizmente pra minha sorte cheguei lá e consegui ser atendida rapidamente. Pedi um cachorro-quente com tudo e uma coca-cola.
“Obrigada” disse sorrindo para a tia da cantina.
“De nada querida. Você é sempre tão educada...” ela disse sonhadoramente pra mim. Cada louco com sua maluquice né? Eu agradeci, peguei meu lanche e antes que eu pudesse me virar sentir um par de braças me envolvendo.
Não fazia a mínima idéia de quem era o engraçadinho que estava se aproveitando da situação. Me virei rápido tentando me sair do abraço do engraçadinho já preparada para falar umas poucas e boas para ele, quando que pra minha surpresa o cara que tinha me abraçado era ninguém menos que Tiago Lima.
O que esse cara estava fazendo poucos minutos atrás é uma excelente pergunta. Pra inicio de conversa ele tem namorada e é extremamente lindo. Eu não costumo ficar sem reação ou ficar sem saber o que dizer mesmo que com quem eu esteja falando seja um gato total. No entanto fui tomada pela surpresa e fiquei meio sem reação enquanto ele sorria pra mim e dizia alguma coisa que obviamente eu não estava escutando por causa do barulho do Ipod.
“Acho melhor ficar sem isto” ele disse retirando um dos fones da minha orelha. “Desculpe pelo abraço, achei que fosse a Rafa, mas tudo bem por você né? Não vai ficar pirada não, vai?” ele piscou pra mim.
“Hum, não. Tudo ok” eu disse mal sabendo o que eu estava falando.
“Valeu. Desculpa de novo. Opa! Lá vem a Rafa e ela não está com uma boa cara, acho que ela me viu te abraçando. Caramba...” ele disse mais parecendo falar com ele do que comigo.
“Bem, boa sorte. Eu vou... Comer meu lanche antes que fique frio” eu disse e me virei pra sair dali, mas no exato momento que virei e andei tropecei em alguém que eu não havia visto fazendo meu cachorro-quente escapar de minhas mãos e sair voando exatamente em direção que ninguém menos que a namorada do Tiago. Ops!
“Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa” ela gritou fazendo todos se virarem pra ela. “Você!” ela apontou pra mim. Eu não sabia onde enfiar minha cara. Como se não bastasse pagar um mico em frente ao cara mais gato do colégio eu ainda fiz a namorada dele pagar um, ótimo! Só digo isso, que ótimo!
Fiquei tão concentrada no cachorro-quente voador que nem notei que tinha derramado um pouco do meu refrigerante em minha roupa e que uma poça se formava exatamente na parte frontal dela e aparentava que eu havia feito xixi nas calças. Huh, que sorte!
“Você!” ela disse de novo olhando pra mim com verdadeira fúria. “Olha o que fez comigo! Essa blusa é de marca e é nova!” ela disse ainda gritando e todos ao redor olhando.
“Bom, foi mal, totalmente sem intenção, eu tropecei sem querer e o cachorro-quente voou” disse sem dar atenção ao drama dela e sim a poça formada em minhas calças.
“Ahh fofinha, você dá em cima do meu namorado, derruba cachorro-quente na minha blusa de marca novinha e diz “ah foi mal”? Só pode ser piada, sua destrambelhada”.
“Antes eu até diria que sentia muito pelo o ocorrido, mas agora vejo que foi bom, dar uma corzinha” disse sarcasticamente.
“Como se atreve?” ela disse quase chorando e com muita raiva ainda. Eu não pude deixar de rir, aquela menina era uma das pessoas mais detestáveis que eu conheço. Ela não se encaixa no time dos populares legais, ela é daquelas meninas nojentinhas metidas.
“Bem, fofinha” eu disse imitando o tom de voz que ela havia usado comigo. “Me atrevo ao quê?” eu disse pegando da mão dela o cachorro-quente que ela havia tirado de cima de blusa dela poucos minutos atrás. “A isso?” perguntei melando ainda mais a blusa dela com o cachorro-quente.
Ao invés de me parar, me empurrar ou tentar me impedir ela apenas ficou me observando melar ainda mais a linda blusa fashion dela. Todos ao redor começaram a rir, risadas ecoaram por toda a cantina. O circo estava armado, a confusão feita. Já que eu tinha pagado um mico mesmo e ela também, porque não me vingar um pouco dela por algumas pessoas que ela já humilhou?
“Sua vaca! Olha o que você fez! Vai dizer que foi sem querer agora também?” ela disse chorando e gritando.
“Não, agora foi bem feito, muito bem feito modéstia a parte” eu disse sorrindo e piscando pra ela de pirraça. A garota simplesmente ficou ainda mais histérica do que ela já estava e veio pra cima de mim tentando me alcançar. Então eu comecei a correr atravessando a cantina e ela atrás de mim. Felizmente sempre fui boa em dribles e a driblei. Eu estava correndo tão rápido que nem vi o cachorro-quente no chão pisei nele e escorreguei caindo de bunda na frente de todo mundo. Ok, agora EU paguei mais um mico. Todos estavam rindo é claro. A escola toda!
“Ei, quer ajuda?” ouvi alguém acima dizendo. Quando eu olho está a pessoa que mais odeio nesse mundo, o Caduh.
“Não, obrigada por sua gentileza” fala serio, o que ele quer?
“Gentileza? Eu com você? Rá, espera bem sentada mesmo, nem precisa levantar. Falando nisso, você ainda não passou da idade de fazer xixi nas calças não? Caramba Ellen, devia usar fraldas!” ele disse me humilhando ainda mais.
“Ei cara, deixa ela” o Tiago veio não sei de onde em minha defesa.
“Tiago! Não tente defender essa...” a loira de farmácia o advertiu.
“Não termine Rafa, vamos embora. Tem outra blusa na mochila, não? Eu vou pegar lá na sala pra você trocar, me espere em frente ao banheiro. Já volto” ele disse falando com a namoradinha irritante dele. O que um cara tão legal como ele está fazendo com essa loira de farmácia? “E ei galera! O showzinho já acabou, voltem o que estavam fazendo!” ele disse para toda a galera que ainda estava nos olhando e rindo de mim.
“Não Tiaguinho, colé cara! Olha pra essa cdfzinha! Vamos lá, ria também eu sei que quer rir. Olha o que ela fez com a Rafa! Ela humilhou sua namorada. Rafa, você tá horrível, sem ofensa” ele disse agora rindo de nós duas.
“Cala a boca Caduh. Eu NUNCA estou horrível, ok? Se olhe no espelho antes de falar de mim”. Eu fiquei escutando a conversa deles, enquanto aos poucos as risadas iam sumindo e a galera voltava a seus afazeres e ignorava a gente.
Quando eu tentei levantar de forma digna, meus amigos chegaram e ficaram me enchendo de perguntas sobre o que tinha rolado e me pedindo desculpas por não estarem lá.
“Galera, tudo ok. Estou bem, quem não deve estar é a Rafaela” eu disse.
“Caramba Ellen, mandou muito bem. Aquela garota é uma metida esnobe. Se acha tanto só porque namora o Tiago “Perfeito” Lima” a Talita disse rindo.
“Tali, não fala assim né, serio gente sei que não vão acreditar em mim, mas a Rafa é legal” a Leninha tentou defender a Rafaela.
“Não defenda ela Leninha. Sabe muito bem o que ela fez com a Ana né? Pois é, não é algo que alguém legal faria, você sabe disso, eu acho” a Gabi veio em meu apoio.
“Vamos cambada, todo mundo pra dentro. Já me atrasei e a aula são 50 minutos apenas, vamos, vamos. Ei vocês aí? Não me ouvirão? Todos pra dentro! Agora!” disse um cara alto, meio gordinho e negro. Pela descrição dele só poderia ser o novo professor de matemática.
“Pelo visto esse cara deve ser um mala” o Alex disse cochichando pra gente.
“O que acabou dizer?” o professor perguntou pra ele.
“Nada não senhor” o Alex respondeu meio sem jeito.
“Senhor um ova! Meu nome é Patrick e eu irei dá aulas pra vocês sobre matemática durante esse ano, assim espero. Não irei pedir que se apresentem, não vou perguntar quem são os alunos novos, ninguém merece pagar esse mico não é mesmo? Até porque irei esquecer o nome de vocês assim que os pronunciarem, com o passar do ano também não irei saber o nome de quase nenhum de vocês, só faço questão de gravar o nome dos alunos que se destacam. Aqueles que conseguirem isso, não precisarão fazer minha prova da última unidade, obtendo nota máxima” assim que ele terminou o Caduh entrou na sala. Atrasado pra variar, esse garoto não tem jeito!
“Isso são horas rapaz? Já se passaram 10 minutos de aula, não sabe que o intervalo acaba 4:20?” o professor disse de forma meio inquisidora pro Caduh.
“Sei sim professor. É que... Bom, o senhor sabe que certas chances não dá pra deixar passar né?”.
“Tá falando do que exatamente?”
“Bem, simplesmente tinha uma gata me dando mole, então fui ficar com ela” ele disse sorrindo.
“Uow, nosso Caduh começa a atacar!” o Pedro, um dos idiotas e palhaços da turma se levantou e fez zoada de metralhadora.
“Hahahaha, é isso ai cara!” o Gustavo deu coro.
“Raaa muleque esperto!” o João também fez coro.
Fala serio, o quarteto deles é ridículo. Todos machistas, relaxados com a escola e só pensam em festas, mulher e sexo. Acredite em mim, eu já ouvi uma conversa deles.
Enquanto eles ovacionavam o Caduh, eu me verei pra olhar a Gabi e não tenho certeza se foi impressão, mas vi uma lágrima brotar de seus olhos. Eu não tinha certeza, mas eu achava que a Gabi gostava do Caduh. Surpreendente uma menina como ela gostar de um babaca como ele, mas quem manda no coração né? Ela sempre agia de forma estranha quando falamos do quão idiota ele é, ela nem defendia e nem criticava, só... Ficava na dela pensativamente. Não era incomum ele cabular aula, ao menos ano passado ele cabulava direto, e todas as aulas em que ele não estava ela ficava mais... solta. Não tinha vergonha de falar ou de perguntar toda hora se assim fosse necessário. Ela mudava muito quando ele estava, ou não estava. Por isso comecei a suspeitar que ela gosta dele, não contei pras meninas, porque elas certamente não se agüentariam e iriam falar com a Gabi. Já que ela não nos contou, provavelmente quer que ninguém saiba e não serei eu a contar.
“Ei Gabi, você tá chorando?” a Talita perguntou. Ops! Momento bem inapropriado pra Talita ter olhado pra Gabi, como ela irá disfarçar?
“Talita! Caramba, agora que vi sua sandália, que linda! Onde você comprou?” perguntei distraindo totalmente a Talita do possível choro da Gabi. A Gabi me lançou um olhar agradecendo, apenas dei de ombros. Não custa ajudar quando dá.
“Você é nojento Caduh” a Leninha disse pra ele. O que nos surpreendeu a Leninha ter falado tão diretamente.
“Poxa gracinha, não foi isso que disse quando ficou comigo né?”. A Leninha ficou com o Caduh? Bem, essa é nova! Quando foi isso que ela não me contou? Olhei pras meninas pra perguntar quando isso tinha acontecido, mas elas estavam com a mesma cara que eu devia estar. Quando isso aconteceu? Pelo visto a Leninha não contou a ninguém se for verdade, mas pela cara dela era bem verdade, a Leninha estava vermelha feito um tomate. Ela nem olhou mais pra ninguém só abaixou a cabeça e ficou olhando pro seu caderno fingindo estar escrevendo algo.
Os amigos do Caduh o ovacionaram mais uma vez é claro. Batendo nas cadeiras e gritando. Os outros garotos riram e as meninas ficaram dando risinhos, isso as que não haviam ficado com ele. Ou seja, tirando eu e minhas amigas, umas 5 garotas no máximo.
“Silêncio turma! Bem garoto, tudo bem, pode entrar, só sente-se e não diga mais um piu, senão irá sair de novo e pra não entrar mais”
“Pode deixar professor” ele disse e foi se sentar no seu lugar. Que por azar ficava ao meu lado.
“Bom, continuando... Todos que se destacarem positivamente irão ter um bônus na unidade final. Boa sorte a todos vocês, estudem, aproveitem as duas primeiras unidades porque é mais fácil e...” antes que ele pudesse concluir sua fala eu levantei a mão.
“Sim?”
“Posso ir no banheiro?” perguntei. Não sei por que eu pedi ao banheiro se nem com vontade estava simplesmente me veio uma urgência de sair da sala.
“Pode sim. Ande logo e não atrapalhe mais a aula” ele disse gentilmente.
“Desculpe” eu disse e fui saindo.
“É melhor ir logo hein Ellen, antes que se molhe de novo” o Caduh disse fazendo todos rirem. Esse cara só faz encher o saco.
Então o ignorei e continuei andando quando senti algo se esbarrando em mim e só ouvi um baque de coisas caindo no chão. Quando olhei era uma menina que eu nunca havia visto na minha vida, mas eu tinha um forte sentimento de que a conhecia de algum lugar.
Ignorando minhas impressões e sentimentos, eu abaixei para ajudá-la a catar as coisas que haviam caído. Ela se abaixou exatamente na mesma hora que eu e fomos levantando lentamente, como sempre acontece nos filmes, só que nos filmes era romanticamente, mas não este não era o caso. Quando fui entregar as coisas dela pra ela, sem querer minhas mãos tocaram na dela e eu apenas senti um arrepio percorrendo meu corpo. Então eu desmaiei.
Um certo garoto...
Ele me envolve. Não sei bem o porquê e nem como. Mas algo nele me fascina completamente. Reparei que ele não tem esse efeito só em mim, mas em outras garotas também. Ele é daquele tipo de cara que todo mundo nota, sabe? Ele não tem como passar despercebido... O que ele tem? Por que todas ficamos apaixonadas por ele afinal? Algumas mal o conhecem, outras nunca sequer falaram com ele... Mas mesmo assim se viram apaixonadas... Era uma espécie de epidemia... Alguma doença?
Não que ele fosse feio, de jeito nenhum, ele é bonitinho até, mas não bonito o suficiente para ser o motivo de tantas garotas loucas por ele. Apesar de inicialmente eu não ter sido afetada, eu gostava dele, ele parecia ser um cara maneiro. Fomos nos aproximando, demais até e ele virou meu melhor amigo... E agora? Continuar imune a um cara por quem várias morriam de amores? Meio difícil não? Principalmente se o cara é tão legal e fofo com você...
Não me apaixonei por ele pelo motivo de todas...Ou será que sim? A presença dele me embriagava... Seu cheiro, seu sorriso, sua voz... Um olhar tímido, transparente, ele não conseguia esconder as coisas de mim e se irritava com isso... “Eu digo que vocês vão ficar juntos, porque você é a única garota com quem ele vai ter tanta intimidade, só por isso...”. Estaria certa essa pessoa? Será mesmo que entre todas as garotas que foram apaixonadas por ele, seria eu a única a conseguir? Isso não acontece em minha vida, é coisa de livro, daqueles que eu costumo ler... Ou será que seria possível?
Quem melhor pra ele do que eu? Não é me achando, mas eu o conheço muito bem. Sei o que ele está sentindo só de olhar pra ele, ele não precisa me falar, porque eu já sei... Sou a garota que ele confia... Que ele gosta de conversar, passar o tempo...
A garota que ele ama... Mas de que jeito afinal? Como amiga somente? Namorada? Alguém com quem queira dividir tudo? Como saber então a diferença da amizade e o amor? Será que ele tem como saber? Será que dá pra definir realmente o que sentimos um pelo outro? Eu já cansei de tentar. Sei que não é só amizade, é mais que isso... Amor? Com certeza... mas de que forma? E porque temos que definir afinal? Por que apenas não ficamos juntos? Sem compromisso ou hesitação... Mas pelo visto não dá pra ser assim... Eu o amo, sim, o amo muito, ele me ama também, mais do que ele gostaria, e sofremos com isso, nós 2... Não sabemos por que ao certo, queremos ficar juntos e ao mesmo tempo não... Está achando confuso?!?! Imagine pra gente... Acha que é fácil? Não é... Difícil então? Não sei...Será?
Já se sentiu desse jeito em relação a algum cara?
Já? Então pode ser que me entenda... O que você fez? Gostaria de saber...
Não? Bom, azar o seu, porque apesar de ser confuso e sofrido é bom demais, de certa forma...
Afinal... Atração física, curiosidade ou sei lá mais o quê? Ouu amor verdadeiro? Como saber? Será que algum dia vou descobrir? Eu espero que sim... E você vai achar alguém assim? Boa sorte no fim...
Ele me envolve. Não sei bem o porquê e nem como. Mas algo nele me fascina completamente. Reparei que ele não tem esse efeito só em mim, mas em outras garotas também. Ele é daquele tipo de cara que todo mundo nota, sabe? Ele não tem como passar despercebido... O que ele tem? Por que todas ficamos apaixonadas por ele afinal? Algumas mal o conhecem, outras nunca sequer falaram com ele... Mas mesmo assim se viram apaixonadas... Era uma espécie de epidemia... Alguma doença?
Não que ele fosse feio, de jeito nenhum, ele é bonitinho até, mas não bonito o suficiente para ser o motivo de tantas garotas loucas por ele. Apesar de inicialmente eu não ter sido afetada, eu gostava dele, ele parecia ser um cara maneiro. Fomos nos aproximando, demais até e ele virou meu melhor amigo... E agora? Continuar imune a um cara por quem várias morriam de amores? Meio difícil não? Principalmente se o cara é tão legal e fofo com você...
Não me apaixonei por ele pelo motivo de todas...Ou será que sim? A presença dele me embriagava... Seu cheiro, seu sorriso, sua voz... Um olhar tímido, transparente, ele não conseguia esconder as coisas de mim e se irritava com isso... “Eu digo que vocês vão ficar juntos, porque você é a única garota com quem ele vai ter tanta intimidade, só por isso...”. Estaria certa essa pessoa? Será mesmo que entre todas as garotas que foram apaixonadas por ele, seria eu a única a conseguir? Isso não acontece em minha vida, é coisa de livro, daqueles que eu costumo ler... Ou será que seria possível?
Quem melhor pra ele do que eu? Não é me achando, mas eu o conheço muito bem. Sei o que ele está sentindo só de olhar pra ele, ele não precisa me falar, porque eu já sei... Sou a garota que ele confia... Que ele gosta de conversar, passar o tempo...
A garota que ele ama... Mas de que jeito afinal? Como amiga somente? Namorada? Alguém com quem queira dividir tudo? Como saber então a diferença da amizade e o amor? Será que ele tem como saber? Será que dá pra definir realmente o que sentimos um pelo outro? Eu já cansei de tentar. Sei que não é só amizade, é mais que isso... Amor? Com certeza... mas de que forma? E porque temos que definir afinal? Por que apenas não ficamos juntos? Sem compromisso ou hesitação... Mas pelo visto não dá pra ser assim... Eu o amo, sim, o amo muito, ele me ama também, mais do que ele gostaria, e sofremos com isso, nós 2... Não sabemos por que ao certo, queremos ficar juntos e ao mesmo tempo não... Está achando confuso?!?! Imagine pra gente... Acha que é fácil? Não é... Difícil então? Não sei...Será?
Já se sentiu desse jeito em relação a algum cara?
Já? Então pode ser que me entenda... O que você fez? Gostaria de saber...
Não? Bom, azar o seu, porque apesar de ser confuso e sofrido é bom demais, de certa forma...
Afinal... Atração física, curiosidade ou sei lá mais o quê? Ouu amor verdadeiro? Como saber? Será que algum dia vou descobrir? Eu espero que sim... E você vai achar alguém assim? Boa sorte no fim...
sábado, 21 de agosto de 2010
Os 5
Numa época de caça aos bruxos em geral, mas especialmente as bruxas, pessoas inocentes eram condenadas por bruxaria, pessoas eram torturadas, eram queimadas em fogueiras por estarem sendo acusadas de serem hereges segundo a Igreja. Mas entre essas pessoas acusadas de bruxaria muitas delas não eram bruxas, mas apenas utilizavam o conhecimento das ervas. E algumas delas eram realmente bruxas. Os bruxos foram obrigados a camuflarem seus objetos para continuarem com seu culto em segredo, como por exemplo, a colher de pau, hoje em dia muito utilizada para fazer bolos e etc., era na verdade uma varinha, uma varinha camuflada. A bruxaria sempre usou a oralidade para passar seus conhecimentos aos mais jovens, mas na época de caça as bruxas eles já não podiam fazer mais isso, então eles criaram o “Livro das Sombras”, que seria nada mais que um diário das bruxas, para passarem seus conhecimentos para as próximas gerações.
Existiam várias famílias de bruxos, umas muito antigas, outras recentes se formavam e entre essas famílias muito antigas existiam 4 que foram unidas pelos seus mais jovens membros: Max O’ Higgins, Egan O’ Shea, Brid Cotter e Aine Fogartys. 4 jovens bruxos unidos por um laço muito forte: a amizade. Max, Egan, Brid e Aine eram amigos desde crianças e juntos aprenderam a respeitar acima de tudo a natureza. Juntos ficaram fascinados com as belezas da natureza e também juntos aprenderam a dominá-la. Até hoje ninguém sabe como eles conseguiram obter poderes dos 4 elementos, certamente eles eram fortes se não fossem não teriam conseguido tal façanha. Mas assim como os outros bruxos eles foram perseguidos, eles sabiam que logo os inquisidores os achariam e os matariam. Eles não poderiam morrer antes de passar o segredo do poder deles. Constantemente eles mudavam de um lugar para o outro para não serem achados tão facilmente, eles não faziam a menor idéia como iriam passar seus poderes, até que Brid teve uma idéia:
- Poderemos passar nossos poderes para um objeto tornando-o mágico.
- É uma boa idéia, mas será que um simples objeto irá agüentar os nossos poderes? Todos juntos? – perguntou Egan.
- Provavelmente um simples objeto não suportaria nossos poderes, mas quem disse que eu estou falando de um simples objeto?
- Então de qual objeto você está falando? Que objeto é esse que irá suportar nossos poderes? – indagou Aine.
- Um objeto que represente os nossos poderes.
- Você não está sugerindo um...- falou Max.
- Exatamente.
- Uma excelente idéia, mas mesmo ele, eu não acho que irá suportar nossos poderes. - concluiu o Max.
- Talvez não ele inteiro... Mas se o dividirmos...
- Dividi-lo em 4?
- Lógico que não, até mesmo não é possível dividi-lo em 4 partes... Só é possível dividi-lo em 5 partes!
- 5 partes? Mas nós somos 4, os elementos são 4, nossos poderes são 4.
- O pentagrama tem cinco pontas, creio que vocês saibam os significados de cada uma delas, não?
- Lógico que sim, cada ponta representa um dos 4 elementos...
- E a 1ª ponta representa: o espírito.
- Você está louca Brid? Como daremos poder a 5ª parte?
- Todos juntos, passaremos nossas almas para essa parte do pentagrama, essa parte é a que irá juntar as outras e fazer com que sempre fiquem unidas, nós somos muito unidos, acho que posso dizer que formamos um só.
- Entendo, resumindo cada um de nós irá passar seu poder para uma ponta do pentagrama e todos nós iremos passar nossas almas para a 5ª parte, não é isso?
- Exatamente, só que para passarmos nossas almas para o medalhão nós....
- Precisamos morrer!
- Sim... Se não quiserem vou entender, mas foi a única idéia que eu tive.
- Nada disso, acho que você não poderia ter tido uma idéia melhor, eu aceito. – falou o Max.
- Eu também aceito. – falou Egan.
- Eu também. - falou Aine.
- Mas acho que temos um probleminha... Não temos nenhum pentagrama aqui. – constatou Egan.
- Temos sim, temos o medalhão que é passado de geração em geração na minha família, é um pentagrama de prata muito antigo e ele é passado logicamente somente ao filho mais velho.
- Então não falta mais nada, vamos começar.
- Espere um momento, não podemos completar o ritual agora, para passar nossas almas para a 5ª parte teremos que morrer todos juntos e não temos herdeiros para passar as outras partes.
- Você está certa! Precisaremos de herdeiros para que eles continuem com a nossa linhagem...
- E o que faremos agora?
- Iremos passar nossos poderes para as 4 partes faltando somente a 5ª parte. Depois que tivermos filhos, poderemos finalmente terminar. – disse o Max.
- Tem uma coisa que eu não disse para vocês... Esse medalhão só funciona nas mãos do filho mais velho, por isso se algum de vocês tiver mais de um filho e gostar mais do segundo filho e resolver passar a parte do medalhão para ele, eu aviso logo que o medalhão não o aceitará, nas mãos das pessoas erradas ele não passará de um simples enfeite. Minha família jogou um feitiço nele para aceitar somente ao primogênito e para aceitar somente a nossa família e eu terei que desfazer esse feitiço para lançar um que aceite somente a nós 4, ou nossos herdeiros. E foi por isso que até hoje minha família sempre só teve um filho para não haver brigas e para que sangue mágico não seja derramado, aconselho que façam o mesmo.
- Só um filho? Sempre quis ter uns 3 filhos. – disse Aine.
- Você poderá ter quantos filhos quiser, mas não poderá passar sua parte do medalhão a qualquer filho que não seja o mais velho. – falou impacientemente o Max.
- Isso mesmo Max, e podem crer que o medalhão saberá quem é o mais velho. Ah antes que vocês me perguntem já vou avisando que caso algum de vocês tenha um filho bastardo e esse for o seu primogênito e que depois você se case e tenha um outro filho, você deverá passar o medalhão para o bastardo, então tenham cuidado. E também peço para que sempre mantenham seu sobrenome para que caso nossas gerações futuras se percam um dos outros eles possam se achar através de nossos sobrenomes.
- Não entendi. – falou Aine.
- Como se isso fosse novidade. É o seguinte, eu sou uma mulher e na nossa cultura normalmente a mulher e os filhos recebem o sobrenome do marido, mas meu filho ao em vez de receber o sobrenome do pai irá receber meu sobrenome para que se algum dia ele se perder dos outros, os filhos de vocês, possa achá-los através dos nossos sobrenomes. Então não importa se for homem ou mulher mantenham sempre o sobrenome e digam isso para seus filhos e o mandem dizer para seus netos e assim sucessivamente.
- Essa idéia de manter os sobrenomes é excelente. Eu concordo com sua família Brid, é melhor que tenhamos apenas um filho assim evitamos brigas entre irmãos. – disse o Egan.
- Então podemos “fabricar” nossos filhos agora mesmo. – disse o Max.
- É mesmo, afinal nós 4 somos amigos mas também somos dois casais.
- Vocês prestaram alguma atenção no que eu falei?
- Claro que sim! Isso não é brincadeira, é o nosso futuro, o futuro das nossas famílias, e é a nossa vida.
- Pois não parece, não podemos “fabricar” nossos filhos agora.
- Por que não Brid? – perguntou Aine.
- Porque se eu e o Egan tivermos um filho, essa criança será o meu primogênito e será o primogênito do Egan. Ele herdará duas partes do medalhão e irá ganhar o sobrenome do Egan e não o meu já que o Egan é homem.
- E daí? Ao menos assim manteremos unido nosso sangue.
- Isso não pode acontecer. Se um objeto não consegue suportar os nossos poderes juntos imagine uma pessoa.
- Quer dizer que não podemos misturar nosso sangue, por assim misturaremos nossos poderes? Mas então não precisamos fazer o medalhão, já que no nosso sangue contem nossos poderes.
- Não é isso. A magia que contêm no nosso sangue é uma espécie de chave pra ativar o medalhão, entenderam?
- Sim. – todos responderam concordando e assim, mudando a vida de muitas gerações futuras.
Existiam várias famílias de bruxos, umas muito antigas, outras recentes se formavam e entre essas famílias muito antigas existiam 4 que foram unidas pelos seus mais jovens membros: Max O’ Higgins, Egan O’ Shea, Brid Cotter e Aine Fogartys. 4 jovens bruxos unidos por um laço muito forte: a amizade. Max, Egan, Brid e Aine eram amigos desde crianças e juntos aprenderam a respeitar acima de tudo a natureza. Juntos ficaram fascinados com as belezas da natureza e também juntos aprenderam a dominá-la. Até hoje ninguém sabe como eles conseguiram obter poderes dos 4 elementos, certamente eles eram fortes se não fossem não teriam conseguido tal façanha. Mas assim como os outros bruxos eles foram perseguidos, eles sabiam que logo os inquisidores os achariam e os matariam. Eles não poderiam morrer antes de passar o segredo do poder deles. Constantemente eles mudavam de um lugar para o outro para não serem achados tão facilmente, eles não faziam a menor idéia como iriam passar seus poderes, até que Brid teve uma idéia:
- Poderemos passar nossos poderes para um objeto tornando-o mágico.
- É uma boa idéia, mas será que um simples objeto irá agüentar os nossos poderes? Todos juntos? – perguntou Egan.
- Provavelmente um simples objeto não suportaria nossos poderes, mas quem disse que eu estou falando de um simples objeto?
- Então de qual objeto você está falando? Que objeto é esse que irá suportar nossos poderes? – indagou Aine.
- Um objeto que represente os nossos poderes.
- Você não está sugerindo um...- falou Max.
- Exatamente.
- Uma excelente idéia, mas mesmo ele, eu não acho que irá suportar nossos poderes. - concluiu o Max.
- Talvez não ele inteiro... Mas se o dividirmos...
- Dividi-lo em 4?
- Lógico que não, até mesmo não é possível dividi-lo em 4 partes... Só é possível dividi-lo em 5 partes!
- 5 partes? Mas nós somos 4, os elementos são 4, nossos poderes são 4.
- O pentagrama tem cinco pontas, creio que vocês saibam os significados de cada uma delas, não?
- Lógico que sim, cada ponta representa um dos 4 elementos...
- E a 1ª ponta representa: o espírito.
- Você está louca Brid? Como daremos poder a 5ª parte?
- Todos juntos, passaremos nossas almas para essa parte do pentagrama, essa parte é a que irá juntar as outras e fazer com que sempre fiquem unidas, nós somos muito unidos, acho que posso dizer que formamos um só.
- Entendo, resumindo cada um de nós irá passar seu poder para uma ponta do pentagrama e todos nós iremos passar nossas almas para a 5ª parte, não é isso?
- Exatamente, só que para passarmos nossas almas para o medalhão nós....
- Precisamos morrer!
- Sim... Se não quiserem vou entender, mas foi a única idéia que eu tive.
- Nada disso, acho que você não poderia ter tido uma idéia melhor, eu aceito. – falou o Max.
- Eu também aceito. – falou Egan.
- Eu também. - falou Aine.
- Mas acho que temos um probleminha... Não temos nenhum pentagrama aqui. – constatou Egan.
- Temos sim, temos o medalhão que é passado de geração em geração na minha família, é um pentagrama de prata muito antigo e ele é passado logicamente somente ao filho mais velho.
- Então não falta mais nada, vamos começar.
- Espere um momento, não podemos completar o ritual agora, para passar nossas almas para a 5ª parte teremos que morrer todos juntos e não temos herdeiros para passar as outras partes.
- Você está certa! Precisaremos de herdeiros para que eles continuem com a nossa linhagem...
- E o que faremos agora?
- Iremos passar nossos poderes para as 4 partes faltando somente a 5ª parte. Depois que tivermos filhos, poderemos finalmente terminar. – disse o Max.
- Tem uma coisa que eu não disse para vocês... Esse medalhão só funciona nas mãos do filho mais velho, por isso se algum de vocês tiver mais de um filho e gostar mais do segundo filho e resolver passar a parte do medalhão para ele, eu aviso logo que o medalhão não o aceitará, nas mãos das pessoas erradas ele não passará de um simples enfeite. Minha família jogou um feitiço nele para aceitar somente ao primogênito e para aceitar somente a nossa família e eu terei que desfazer esse feitiço para lançar um que aceite somente a nós 4, ou nossos herdeiros. E foi por isso que até hoje minha família sempre só teve um filho para não haver brigas e para que sangue mágico não seja derramado, aconselho que façam o mesmo.
- Só um filho? Sempre quis ter uns 3 filhos. – disse Aine.
- Você poderá ter quantos filhos quiser, mas não poderá passar sua parte do medalhão a qualquer filho que não seja o mais velho. – falou impacientemente o Max.
- Isso mesmo Max, e podem crer que o medalhão saberá quem é o mais velho. Ah antes que vocês me perguntem já vou avisando que caso algum de vocês tenha um filho bastardo e esse for o seu primogênito e que depois você se case e tenha um outro filho, você deverá passar o medalhão para o bastardo, então tenham cuidado. E também peço para que sempre mantenham seu sobrenome para que caso nossas gerações futuras se percam um dos outros eles possam se achar através de nossos sobrenomes.
- Não entendi. – falou Aine.
- Como se isso fosse novidade. É o seguinte, eu sou uma mulher e na nossa cultura normalmente a mulher e os filhos recebem o sobrenome do marido, mas meu filho ao em vez de receber o sobrenome do pai irá receber meu sobrenome para que se algum dia ele se perder dos outros, os filhos de vocês, possa achá-los através dos nossos sobrenomes. Então não importa se for homem ou mulher mantenham sempre o sobrenome e digam isso para seus filhos e o mandem dizer para seus netos e assim sucessivamente.
- Essa idéia de manter os sobrenomes é excelente. Eu concordo com sua família Brid, é melhor que tenhamos apenas um filho assim evitamos brigas entre irmãos. – disse o Egan.
- Então podemos “fabricar” nossos filhos agora mesmo. – disse o Max.
- É mesmo, afinal nós 4 somos amigos mas também somos dois casais.
- Vocês prestaram alguma atenção no que eu falei?
- Claro que sim! Isso não é brincadeira, é o nosso futuro, o futuro das nossas famílias, e é a nossa vida.
- Pois não parece, não podemos “fabricar” nossos filhos agora.
- Por que não Brid? – perguntou Aine.
- Porque se eu e o Egan tivermos um filho, essa criança será o meu primogênito e será o primogênito do Egan. Ele herdará duas partes do medalhão e irá ganhar o sobrenome do Egan e não o meu já que o Egan é homem.
- E daí? Ao menos assim manteremos unido nosso sangue.
- Isso não pode acontecer. Se um objeto não consegue suportar os nossos poderes juntos imagine uma pessoa.
- Quer dizer que não podemos misturar nosso sangue, por assim misturaremos nossos poderes? Mas então não precisamos fazer o medalhão, já que no nosso sangue contem nossos poderes.
- Não é isso. A magia que contêm no nosso sangue é uma espécie de chave pra ativar o medalhão, entenderam?
- Sim. – todos responderam concordando e assim, mudando a vida de muitas gerações futuras.
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